A Caima e a AeoniQ, empresas do Grupo Altri, vão apresentar o “Projeto Filamento” este sábado, 28 de fevereiro, no Cineteatro de Constância, numa sessão aberta ao público, a partir das 15h00. Trata-se de uma iniciativa inovadora a nível internacional, que oferece uma alternativa circular e livre de plásticos, replicando o desempenho das fibras sintéticas, como o nylon e o poliéster, mas sem os impactos ambientais negativos destes materiais – será, aliás, o primeiro filamento celulósico biodegradável com impacto climático positivo, garante a empresa, o que poderá ser um marco transformador para a indústria têxtil global.
A produção industrial deste novo tipo de fio têxtil deverá iniciar-se em Constância ainda em 2026, com uma capacidade inicial de 1.750 toneladas por ano.
Este filamento celulósico é totalmente biodegradável em ambiente marinho, solo, água doce e compostagem industrial, que obtive as certificações TÜV Áustria (país onde uma fábrica esteve a produzir este fio em teste-piloto) e OEKO‑TEX® (uma marca registada de Ecologia Têxtil).
O novo material, explica a Altri, destaca‑se pela “elasticidade natural, suavidade, resistência e capacidade de texturização, adequando‑se a uma vasta gama de utilizações, desde lingerie e vestuário de trabalho até calçado, têxteis‑lar, vestuário médico e interiores automóveis”. O processo de produção é semelhante ao de outras fibras produzidas a partir de celulose, como o liocel e a viscose, mas com características mais atrativas e maior sustentabilidade ambiental.

A Altri decidi apostar neste setor com a compra no ano passado de uma posição maioritária da AeoniQ, uma spin-off da tecnológica suíça HeiQ Materials, que começou a produzir este tipo de fios para o sector têxtil, testados com grande sucesso em coleções especiais limitadas para grandes marcas, como a Hugo Boss.
Este negócio foi crucial para a nova estratégia da empresa portuguesa, de investimento em materiais de nova geração, como explicou então José Soares de Pina, CEO da Altri. O mercado de fibras solúveis tem um valor estimado de seis mil milhões de euros, com a procura global liderada pela Ásia, e é uma oportunidade única para converter unidades de transformação de madeira em pasta de papel em unidades com uma menor pegada ambiental.
O “Projeto Filamento” prevê a integração vertical da fibra de eucalipto até ao fio acabado, e posteriormente irá ainda incorporar matérias-primas recicladas como resíduos têxteis de algodão, resíduos agrícolas e celulose bacteriana derivada de desperdícios alimentares.
Além da unidade industrial em Constância, a Altri anunciou já a intenção de converter a fábrica de Vila Velha de Ródão (Biotek) também para a produção de fio têxtil, num investimento de 75 milhões de euros. Além disso, tem projetada a construção na Galiza de um mega-projeto com capacidade de produção de 400 mil toneladas de fibras solúveis por ano (liocel), num investimento de mil milhões de euros.
Com 138 anos de história, a Caima diz que volta a afirmar com esta iniciativa a sua “trajetória de inovação e redução de impactos ambientais”, recordando que a unidade industrial situada em Constância foi “a primeira do setor na Península Ibérica a operar totalmente sem recurso a energia proveniente de combustíveis fósseis”.
