O vereador do Partido Socialista, Ricardo Antunes, levou à última reunião do executivo municipal do Entroncamento várias preocupações relacionadas com o aumento de animais errantes no concelho, alertando para situações de risco sanitário e para a necessidade de reforçar medidas de controlo e bem-estar animal.
Durante a sua intervenção, o autarca referiu a existência de “matilhas” de cães na cidade, ainda que tenha clarificado tratar-se de grupos relativamente pequenos, com três a quatro animais, que circulam livremente. Sublinhou que, nesta época do ano, a situação pode agravar-se devido à reprodução e alertou para sinais de doença em alguns desses animais.
Ricardo Antunes chamou ainda a atenção para o aumento significativo da população de gatos, sobretudo na zona do Bonito, associando este fenómeno não apenas à reprodução das colónias existentes, mas também ao abandono.
Segundo o vereador, há indícios de que alguns destes gatos apresentam comportamentos típicos de animais domésticos, sendo dóceis e habituados ao contacto humano, o que reforça a suspeita de abandono.
O socialista recordou que o município já tinha reforçado verbas para fazer face aos custos do canil intermunicipal e questionou se este está a dar resposta tanto a cães como a gatos, nomeadamente aqueles que não se enquadram no conceito de animais assilvestrados.
No âmbito do controlo populacional, destacou a importância da continuidade do programa CED (Captura, Esterilização e Devolução), questionando se as esterilizações continuam a ser realizadas de forma consistente. Referiu também a existência de um protocolo com uma associação local que, em 2024, permitiu a aquisição de vários abrigos para colónias de gatos, apontando, no entanto, que o número então adquirido (cerca de seis) ficou aquém das necessidades identificadas no concelho.
Nesse sentido, quis saber se estão previstas novas aquisições, salientando que outros municípios, como Constância, já adotaram soluções que considera mais adequadas e melhor integradas no espaço urbano. O vereador sublinhou que estes equipamentos são importantes para garantir condições de higiene e salubridade.
Em resposta, o presidente da Câmara, Nelson Cunha (Chega), reconheceu a complexidade do problema, classificando-o como uma questão de âmbito intermunicipal. O autarca explicou que o canil intermunicipal atingiu a sua capacidade máxima e que, até ao momento, nenhum município da região conseguiu dar resposta eficaz à situação.
Nelson Cunha adiantou que está prevista uma reunião em Alcanena para procurar soluções conjuntas, sublinhando a necessidade de consenso entre os vários municípios envolvidos, no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.
Entretanto, o município irá notificar proprietários de terrenos privados onde foram identificados animais, exigindo a sua retirada. Quanto às colónias de gatos legalizadas, referiu que continuam abrangidas pelo programa estabelecido com a “Abraços de 4 Patas”, a Associação de Proteção e Bem-Estar Animal do Entroncamento, e que as esterilizações têm sido realizadas de forma contínua.
O presidente destacou ainda a colaboração com a PSP, que tem vindo a autuar situações de incumprimento, nomeadamente a falta de identificação dos animais. Relativamente às matilhas, garantiu que estas têm sido capturadas sempre que surgem.
Por fim, Nelson Cunha reconheceu que o abandono de animais em vários pontos do concelho tem aumentado a pressão sobre o canil intermunicipal, assegurando, no entanto, que o município está empenhado em fazer o melhor possível com os meios disponíveis, reiterando que o tema continuará a ser debatido a nível intermunicipal.
