A freguesia de Asseiceira, no concelho de Tomar, voltou a ser palco de uma imersão na tradição cerâmica com um workshop prático dedicado à execução de talhas e às técnicas ancestrais de olaria. A iniciativa decorreu na Olaria do Zé Miguel – Casa das Talhas, nos dias 17 e 18 de janeiro, com cerca de uma dezena de participantes que descobriram, ou redescobriram, o valor de trabalhar o barro com as mãos.
Orientado pelos mestres José Miguel Figueiredo e João Pinto da Costa, o workshop explorou várias técnicas artesanais, com destaque para a tradicional modelação com rolo usada nas famosas talhas de Asseiceira, assim como práticas na olaria de roda e métodos inspirados em tradições antigas.
A abordagem foi essencialmente prática, convidando os presentes a “sentir” o barro e a experimentar um saber-fazer que percorre séculos.




“O objetivo era termos oito participantes, conseguimos superar, e foi muito bom porque ao longo dos dois dias as pessoas tiveram a oportunidade de ter contacto com o barro, uma aprendizagem da técnica de modulação das talhas da Asseiceira… alguns vão querer repetir e dar continuidade”, explicou João Pinto da Costa ao mediotejo.net, destacando a satisfação dos participantes e a motivação para futuros encontros.
O dinamizador reforçou que a iniciativa pretende também impedir que esta tradição desapareça.
“Queremos que as pessoas comecem a sentir-se atraídas por esta técnica de modelação… e que venham ver se encontramos realmente alguém que queira dar continuidade a esta atividade, porque se não houver seguidores, acaba por morrer aqui nesta geração”, sublinhou.




A olaria de Asseiceira está entre as poucas — se não únicas — onde ainda se mantém vivo este ofício artesanal, ligado à produção de grandes talhas de barro vermelho, tradicionalmente utilizadas para armazenar vinho e azeite.
O saber-fazer tem raízes profundas na história local, com relatos de produção contínua há cerca de três séculos, e tem merecido atenção institucional, com propostas para classificar o fabrico das talhas como Património Cultural Imaterial.




Entre mãos, barro e saberes antigos, a esperança dos artesãos é que atividades como este workshop não sejam apenas eventos isolados, mas sim passos firmes na preservação e transmissão de uma tradição que representa não só uma técnica ancestral, mas também a identidade cultural da comunidade de Asseiceira.
