Créditos: Vasco Estrela

O autarca maçaense expôs na rede social Facebook a situação, com cópia das cartas anónimas enviadas a diversas pessoas do concelho, bem como a autarquias vizinhas, caso de Vila de Rei e Proença-a-Nova.

“Foram enviadas cartas para o concelho de Mação, e não só, com estas afirmações atentatórias do meu bom nome e do António Louro.
Lamento, não por mim pessoalmente, mas pela minha família, e em particular pelos meus filhos.
De nada vale rebater, a estes cobardes ignorantes, as ofensas que escreveram.
Não é a primeira vez que sou alvo deste “ataques” anónimos e, provavelmente, não será a última…
O caso será remetido às Autoridades competentes.
Na verdade,
O anonimato é, mesmo, a única arma dos cobardes”

Facebook / Vasco Estrela

Em entrevista ao mediotejo.net, mostrou-se visivelmente incomodado pelo sucedido, referindo ser “filho, marido e pai” e que esta situação o perturba pessoalmente e a toda a família.

Ainda para mais quando esta não é a primeira vez que Vasco Estrela é visado num atentado anónimo por escrito, sendo que o último sucedeu na aldeia de Queixoperra, a 1 de dezembro de 2019, onde encontrou no pára-brisas do seu automóvel um bilhete, escrito à mão, que continha uma ameaça de morte entre múltiplas ofensas pessoais. Também aqui o edil fez queixa junto das autoridades e divulgou publicamente o sucedido.

ÁUDIO | Entrevista a Vasco Estrela, presidente da CM Mação, sobre estas cartas anónimas e um outro episódio similar em 2019

As cartas seguiram de Beja, por correio, para diversos empresários e juntas de freguesias do concelho de Mação e até de autarquias de concelhos vizinhos, indicando Vasco Estrela que, por curiosidade, todos os empresários que receberam a carta anónima têm publicidade no jornal maçaense “Voz da Minha Terra”.

Diz que se quer “dar a entender que há umas negociatas” e que os autarcas querem ser “os donos disto tudo” e que “há uma caça ao subsídio”.

Vasco Estrela fala num “conjunto de barbaridades e de coisas com pouco nexo e realmente um pouco estúpidas, provavelmente de acordo com aquilo que é a caraterística da pessoa ou das pessoas que escreveram as cartas”, que puseram em causa a “honorabilidade” dos dois visados.

“É algo que não pode ficar sem resposta, no sentido de eu ter de dar a única resposta que num estado de direito tem que ser dada, que é recorrer às autoridades para que seja apurado quem foi o autor deste ato tão inqualificável”, acrescentou, dando conta da participação à GNR e que agora se aguardará o que resulta da queixa feita.

“Lamento que as pessoas utilizem estas armas para denegrir outros, titulares de cargos públicos, eleitos legítima e democraticamente pelos cidadãos… lamento que sejam cobardes e que não tenham coragem de dar a cara e chamar aqueles nomes publicamente, porque aí sim, as pessoas na cara o diriam e nós depois agiríamos em conformidade e depois no local próprio, em tribunais, teriam a obrigação de comprovar aquilo que ali escreveram. Isso é que seriam homens ou mulheres sérios/as, com coragem e não cobardolas que se escondem atrás de umas cartas anónimas, sem capacidade de argumentação relativamente ao assunto em causa e somente com a política do bota-abaixo”, prosseguiu, lembrando que no seu discurso oficial durante a Feira Mostra de Mação deste ano foi bastante exigente e frontal deixando mensagem aos proprietários florestais e comunidade em geral para que aderissem ao trabalho que está a ser desenvolvido sobre a sustentabilidade da floresta.

Quanto ao processo das Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP), o teor das cartas anónimas endereçadas e sobre as quais versam as acusações e ofensas aos autarcas de Mação, está em andamento para se avançar com a submissão de OIGP – ou seja, a forma como o projeto se implementará, na prática, no terreno – , e decorreram diversas sessões descentralizadas nas freguesias para sensibilização e esclarecimento dos proprietários florestais sobre este projeto.

António Louro, vice-presidente da autarquia maçaense, tem defendido um modelo idêntico para o território de Mação há várias décadas. Agora o Governo abriu a possibilidade de avançar com esta nova forma de olhar e gerir o território e a paisagem, num estratégia nacional, e entende o responsável pela Proteção Civil que a implementação das nove AIGP é um “momento histórico” para o futuro do concelho e mudar o rumo da floresta.

As AIGP incidem sobre “grandes propostas de alteração da paisagem e da forma de gestão que se pretendem para o território do concelho de Mação, de modo a inverter este ciclo catastrófico de grandes incêndios florestais”, já havia referido Louro ao nosso jornal.

De referir que as AIGP visam “uma abordagem territorial integrada para dar resposta à necessidade de ordenamento e gestão da paisagem”, ao passo que “procuram um aumento da área florestal gerida a uma escala que promova a resiliência aos incêndios, a valorização do capital natural e a promoção da economia rural”.

Recorde-se que, em agosto de 2021, Mação assinou contratos-programa com o Governo para a criação de nove Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP). Quatro foram submetidas pelo Município de Mação e cinco pela Aflomação.

“Os projetos preveem a gestão de 20 mil hectares conforme a estratégia que vem sendo defendida há mais de uma década pelo nosso Município, no sentido de dar novo sentido e aproveitamento à floresta, modificando a paisagem e trabalhando para mudar a realidade que são os fogos florestais de grande intensidade e que, entre 2017 e 2019, fustigaram mais de 80% do concelho de Mação”, informou a autarquia em comunicado.

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Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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