Campeã nacional! Patrícia Sampaio reafirma domínio mundial em -78 kg. Foto arquivo:: Alex Gottschalk/DeFodi Images via Getty Images

A Câmara Municipal de Tomar vai atribuir o nome de Patrícia Sampaio ao até então Pavilhão Municipal Cidade de Tomar. A decisão foi aprovada por unanimidade na reunião desta manhã, tendo por objetivo homenagear a judoca que conseguiu “o maior feito de sempre do desporto tomarense” ao conquistar a medalha de bronze na categoria -78 kg dos Jogos Olímpicos de Paris.

Durante a sessão, o presidente da autarquia tomarense, Hugo Cristóvão (PS), afirmou que homenagear a judoca de Tomar é “comemorar um feito notável” e torná-lo num exemplo para a comunidade de Tomar.

“Mais do que honrar a vitória que a Patrícia conquistou, honrar qualquer modalidade desportiva ou desporto sequer é, acima de tudo, usá-la como exemplo. Até porque acredito que as homenagens devem ser feitas quando a comunidade ainda se lembra porque é que elas são feitas e não anos depois”, defendeu.

A homenagem feita à atleta – através da atribuição do seu nome ao pavilhão municipal – procura ser um exemplo de “trabalho, dedicação, superação, mas também de humildade, dádiva e ligação à comunidade”, considerou Hugo Cristóvão.

“Este ato, que entendo que é criticável, obviamente, como todos o são, só faria sentido num dos pavilhões municipais, independentemente de saber que são várias as modalidades, mais até do que o judo, que são praticadas neste pavilhão”.

Ainda durante a sua intervenção, o autarca afirmou que a conquista de uma medalha olímpica pela atleta tomarense é um feito “notável”, sendo uma “honra para nós e para a comunidade poder ostentar este facto em um dos nossos edifícios”.

Pavilhão Municipal Cidade de Tomar. Foto: CMT

O vereador Luís Francisco, da bancada do PSD, afirmou que “o pavilhão ter um nome penso que é algo razoável”, mostrando a sua satisfação e orgulho com a vitória de Patrícia Sampaio, tendo defendido que a mesma deverá ser utilizada como exemplo par estimular a atividade desportiva.

“Quando falamos de estruturas, como é o caso do pavilhão, quando pensamos em atribuir nomes, penso que deveremos, contrariamente ao que o senhor presidente disse, que era no momento, eu penso que às vezes há que dar um tempo para que saiamos da emoção do momento e, com alguma serenidade, ligando com alguma estratégia de apoio ao desporto e com esse objetivo pedagógico, incentivar os jovens e as pessoas à prática desportiva, atribuirmos o nome A ou B”, referiu.

Acrescentando “nada ter contra a atribuição do nome”, Luís Francisco falou numa oportunidade “um bocadinho forçada”.

“Penso que dar algum tempo daria alguma vantagem de ponderação e de não ser assim uma coisa de oportunidade que parece-me ser de evitar. Mais tarde então, dentro de alguma lógica estratégica de apoio e incentivo ao desporto, então atribuir este nome e outros a outros pavilhões. Nesse sentido, parece-me que seria de fazer mais tarde e não agora”, concluiu.

Hugo Cristóvão vincou não existir emoção, mas sim “muita racionalidade” da sua parte na tomada de decisão. “Tenho a certeza que se fosse hoje ou daqui a 10 anos, continuaria a achar que a decisão era a certa porque, de facto, é algo notável”.

“Como disse, que honra é para nós, para a comunidade, poder ostentar num dos seus edifícios o nome de alguém que atingiu uma medalha olímpica. Quantos gostariam de o fazer e não podem ou em alguns casos até o têm, não sendo os atletas da sua comunidade”, concluiu.

Recorde-se que o município já antes homenageara a atleta com a atribuição da Medalha Municipal de Valor Desportivo, em 2019 e a Medalha de Honra do Município, em 2020, sendo até hoje a única personalidade duas vezes distinguida nas cerimónias comemorativas do Dia de Tomar.

“Nascida nesta cidade em 1999, Patrícia Sampaio desde cedo descobriu no judo o grande objetivo da sua vida, à medida que acompanhava o percurso do irmão mais velho, Igor, que era atleta na Sociedade Filarmónica Gualdim Pais. Nenhum deles sabia ainda que também ela percorreria os mesmos passos no tatami, e viria ele próprio a ser seu treinador”, destaca a autarquia.

“Mas quando Patrícia iniciou a prática da modalidade, começou a intuir-se a sua grande qualidade e determinação, que lhe foram dando títulos nacionais nas diversas categoriais. Enquanto júnior, foi bicampeã europeia e medalha de bronze nos mundiais. Conquistaria igualmente o título europeu de sub-23”.

A pandemia e algumas lesões tornaram mais difícil o seu percurso nos anos em que iniciou a carreira sénior. Ainda assim foi uma das representantes portuguesas nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

“Resiliente e determinada, regressou aos Jogos em 2024, em Paris, com uma vontade de vencer que só esbarrou naquela que viria a ser a campeã olímpica. Com uma atitude quase felina, conquistou a medalha de bronze e tornou-se um dos ícones da delegação portuguesa. A seguir, conquistou os portugueses com a sua enorme simpatia. E ainda teve direito a ser porta-estandarte de Portugal na cerimónia de encerramento”, acrescenta a autarquia em nota divulgada.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *