Os tratadistas gastronómicos dividem as receitas culinárias em elemento principal, acompanhamentos e condimentos. Os condimentos podem ser (são) pedras (sal), sementes em grão e moídas, ervas, raízes, legumes, guarnições, fungos (cogumelos), líquidos, pastas, cremes e caramelizados.
Se formos ao Norte do País pode acontecer que a Mestra cozinheira não esteja familiarizada com o vocábulo, no entanto, se pronunciarmos tempero o caso muda de figura, pois o tempero para a senhora distingue perfeitamente o efeito nos alimentos do bom ou mau tempero, se é enjoativo, delicioso, picante, desenxabido, insosso, esturricado, mofado, aguado e demais palavras do acto de cozinhar.
O condimento ganhou carta de alforria em virtude do seu carácter englobante, totalitário, daí ter trespassado o muro do cru, cozido, podre e fermentado, passando a ser utilizado correntemente, pois o condimento tempera conversas, dá alento a projectos irreais e reais em todo o tipo de realidades, para lá de adubar as mentes de mulheres e homens de todas as etnias, credos e ideologias.
Não me canso de lembrar o notável bispo Dom António Alves Martins que dizia a religião quer-se como o sal na comida, nem demais, nem de menos, pois tudo que é demais é moléstia, adverte o rifoneiro.
Ora, levando em linha de conta a advertência do provérbio manda a prudência não abusarmos dos condimentos, especialmente no que tange à esfera política. É longa a lista de passamento para o limbo, purgatório, inferno e morte de políticos glutões cujo desaparecimento se verificou após lauta e funesta ingestão de condimentos insossos, salgados, secos, adubados, em vinagreta, numa receita de vingança servida fria. Os defuntos em contínua procissão de arrependimento, tal como a pandemia, provocam lástima, nojo e afastamento.
