Já arrancou mais uma edição daquele que é um dos eventos mais aguardados pelos tomarenses e que traz até à cidade de Tomar milhares visitantes para uma Feira que remonta ao século XVII. À semelhança de anos anteriores, o certame estende-se pelas margens do Nabão, culminando na Várzea Grande, até ao dia 27 de outubro.
A edição de 2024 da secular Feira de Santa Iria arrancou na tarde desta sexta-feira, tendo a inauguração acontecido nas instalações do Mercado Municipal, reunindo os membros do executivo, da assembleia municipal e demais convidados. Para o presidente da Câmara de Tomar, Hugo Cristóvão, trata-se de um evento que tem por base a “retoma das tradições” pelo que ainda hoje mantém algumas das características que a caracterizavam no passado.

“Era uma feira muito ligada ao mundo agrícola e com tudo o que isso significava, a Feira Franca Anual, não deixa de ter alguma remanescência disso, nomeadamente na Feira das Passas, também com alguns dos produtos que ainda se vendem. Mas depois também, com aquilo que a modernidade e que a nossa atualidade pede”, afirmou o edil.
A Feira de Santa Iria é hoje um certame “muito assente nas tasquinhas e nas associações locais que as promovem”, defende Hugo Cristóvão, bem como nos divertimentos “que são também já uma tradição da feira”. Também a animação musical passou a caracterizar o evento, procurando-se um “cartaz variado, que possa chegar a públicos diversos”.
À semelhança da edição anterior, o percurso iniciou-se com uma prova gastronómica realizada no âmbito da 23ª edição da mostra “Feijão com Todos”, que decorre até ao final do presente mês nos 17 restaurantes aderentes no concelho de Tomar.
Na ocasião, o autarca tomarense sublinhou a importância desta mostra gastronómica que procura dar a conhecer um pouco daquilo que os restaurantes têm para oferecer por estes dias a tomarenses e visitantes. Trata-se de uma iniciativa em que o feijão é rei, estando na base de dezenas de pratos e sobremesas que aliam a tradição à modernidade e dão a conhecer o que de melhor se produz no concelho.
Tradição também é já a habitual participação dos mais novos na Feira de Santa Iria, que este ano os levou “a pensar e a trabalhar um bocadinho sobre a Feira”, vincou o autarca.
“Todos os anos tentamos inovar um bocadinho para não se tornar repetitivo e este ano surgiu esta ideia que eu creio que ficou muito bem conseguida, de pôr as crianças a pensar um pouco de forma artística, mas na prática, aliando a um produto local que temos tentado também muito promover nestas últimas feiras”.
Os alunos das escolas do concelho foram, assim, desafiados a criar o rótulo para garrafas de vinho dos diversos produtores de Tomar, num projeto designado por “Vinhas D’Iria”.
“No fundo temos aqui uma garrafa que representa cada um dos produtores do nosso concelho com rótulo produzidos e pensados pelas crianças de Tomar”. Para Hugo Cristóvão, o trabalho “ficou magnífico”, sendo as garrafas comercializadas durante o decorrer da Feira.
Oficialmente abertas as “portas da Feira”, a comitiva partiu numa visita pelos setores do certame, dando as boas-vindas àqueles que participam pela primeira vez e saudando aqueles que são presença habitual no evento.
A feira que se realiza já há mais de quatro séculos estende-se por toda a cidade de Tomar. Das margens do rio Nabão, à rua dos Arcos que, por estes dias deu lugar à rua do Comércio e culminando na Várzea Grande, os visitantes têm à sua disposição o habitual parque de diversões, tasquinhas, artesanato, feira das passas, exposição de máquinas agrícolas, produtos locais e uma mostra associativa.
“Há 4 anos, se não estou em erro, passámos a desenvolver a feira aqui entre este terreiro do Mercado e a Várzea Grande, portanto, tendo aqui também o rio pelo meio a ligar este circuito dos vários espaços da Feira, que se fazem muito bem e é uma forma também de ligar a Feira ao espaço urbano”, disse Cristóvão.
Por estes dias, Tomar reveste-se de luz e de animação. Quem passa pela cidade não fica indiferente à música e ao “mar de cor” que se vive no recinto do Mercado Municipal, junto à ponte do Flecheiro, onde se encontra um vasto conjunto de carrosséis e diversões que prometem agradar a miúdos e graúdos.
A rua dos Arcos que, até dia 27 de outubro adotou a designação de rua do Comércio, tem artigos para agradar a todo o tipo de procura. Dos têxteis, às malas, passando pelo calçado, acessórios e comércio indiano, são dezenas os stands presentes no certame.
