Autarca de Constância defende serviço obrigatório para médicos no Estado. Foto arquivo: Ricardo Escada7mediotejo.net

A confirmação chegou do presidente da Câmara Municipal em declarações ao mediotejo.net. Explica que na Extensão de Saúde de Santa Margarida “continuamos sem serviço médico”. O que estava previsto acontecer no dia 11 de abril, mas no dia 12 “a profissional que já tinha aceite o serviço informou que devido a razões de ordem pessoal não vai realizar o mesmo”, informou a autarquia.

Sérgio Oliveira deu conta de um trabalho de acompanhamento da situação por parte da Câmara Municipal que inclui contactos com médicos sensibilizando-os para trabalharem em Santa Margarida da Coutada, nomeadamente “disponibilizando casa a custo zero e pagamento de deslocações”, mas sem sucesso. Bem como junto do ACES alertando para a necessidade de “retomar o mais depressa possível os serviços médicos naquela Extensão de Saúde, com a colocação de um médico”.

Recorrem à Unidade Cuidados Saúde Personalizados (UCSP) de Constância, polo de Santa Margarida, cerca de 1600 utentes segundo a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. Após a aposentação da médica, no dia 1 de abril, que dava consultas em Santa Margarida da Coutada, a autarquia entretanto anunciava que contava ter no dia 11 uma resposta, a tempo parcial, às segundas e terças-feiras, no período da tarde, para estes utentes, assegurada pela drª Júlia Rebelo.

Ao não se verificar, os utentes de Santa Margarida da Coutada têm de continuar a recorrer ao Centro de Saúde de Constância que conta com dois médicos. Contudo, a situação agudizou-se nos últimos dias, havendo apenas “três consultas de recurso. É aquilo que o médico de serviço consegue assegurar”, relatou o presidente da Câmara, explicando que o outro clínico “encontra-se de férias. Regressa na próxima semana” e espera “estabilizar, diminuindo as dificuldades e problemas” com o número de consultas de recurso.

Sérgio Oliveira nota não ser uma situação de Constância mas do País e considera que “a administração central deve tomar medidas de fundo até final do ano” para reduzir aquilo que designa como “um flagelo” nacional, caso contrário “2024 e 2025 serão anos muito maus”.

Para o autarca, sem soluções, ou seja, sem colocação de médicos de família no interior, “acentua as assimetrias entre o litoral e o interior sendo que Constância está a uma hora de Lisboa”, nota.

Defende por isso “a valorização da carreira médica na especialidade de saúde geral e familiar, ou um período em que os médicos têm de trabalhar exclusivamente para o Estado” ou havendo opção pelo privado os médicos “deverão indemnizar o Estado pelo investimento” realizado na sua formação. Ou ainda “abrir mais vagas” nas faculdades de Medicina, como “quer o governo e a Ordem dos Médicos não quer, dizendo não haver falta de médicos”, sublinha.

Para Sérgio Oliveira, que manifesta “preocupação” com a falta de médicos e “solidariedade com as populações”, tem de “haver uma solução. O cidadão não pode continuar sem cuidados médicos”.

O autarca reforça que “não defende a centralização dos serviços” querendo “em cada freguesia uma extensão de saúde a funcionar”.

Para já “não há alternativa” para os 1600 utentes de Santa Margarida da Coutada, a não ser recorrer ao Centro de Saúde de Constância. Admite dificultar “a questão da mobilidade, apesar de disponibilizarmos o transporte a pedido”, uma vez que a freguesia situa-se na margem Sul do Tejo e Constância na margem Norte.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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1 Comment

  1. Situação esta que deixou a minha mulher sem médico de família no 8° mês de gravidez. Neste momento estamos a lutar para tentar que um médico de recurso em constância nos passe para o Hospital, (que nos recusou marcar exames na urgência obstetricia), mas com 3 vagas diárias só as terças feiras, (não há prioridade para grávidas!!!), difícil saber o que vai ser o futuro sem exames pré-parto.

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