Autarca de Constância defende serviço obrigatório para médicos no Estado. Foto arquivo: Ricardo Escada7mediotejo.net

Depois de estar sem qualquer médico desde o dia 1 de abril, o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Médio Tejo conseguiu a contratação, a tempo parcial, de uma médica em regime de prestação de serviços, no dia 4 de maio, para a Extensão de Saúde de Santa Margarida da Coutada. Dois meses depois, saiu. A 4 de julho, o médico muda outra vez em Santa Margarida e o atendimento é reduzido a seis horas por semana.

Tal intermitência na prestação de cuidados de saúde causou a pergunta sobre a “situação de médico de família” em Santa Margarida da Coutada do vereador da CDU, Rui Ferreira, dando conta de utentes “irem à meia noite e cinco da manhã” para a porta do posto de saúde “à espera de vaga”. Sabendo que o executivo contactou a ARS de Lisboa e Vale do Tejo quis saber se já havia recebido uma resposta considerando a problemática “insustentável”.

ÁUDIO | VEREADOR DA CDU, RUI FERREIRA

Constância conta com dois médicos no Centro de Saúde da sede de concelho, que têm conseguido assegurar nos últimos tempos a prestação de cuidados às populações das freguesias de Constância e de Montalvo. O problema tem-se sentido de forma particular na freguesia de Santa Margarida, a localidade mais afastada da sede de concelho, dividida pelo rio Tejo, numa população envelhecida e com pouca mobilidade, contabilizando cerca de 1600 utentes.

Reunião de Câmara Municipal de Constância. Créditos: mediotejo.net

Em reunião de executivo, o presidente da Câmara confirma o atendimento “uma vez por semana, à terça-feira” e explica que “inicialmente o atendimento era por ordem de chegada e não por marcação” admitindo que “as pessoas foram para a porta [da Extensão de Saúde] à meia noite, para terem vez”.

Avançou ter falado com a diretora do ACES do Médio Tejo, Diana Leiria, “para que as consultas passassem a ser por marcação” e disse que “a médica em questão assegura entre 12 a 16 consultas por semana, 10 por marcação e haverá sempre 4 a 6 consultas que serão por ordem de chegada, para situações urgentes para as quais não seja indicada urgência hospitalar”.

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE CONSTÂNCIA, SÉRGIO OLIVEIRA

Uma situação que, segundo Sérgio Oliveira, “nos preocupa a todos. Infelizmente Constância não é diferente do panorama nacional”.

Garante, também, que esta semana contactou a diretora do ACES do Médio Tejo com o objetivo de “reforçar a prestação de cuidados de saúde” em Santa Margarida da Coutada. Em resposta Diana Leiria terá dito “não ter médico para reforçar”.

O autarca afirma, ainda, “continuar, junto das instituições competentes na matéria, a insistir para que as populações tenham melhores cuidados de saúde”.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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