O combate ao sedentarismo, especialmente dos cidadãos mais idosos e vulneráveis, e a importância do hábito de praticar desporto, os projetos locais de exercício físico, o atrair os jovens para a prática desportiva e o que a atividade física pode significar em ganhos de saúde, particularmente numa idade mais avançada, foram os temas abordados no Fórum Saúde e Bem-Estar, que decorreu esta sexta-feira, em Constância, num seminário que integra o II Congresso do Desporto.
A conclusão foi clara: a importância do exercício físico para a promoção da saúde ao longo do ciclo da vida, até porque, segundo notou Jorge Heleno, o desporto em Portugal apresenta “um défice enorme em relação aos restantes países da União Europeia”. Ou seja, os portugueses mexem-se pouco.
O Congresso pretende contribuir para a discussão das questões atuais e emergentes referentes ao Desporto, onde se alia a saúde e o bem-estar da população, tal como aconteceu, em Constância.

O II Congresso do Desporto realiza-se no Entroncamento, em Abrantes, em Torres Novas e em Vila Nova da Barquinha, nos dias 27 e 28 de outubro de 2023.
Aos municípios fundadores da I edição, este ano juntam-se os Municípios de Alcanena, Constância e Mação que recebem três fóruns. No dia 29 de setembro decorreu o primeiro, em Alcanena, o segundo em Constância, esta sexta-feira, estando o terceiro agendado para 13 de outubro, em Mação.
Moderado por Sérgio Damásio, o Fórum Saúde e Bem-Estar teve, então, como oradores Jorge Heleno, Carlos Silvério e Telmo Costa e ainda contou com o técnico de Desporto do Município do Entroncamento Vítor Frutuoso e Luís Correia, técnico de Desporto do Município de Constância.
O Fórum, com uma plateia praticamente constituída por jovens, alunos do Agrupamento de Escolas de Constância, teve como objetivo principal sensibilizá-los para a prática desportiva, numa era em que os jovens passam grande parte do seu tempo em frente a ecrãs, designadamente de telemóvel, mexendo unicamente o polegar.
“O corpo foi feito (e bem) para haver dispêndio energético, para haver desgaste […] O nosso corpo precisa de gastar energia para a nossa máquina funcionar bem. Temos de incluir na nossa rotina diária um tempo para a atividade física”, referiu, por seu lado, Carlos Silvério, lembrando que o ser humano “de repente entrou na era industrial e dos telemóveis”.
“O corpo não mudou assim tanto, que é só o polegar que interessa. O corpo precisa de se movimentar. O movimento é a base para estar bem, não só físico mas também na saúde mental”, realçou.

Como disse Sérgio Damásio “os nossos jovens, como transpiram saúde, não têm noção como o desporto é essencial para a sua saúde a longo prazo”.
Antes de falar sobre as Federações e Associações e as formações disponibilizadas aos jovens em termos de ética, em prol da atividade física, Jorge Heleno, que considerou que “as Federações deveriam fazer muito mais”, referiu um estudo cientifico sobre o o impacto de estar muito tempo sentado no ser humano. A conclusão é “mexam-se pela vossa saúde, levantem-se”.
Defende que as Federações e Associações “devem atrair novos atletas. Atrair novos jovens, dos 6 aos 80 anos, para a atividade física” mas critica o facto da parte económica “estar em primeiro lugar”, ou seja, quanto maior for o número de atletas que as associações conseguirem atrair, maior é o valor dos subsídios monetários, notando a existência de “um ciclo vicioso”.
Telmo Costa também refere um estudo que leu há cerca de 30 anos quando frequentava a faculdade em que era referido que por cada dólar investido no desporto, o Estado iria recuperar 100 dólares na saúde.

Nos Municípios trabalha-se para tornar acessível o desporto às populações, em programas de acesso ao desporto desenvolvidos pelas autarquias. No Entroncamento são 16 as associações desportivas no ativo. Vítor Frutuoso falou sobre a sua experiência e do slogan dirigido aos mais velhos: “saia do sofá e mexa-se”.
Por seu lado, Luís Correia falou sobre a sua experiência no Município de Constância e na “complementaridade” entre os programas de desporto escolar e os disponibilizados pela autarquia durante os últimos 20 anos, que trabalha na Câmara Municipal.
Indicou igualmente os programas dirigidos aos seniores, sublinhando também que importa “ter bons hábitos. Mais desporto é sinal de mais saúde”.
Note-se que durante o Fórum foi salientado, por Telmo Costa, que “a alta competição não faz bem à saúde” dando conta dos múltiplos problemas, inclusive de lesões, que os atletas sofrem.
Por isso, numa mensagem final Jorge Heleno deixou aos jovens a ideia: “nunca percam o prazer de fazer desporto”. Enquanto Carlos Silvério alertou para não se focarem na imagem mas focarem-se em ser felizes, referindo-se às fotografias de pessoas de porte atlético que são publicadas nas revistas e até nas redes sociais, lembrou que aquelas imagens não traduzem a realidade uma vez que estão sujeitas a photoshop .
Ainda apelou à necessidade de socializar, sendo o desporto um veículo para estarmos juntos e não a distanciar-nos uns dos outros como acontece atualmente. Já Telmo Costa salientou a importância de ganhar hábitos desportivos na infância e na adolescência e desafiou a plateia a incentivar os pais para irem ao jardim ou andar de bicicleta.

Presente no Fórum, esteve o presidente da Câmara Municipal de Constância, Sérgio Oliveira, que abriu a sessão ressalvando “a importância que esta iniciativa tem” ao debater uma tema “atual” mas principalmente por colocar “a trabalhar um conjunto de municípios em prol de um objetivo comum”.
Informações sobre o programa, horários e oradores em https://congressododesporto.com/
