Chuvas agravam infiltrações em casa no Crucifixo e expõem situação social complexa. Foto: mediotejo.net

Maria José Dias Gonçalves, 60 anos, vive na habitação com a filha, de 41, pagando 97 euros de renda. Descreve a casa como estando “em condições muito precárias”, com paredes escurecidas pela humidade, água a pingar na cozinha e um quarto cujo teto “parece poder cair a qualquer momento”, tendo já retirado os pertences daquela divisão.

“Já pedi ajuda ao senhorio, à Câmara, à junta. Toda a gente está informada, mas o problema continua. Eu estou assustada e preciso de ajuda”, afirmou ao nosso jornal, emocionada, referindo que a situação se tem vindo a degradar ao longo dos anos e que a chuva persistente das últimas semanas agravou as infiltrações.

Segundo a moradora, a proprietária reconheceu não ter capacidade financeira para realizar as obras necessárias. A família vive com cerca de 407 euros mensais, provenientes do rendimento social de inserção, enfrentando despesas com alimentação, serviços básicos e medicação, num contexto de fragilidade de saúde de ambas.

Contactada pelo mediotejo.net, a vereadora com o pelouro da Ação Social da Câmara Municipal de Abrantes, Raquel Olhicas, confirmou estar a par de “uma situação complexa” para a qual o município está a trabalhar no sentido de encontrar uma resposta.

Tendo em conta as condições de habitabilidade, os serviços sociais propuseram já uma solução habitacional fora do Crucifixo, que foi declinada pelas moradoras, verificando-se um impasse.

“Vamos continuar a trabalhar, em concertação com a Junta de Freguesia de Tramagal, com a proprietária do imóvel e com as duas moradoras para tentar encontrar uma solução”, afirmou a autarca, sublinhando o “apoio constante” prestado à família.

“A senhora alega problemas com a casa e preocupação com questões de saúde. Vamos falar com todos os envolvidos e continuar a trabalhar para tentar encontrar uma solução concertada e que resolva o problema”, acrescentou.

Também o presidente da Junta de Freguesia de Tramagal, António José Carvalho, disse conhecer o processo, que considerou “complexo”, e admitiu que a situação foi agravada pela precipitação dos últimos meses.

“É um exemplo daquilo que existe em todo o país, pessoas a viver sem habitação condigna. A intempérie pôs ainda mais em evidência os problemas da casa”, afirmou, explicando que se trata de um edifício com vários arrendatários e que as patologias estruturais não se limitam à fração onde vivem mãe e filha.

O autarca destacou que a intervenção pública tem limites por se tratar de um imóvel privado, mas defendeu a necessidade de uma resposta célere.

“Não são condições para se estar a viver. Talvez devesse encontrar-se uma solução de retaguarda, mesmo provisória, para permitir intervir e melhorar a condição habitacional”, considerou, reconhecendo, contudo, que a mudança de casa pode gerar insegurança para quem ali reside há vários anos.

A junta, acrescentou, tem procurado encaminhar o processo e articular com o município, numa tentativa de encontrar “alguma maneira de obviar ao mal-viver que ali está”, num problema social e habitacional que admite ser “complexo” e de resolução exigente.

No final, Maria José deixa um apelo simples: “Eu não quero prejudicar ninguém, só peço ajuda. Estou assustada e preciso de uma solução. Isto não é viver, é sobreviver”.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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