O futuro da antiga Escola Primária de Mouriscas está nas mãos da ADIMO – Associação de Desenvolvimento Integrado de Mouriscas, Junta de Freguesia, associações e restante comunidade mourisquense. Ainda sem conceito e ideias aprovadas para o novo projeto, a Câmara Municipal de Abrantes compromete-se a assumir a elaboração do projeto de requalificação daquele grande edifício, propriedade municipal, que tem estado inutilizado, demonstrando crescentes sinais de degradação.
A ADIMO e a Câmara Municipal de Abrantes chegaram “a um princípio de entendimento”, com a autarquia a assumir a elaboração do projeto de requalificação do edifício depois de também serem auscultadas as associações e a Junta de Freguesia de Mouriscas.
Após a receção de uma petição e abaixo-assinado subscritos por cerca de 700 mourisquenses, que anseiam a recuperação da antiga Escola Primária da localidade, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, reuniu no dia 27 de outubro com representantes da ADIMO – Associação de Desenvolvimento Integrado de Mouriscas para debater a requalificação da antiga escola primária desta localidade, sendo que a reunião foi solicitada pela associação em causa. Refira-se que a antiga escola se encontra cedida a esta coletividade desde 2012, que no passado chegou a ser responsável pela intenção e por um projeto para requalificar este edificado, mas tal caiu por terra.
O presidente da Câmara de Abrantes lembrou que foi assinado um protocolo entre a ADIMO e o município com intuito de proceder à requalificação da antiga escola primária, “inclusivamente duas candidaturas foram aprovadas, mas depois não houve condições para perseguir o objetivo, não se criou na altura condições para isso”, acrescentando que “não é importante o porquê da não concretização dessa intervenção na altura”.
“O projeto de requalificação está completamente desajustado no tempo, entretanto o edifício foi sofrendo maiores fragilidades. Aquilo que é o nosso compromisso neste momento é olhar para o projeto, repensar o projeto em função daquilo que nós solicitámos à ADIMO que pudesse, com a junta de freguesia, considerar. Olhar para a freguesia com as diferentes instituições e reunir uma ideia-chave, base, capaz de nos comprometer com nova visão de projeto de arquitetura, capaz de responder às necessidades da comunidade”, frisou o edil em reunião de Câmara de terça-feira, dia 31 de outubro.
“É este o compromisso com a ADIMO; não encerrámos compromisso nenhum, pelo contrário. A ADIMO mostra-se viva e com energia bastante para agarrar este processo, e nos ajudar a objetivar e materializar a recuperação do edifício”, enquadrou.

