O contrato para a construção das infraestruturas primárias da Barragem do Pisão, no Crato, foi assinado esta semana, prevendo um investimento a rondar os 65 milhões de euros, num dia considerado “histórico” para o Alto Alentejo. A CIMAA sublinha que este projeto “é o mais avultado” investimento inscrito no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com uma dotação de “aproximadamente 141 milhões de euros” e “mais 10 milhões de euros” previstos no Orçamento do Estado.
Hugo Hilário, presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), afirma que foi “um privilégio participar, enquanto presidente da CIMAA, num dia histórico. Orgulhoso e consciente de tamanha responsabilidade, assinei, em nome da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, o contrato para a Construção das Infraestruturas Primárias do Empreendimento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato, no valor de 65 milhões de Euros. Agradeço e sem reservas, a todos os que têm contribuído para que este desejo dos alto-alentejanos seja hoje uma inequívoca realidade”, declarou.
“Pois é, vai haver Pisão!”, começou por escrever Hugo Hilário, numa publicação na sua página pessoal. O autarca, que preside à CIMAA e à Câmara de Ponte de Sor, registou a importância do momento, salientou o percurso trilhado até à assinatura deste contrato, e fez os devidos reconhecimentos para alcançar um objetivo comum em termos de visão do desenvolvimento da região.
“Sou grato a tantos e, principalmente, a todos os meus colegas Presidentes de Câmara do nosso distrito, por terem sempre confiado no Presidente da CIMAA e na sua estrutura técnica, administrativa e operacional, reiterando que todos e sem exceção, deram provas de que com um compromisso, empenho e competência inexcedíveis, ultrapassaram todas as expectativas, até mesmo as do mais céticos, as dos que sem explicação ou fundamento, nunca quiseram que realizássemos algo que vai mudar para muito melhor a vida dos nossos”, afirmou.
“Este é um investimento estruturante e indutor de crescimento que vai contribuir para que o futuro do nosso Alto Alentejo e das suas gentes seja mais esperançoso e cheio de oportunidades. Este projeto alterará profundamente a nossa dinâmica de desenvolvimento e todo este árduo e complexo processo, deverá ser encarado como um estímulo a todos os cidadãos, entidades públicas, responsáveis políticos e agentes do território. Valerá sempre a pena lutar por aquilo em que acreditamos, lutar pela nossa terra, pelas nossas gentes, pelo nosso Alto Alentejo! Mãos à obra!”, concluiu.

A construção das infraestruturas primárias do Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato (EAHFMC), também conhecido por Barragem do Pisão, foi atribuído a um consórcio ibérico – ‘Agrupamento FCC Construcción e Alberto Couto Alves’ – pelo valor de 64,99 milhões de euros, segundo a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA).
Em comunicado, a CIMAA sublinha que este projeto “é o mais avultado” investimento inscrito no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com uma dotação de “aproximadamente 141 milhões de euros” e “mais 10 milhões de euros” previstos no Orçamento do Estado.
“A sua concretização permitirá garantir de forma sustentada o abastecimento público de água, o estabelecimento de novas áreas de regadio e a produção de energia a partir de fontes renováveis, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento económico da região” e, neste contexto, tendo “um profundo impacto positivo na qualidade de vida da população”, lê-se no comunicado.
O projeto do Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato “é o mais avultado” investimento inscrito no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com uma dotação de aproximadamente 141 milhões de euros, aos quais há que somar 10 milhões de euros inscritos no Orçamento do Estado.
O EAHFM do Crato vai inundar uma área de 726 hectares e contará com uma altura máxima de 54 metros, tendo uma capacidade de armazenamento da albufeira de 118,2 hectómetros cúbicos. A albufeira vai surgir numa área de 10.000 hectares, ficando submersa a aldeia de Pisão, que atualmente conta com cerca de 70 moradores e 110 casas.
A rede de rega vai abranger 5. 494 hectares, distribuídos por três blocos de rega: Crato (654 hectares), Alter do Chão (3.145 hectares) e Fronteira e Avis (1.695 hectares).
O projeto prevê ainda uma central fotovoltaica terrestre e uma central fotovoltaica flutuante, que deverão envolver um investimento total superior a 132 milhões de euros, verba que não está inscrita no PRR.
Contrato para obras da Barragem do Pisão tem “significativa importância”- Governo
O secretário de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional considerou um “momento de significativa importância” a assinatura do contrato de construção das infraestruturas primárias da Barragem do Pisão, no concelho de Crato.
“Não se trata apenas de um momento de significativa importância para o Município do Crato, para o distrito de Portalegre, para a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA) ou para a região do Alentejo”, mas sim “para o país e para a Europa e para esta nossa aldeia global a que chamamos mundo”, disse Hélder Reis.
O governante, que falava na assinatura do contrato para a construção das infraestruturas primárias do Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato (EAHFMC), também conhecido por Barragem do Pisão, destacou a importância do projeto.
“Esta barragem não será apenas uma estrutura para armazenamento de água, ela desempenhará um papel crucial em várias áreas complementares ao abastecimento”, sublinhou o secretário de Estado.
Para Hélder Reis, o projeto da Barragem do Pisão, cuja execução é da responsabilidade da CIMAA, é um “grandioso” empreendimento que “a todos deve orgulhar”.
Durante a cerimónia, realizada no Crato, em que foi revelado que a construção das infraestruturas primárias, adjudicada a um consórcio ibérico e orçada em 64,99 milhões de euros, tem de estar concluída “no final de 2026”.
O presidente da Câmara do Crato, Joaquim Diogo, alertou que a “prioridade” de todos os envolvidos neste projeto a partir desta altura passa para a construção da nova aldeia de Pisão.
A localidade vai ficar “submersa pelo caudal da barragem, mas muito rapidamente apresentaremos um ‘masterplan’ [planeamento] de uma nova aldeia do Pisão, desenhada a partir dos contributos da população”, disse o autarca.
Já o presidente da CIMAA, Hugo Hilário, destacou que a barragem vai permitir “reforçar e garantir” o abastecimento de água em nove dos 15 concelhos do distrito de Portalegre, assegurar o regadio a “mais de cinco mil hectares” e possibilitar a produção de “cerca de 60%” da energia dos consumos necessários do Alto Alentejo.

c/LUSA