É junto à Várzea Grande que os visitantes encontram o mais variado artesanato. Do nacional ao africano, artigos produzidos localmente e de forma manual pelos artesãos que por estes dias terão os resultados das suas produções em destaque.
Sinónimo da Feira de Santa Iria é também a tradicional feira de frutos secos que dá a conhecer o que de melhor se produz pela região e no país. É na “Feira das Passas” que, para além dos figos secos, se podem comprar as castanhas, nozes, amêndoas, cajus, avelãs, etc. Além disso, comercializam-se ainda artigos de produção local e regional, como o mel e os licores.
Em frente ao Tribunal, no centro da grande praça, para além da exposição de viaturas e máquinas agrícolas, os visitantes podem ainda degustar todo o tipo de doces tradicionais e regionais. Este é também o ponto de encontro para as artes e ofícios, produtores locais e produtos de gastronomia como o queijo, os enchidos e o presunto. O aroma que se ente no ar não engana e para dar a conhecer as iguarias são também várias as tasquinhas espalhadas pelo recinto.
“Sem grandes inovações, temos este ano mais associações no passadiço, também na zona dos concertos, na Várzea Grande. Temos um bocadinho mais de associações locais, um bocadinho mais de Street food também, que é uma das apetências da atualidade”, afirma Hugo Cristóvão.
Quanto ao cartaz musical, o autarca sublinha a variedade de espetáculos que permitem agradar aos mais variados gostos, embora este ano seja “um bocadinho mais poupadinho”, defende.





Na noite desta sexta-feira acontece a atuação de Cláudia Martins & Minhotos Marotos (às 22h00), seguidos pelo DJ Curra. No sábado, dia 19, pelas 15h30, atuam o Rancho de Carregueiros e Pé na Música dos Brasões, no Convento de S. Francisco. A noite conta com a atuação dos “Para Sempre Marco” (22h15), seguidos pelo DJ Rokas.
No domingo, dia 20, acontece a missa na Igreja S. João Baptista (10h30), seguindo-se a procissão em honra da padroeira Santa Iria. Pelas 15h00 assinala-se o aniversário da Rádio Cidade de Tomar e uma Conferência na Igreja Santa Maria dos Olivais presidida pelo Patriarca Emérito de Lisboa Cardeal D. Manuel Clemente, inserida no Jubileu dos 50 anos da Diocese de Santarém (16h00).
Seguem-se, na segunda-feira, uma missa na Capela Stª Iria (10h00) e a atuação da Tuna, Coro, Danças e Zumba da Universidade Sénior de Tomar (21h00). Na terça, atua Nuno Ricky (14h30) no Convento S. Francisco, seguindo-se os Kapa Preta (21h00).
Na quarta feira tem lugar a atuação da Tuna Templária e Cavaleiras de Sellium e da Banda Réplika. A quinta-feira, dia 24 de outubro, contará com a atuação de SEDE (21h30) e na sexta dos FH5 (22h00) e do DJ Tiago.
No sábado atua o Rancho da Linhaceira e Desafinações (15h30) no Convento S. Francisco e o grande concerto da noite ficará a cargo de Diogo Piçarra (22h15), seguido pelo DJ Barral.
O programa da Feira de Santa Iria 2024 encerra no domingo, dia 27 de outubro, com a atuação da Banda Iria pelas 16h00.
Secular evento no concelho templário, a Feira de Santa Iria é uma das mais antigas da região e teve um papel preponderante, no passado, para garantir o abastecimento da população de produtos e materiais a que não conseguia aceder de outra forma. Hoje é completamente diferente o seu peso comercial, mas continua a ser um marco no calendário dos tomarenses.
A autarquia, nos últimos anos, tem vindo a adaptar o certame, quer na programação, quer na localização das diversas valências. Com um site próprio, em www.feirasantairia.pt é possível ver em detalhe toda a programação cultural, com muitas atividades a decorrerem em todos os dias da feira.
No que se refere às localizações, o recinto do Mercado acolhe o parque de diversões e as tasquinhas; no passadiço junto à Casa dos Cubos estarão os espaços de gastronomia e associativismo; na Rua dos Arcos, o comércio em geral; no estacionamento lateral do Palácio da Justiça, a nascente, a Feira das Passas; por trás do Tribunal, artesanato; em frente, automóveis e máquinas agrícolas; e na ampla praça da Várzea, além do palco principal, os produtos locais e regionais, street food e bares das coletividades.










































