Manuel Jorge Valamatos explicou que “a comunidade terá que se manifestar e identificar e perceber o caminho para onde temos de ir, e cá estaremos para agarrar o projeto, quer em processo de candidatura encontrar mecanismos de financiamento para aquela recuperação”.
Sobre esta questão, na passada reunião de executivo camarário, também o vereador Vasco Damas (ALTERNATIVAcom) fez abordagem às declarações dadas à comunicação social pelo autarca Manuel Jorge Valamatos quanto à petição pública que reivindica a importância da requalificação da antiga escola primária.
“Também ficámos muito satisfeitos com a satisfação do Sr. Presidente, uma vez que tem por hábito desvalorizar a cidadania livre e participativa, inclusive desde mesmo movimento de cidadãos de Mouriscas. Sabemos que já teve algumas conversas e fez algumas reuniões, e esperamos que cumpra a sua palavra de resolver definitivamente o problema da antiga escola primária de Mouriscas”, começou por referir o vereador da oposição.
“Não está, ou não deverá estar, a fazer nenhum favor a ninguém, mas apenas a fazer o que lhe compete por Abrantes, e que na nossa opinião devia pedir desculpa aos mourisquenses em particular, e aos abrantinos em geral, pelo abandono a que votou e continua a votar durante demasiados anos esta e outras jóias do nosso património municipal, como é o caso do edifício histórico do Mercado Municipal de Abrantes”, atirou Vasco Damas.
Por seu turno, o autarca socialista Manuel Jorge Valamatos disse que cumpre “sempre” a sua palavra, tendo assumido “que não consegue controlar tudo e todos e que nem sempre aquilo que gostaríamos de concretizar acontece”.
“Eu cumpro a minha palavra relativamente à Escola de Mouriscas e relativamente a todas as outras coisas, desde que haja condições para o fazer, como é evidente. Porque eu não sou dono de tudo, nem sou sequer dono da Câmara Municipal (…) Eu represento as pessoas, mas não sou o dono da Câmara Municipal (…) orientamos as nossas ações e as nossas decisões de acordo com regras, normas e com a lei”, começou por responder.
Por outro lado, o edil assume que não foi prioridade até ao momento a requalificação daquele edifício. “Há muito tempo que achamos que a Escola deve merecer uma intervenção, só que a questão é que não conseguimos fazer tudo ao mesmo tempo e em todo o lado. Mesmo esta semana em que reuni com a ADIMO assumo, por isso não peço desculpa, perante a comunidade, os mourisquenses e os abrantinos, que não foi prioridade a requalificação da antiga escola primária”, tendo acrescentado que outros projetos mereceram essa prioridade, caso das obras de requalificação do Cine-Teatro São Pedro, da Escola de Alvega, da Escola de Tramagal e a USF para a zona norte do concelho, a creche municipal, a Estratégia Local de Habitação. “Tudo isso foi prioritário”, indagou.
“Eu não tenho de pedir desculpa. Eu tenho de fazer sentir aos cidadãos abrantinos esta confiança; e de forma honesta, não foi prioridade a recuperação e requalificação da antiga primária de Mouriscas porque não conseguimos fazer tudo e em todo o lado e nem sempre temos oportunidade de fundos comunitários para todos os projetos. Há medida que vamos fechando projetos, vamos avançando para outros. E a antiga Escola de Mouriscas, a seu tempo, terá o seu momento”, concluiu.

Perante os novos desenvolvimentos, a ADIMO, segundo o edil abrantino, “ficou com a responsabilidade de liderar o processo de requalificação”, crendo que a coletividade demonstra ser capaz de “fazer ressuscitar o dinamismo dentro da comunidade para que se construa um layout, uma ideia para um projeto”.
“Nós não fazemos projetos sem perceber o que é queremos para aquela edifício”, deixou advertência, sublinhando uma vez mais as fragilidades trazidas pela degradação intensificada pelo passar do tempo.

Bom dia , o meu nome é Vítor Pereira ,nascido e criado em mouriscas, e tendo como escola primária aquela que no momento padece de uma enfermidade enorme, e que a cada dia que passa mais se transforma em agonia permanente levando quase com toda certeza a uma morte por demais anunciada.
Quando alguém com o cargo de presidente da câmara municipal, chuta pra canto o edificio que foi em tempos passados uma escola de ensino, por onde passaram tantos professores e professoras, que com todo o seu empenho e dedicação deram o melhor em prol da identidade mourisquence, alguns, senão a maior parte que já não se encontra entre nós , veriam hoje com bons olhos hoje, a casa onde ensinaram bons e menos bons alunos a serem pelo menos homens e mulheres mais sabedores daquilo que a vida é . Quando o Sr. presidente da câmara municipal diz que passou para a autarquia de Mouriscas a responsabilidade do projeto, está com toda a certeza a dizer que, ou.fazem vocês a recuperação ou a câmara municipal não vai empenhar nenhum valor para esse fim.
Caros mourisquenses, a vida ensina cada um de nós a ler nas entrelinhas da vida, neste caso nas entrelinhas políticas.
Custa admitir, mas a morte é um desígnio, e que tudo que nasce morre, pena é que o funeral pode sair mais caro que o retorno a vida.
Sucesso pra a Associação que se move pra contrariar esse desígnio .