Ponte da Chamusca cortada ao trânsito devido às cheias que inundam a zona da Golegã. Foto: DR

“É preocupante”, disse o presidente da Comissão distrital da Proteção Civil de Santarém e da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, lembrando que “com várias estradas submersas ou interditas e a ponte da Chamusca encerrada, ficam muito poucas alternativas de travessia”, o que, afirmou, “torna urgente o reforço das infraestruturas e investimentos que há muito reclamamos para o Médio Tejo e a Lezíria”.

O encerramento da ponte da Chamusca, determinado naquinta-feira por falta de condições de circulação na EN243, no lado da Golegã, agravou os constrangimentos de mobilidade num distrito já afetado por cerca de uma centeca de estradas submersas, interditas ou condicionadas devido às cheias do Tejo.

A alternativa mais próxima indicada pelo município é a ponte da Praia do Ribatejo, em Constância, que assegura a ligação a Vila Nova da Barquinha, mas onde é proibida a circulação a veículos pesados, limitando fortemente o transporte de mercadorias e a mobilidade de serviços essenciais.

“A situação é crítica”, afirmou Valamatos, “porque quando uma travessia central como a Chamusca fica encerrada, as alternativas ficam muito distantes e inadequadas, complicando a mobilidade quotidiana, o transporte de mercadorias e a atuação dos serviços de emergência”.

Cheias expõem fragilidade da rede viária e travessias do Tejo no distrito de Santarém. Foto: Bernardo Ferreira

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

No distrito de Santarém existem apenas cinco travessias rodoviárias sobre o Tejo: a ponte de Abrantes, a ponte da Praia do Ribatejo (Constância), a ponte da Chamusca, a ponte D. Luís, em Santarém, e a ponte Salgueiro Maia, também em Santarém.

Estas travessias estão distribuídas ao longo de mais de 100 quilómetros de rio entre Abrantes e Santarém, sendo quase todas centenárias e com características desajustadas às necessidades atuais de mobilidade.

“São muito poucas e antigas as travessias sobre o Tejo no nosso distrito”, afirmou Valamatos, acrescentando que “quando alguma delas fica interrompida, como agora com a ponte da Chamusca, as alternativas ficam longe e limitadas, o que evidencia a necessidade urgente de novas infraestruturas que garantam mobilidade, economia e resposta a situações de emergência”.

Ponte sobre o Tejo, em Abrantes. Foto: mediotejo.net

Com a ponte da Chamusca cortada desde a madrugada de quinta-feira, sem previsão de reabertura, e a de Constância condicionada a veículos ligeiros, as alternativas viáveis passam, na prática, por Abrantes ou Santarém, obrigando a percursos longos num momento em que dezenas de vias permanecem intransitáveis em vários concelhos do distrito, situação que Valamatos disse ser “preocupante” e “reveladora de um problema estrutural há muito identificado”.

“Estamos numa situação caótica do ponto de vista da proteção civil, mas que também expõe algo que há muito reclamamos: a necessidade de investimento sério na rede viária do distrito”, afirmou.

Questionado sobre o impacto imediato, o responsável destacou as dificuldades acrescidas no socorro, na circulação de pessoas e no abastecimento.

“As pessoas chegam a fazer centenas de quilómetros para conseguir atravessar o Tejo. Isto cria enormes fragilidades na emergência, na saúde, na proteção civil e no transporte de bens”, disse.

Mau tempo: Estradas afetadas por submersões e interdições em 15 concelhos do distrito de Santarém. Foto: CMA

Sobre a oferta atual de travessias, Valamatos sublinhou que “são muito poucas e centenárias”, defendendo a necessidade de novas soluções e da concretização de infraestruturas previstas há décadas, como o IC9.

“Não era preciso chegarmos a este ponto para perceber a importância destes investimentos para a competitividade da região e para responder a situações de crise”, referiu.

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

Apesar de alguma melhoria nas últimas horas, Valamatos alertou que a situação nas estradas continua condicionada por derrocadas, queda de árvores e solos saturados, recomendando prudência e respeito pelas indicações da proteção civil.

“Estas ocorrências repetem-se com maior frequência e obrigam-nos a planear melhor. O distrito carece há muito destas infraestruturas por razões de coesão territorial, competitividade e segurança. É tempo de passar das promessas aos investimentos”, concluiu Valamatos.

Cheias expõem fragilidade da rede viária e travessias do Tejo no distrito de Santarém. Foto: Bernardo Ferreira

A Proteção Civil alerta para o risco de novas inundações, transbordos e instabilidade de vertentes, recomendando retirar bens de zonas inundáveis, proteger animais, evitar travessias de vias alagadas e seguir informações oficiais.

O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo foi ativado em nível amarelo no dia 24 de janeiro e elevado para alerta vermelho na quinta-feira, face ao agravamento dos caudais e risco extremo de inundações, segundo a Proteção Civil.

c/Lusa

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