As redes sociais por vezes lembram-nos de coisas que aconteceram no passado. Já todos devem ter recebido notificações sobre publicações que fizeram há um ou dois anos. Hoje surgiu-me uma que achei que continua atual. Sempre oportuno. Frases feitas que explicam muito simples e rapidamente o que deve ser a intervenção social na comunidade, se efetivamente quisermos mudança.
Não ando nisto há muito tempo, mas os anos que já passaram são suficientes para já ter visto algumas coisas, ter aprendido com os erros e ter criado ideias, amadurecido conhecimento. Não podemos ser assistencialistas. De todo. É claro que existe uma fase na intervenção social que justifica o “darmos o peixe”, mas se depois não “ensinarmos a pescar” não valeu de nada ter dado o peixe, porque esse alguém nunca irá pescar.
Uma comunidade só muda se fizermos um esforço conjunto para isso. Se nos unirmos, traçarmos uma linha orientadora e caminharmos lado a lado. Não podemos continuar a olhar apenas para a nossa “capelinha”, e esquecer o trabalho articulado ou o respeito pelos procedimentos a cumprir. Se eu quero ser assistencialista e dar tudo, ou promover alguma iniciativa que não vai ajudar ninguém senão a mim mesmo, então não comprometo outras pessoas.
Não pratico ações que depois não conseguirei resolver e que terão de ser outros a fazê-lo. Isso não vai ajudar nada nem ninguém.
A falta de resposta sociais em algumas situações faz qualquer profissional “arrancar cabelos”, mas quando juntamos a isto o “chico espertismo” de outros, até roemos as unhas.
A comunidade não compreende muitas vezes este tipo de desabafos, e interpreta o cumprimento do procedimentos e uma tentativa de apoiar as pessoas a resolver os problemas, mas não a resolver o problema por elas, como uma recusa no apoio ou uma má vontade. Desde a minha formação que fui preparada para “ensinar a pescar”. Mais que isso, os meus pais e a vida ensinaram-me a trabalhar para conseguir chegar lá. O caminho mais fácil não costuma resolver os problemas, ou pelo menos a solução não será duradoura.
Com tudo isto, não quero apenas carpir mágoas sobre as dificuldades do dia-a-dia. Ninguém me disse que isto ia ser fácil.
Quero apenas alertar os leitores para os apoios que dão às entidades que entendem. Que reflitam sobre o que significa o seu contributo. Para que vai servir. Quem vai ajudar. O que vai mudar na sua comunidade. Não basta apoiar só porque sim. A justiça social cabe a todos nós.
Doutra forma, mais que não seja, quando chegar a hora, todos ajustamos contas com o Criador. Talvez uns mais que outros.
