O município de Vila Nova da Barquinha promoveu nos dias 4, 5 e 6 de julho, no parque ribeirinho, o evento “As Invasões Francesas e as Populações do Riba Tejo – Recriação Histórica”, evocando um dos períodos mais dramáticos e marcantes da história de Portugal: as Invasões Francesas. Ao longo de três dias, o público pôde assistir a recriações de combates, bailes oitocentistas, treinos militares abertos, oficinas didáticas e cerimónias evocativas, num ambiente imersivo e acessível a todas as idades.
Com encenação a cargo do Grupo de Recriação Histórica de Condeixa (GREHC), em parceria com a Associação Napoleónica Portuguesa (ANP), esta iniciativa transportou os visitantes para o início do século XIX, recriando episódios e ambientes do tempo das Guerras Peninsulares, numa homenagem sentida ao esforço, sofrimento e resistência das populações portuguesas, e essencialmente as barquinhenses, entre os anos de 1807 a 1814.





Mais do que um espetáculo histórico, o evento pretendeu ser um espaço de reencontro com o passado, partilha de conhecimento e tributo à comunidade que resistiu à guerra e à ocupação, um momento decisivo em que Portugal, entre o poder marítimo britânico e a hegemonia continental francesa, viu devastado o seu território e profundamente afetada a sua população – mais de 200 mil mortos num país com apenas 2,8 milhões de habitantes.
No concelho da Barquinha houve lutas, assassinatos, guerrilhas e resfregas. A documentação histórica é abundante. Tão relevantes foram os acontecimentos que mereceram a investigação do Coronel de Engenharia Garcez Teixeira e do antigo Secretário da Administração do Concelho da Barquinha, Júlio Sousa e Costa, autor do mítico livro “A Severa”. Foram também publicados no periódico “Serões de Tancos”, no jornal “O Moitense” e no jornal “O Entroncamento”.





Sobre as Invasões francesas muitos relatos estão publicados: “Um tesouro de ferro”; “O tesouro da Moita”; “A tragédia de Tancos”; “Um fuzilamento na Ponte da Pedra”; “Um drama na Barquinha”; “Uma execução na Praia”; “O Caixeiro de Punhete”; “Ginot na Moita”; “Um guerreiro da Moita”; “Um baile na Capela da Moita”; “O moinho de vento da Moita”; “A Moita, terra mártir”; “Uma execução na Praia do Ribatejo”; “Efemérides da Moita” ; “A estalajadeira da Praia do Ribatejo”; “Uma mulher da Moita”; “O Zé Guerrilheiro”; “O Mata Franceses”, etc.
Ainda se fala na Moita do célebre guerrilheiro, Madrugo. Na Atalaia os registos matriciais apontam para o local dos Mortais, localizado nas urbanizações da encosta da capela lado sul, que segundo relatos orais foi o local onde foram sepultados muitos franceses.





O evento juntou durante três dias centenas de figurantes em recriações de combates, bailes oitocentistas, treinos militares abertos, oficinas didáticas e cerimónias evocativas.
Fotos: José Paulo Marques
