Alviobeira celebrou o papel da mulher com tertúlia e exposição de "estátuas vivas". Foto: Zé Paulo Marques

A Escola Primária e o Museu Rural e Etnográfico de Alviobeira (MREA) foram palco, no passado domingo, da II edição da exposição “Não Nasci Para Me Calar”, uma iniciativa que cruzou o debate sobre o papel da mulher na sociedade com a representação histórica de personalidades femininas.

O evento, que decorreu entre as 15h15 e as 17h15, arrancou com uma tertúlia na antiga escola primária. Sob moderação de Manuela Santos, diretora técnica do Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira (RFEA), o painel contou com a participação da docente e investigadora Eunice Lopes, da farmacêutica Marlene Lopes e da jornalista Elsa Ribeiro Gonçalves.

Alviobeira celebrou o papel da mulher com tertúlia e exposição de “estátuas vivas”. Foto: Zé Paulo Marques

Em declarações ao mediotejo.net, Manuela Santos explicou que a iniciativa nasce de uma parceria entre o Rancho e o Museu, impulsionada por Diogo Santos.

“É um pouco falar do papel da mulher na sociedade, na cultura, em várias áreas”, afirmou a responsável, destacando a importância de repetir o formato após o sucesso do ano anterior.

Após o debate, o público foi convidado a visitar o museu, onde o grupo de folclore apresentou “estátuas vivas” representando mulheres que marcaram a história em diversos setores.

Manuela Santos , diretora técnica do Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira (RFEA). Foto: Zé Paulo Marques

ÁUDIO | MANUELA SANTOS, RANCHO FOLCLÓRICO DE ALVIOBEIRA:

Figura central da cultura local e fundadora do RFEA há 37 anos, Manuela Santos – conhecida como “Nela” – aproveitou a ocasião para defender a sua visão de um folclore ativo e interventivo.

“Se nós não nos reinventarmos, torna-se muito difícil manter no futuro e no presente este grupo”, sublinhou, rejeitando a ideia de que o folclore se deva limitar a ensaios semanais.

Para a dirigente, o volume de atividades é o que impede a comunidade de “envelhecer parada”. “O trabalho é a alma deste rancho. É uma forma de manter viva uma comunidade que, se não fossem estas atividades, começaria a dar valor a coisas que nada acrescentam às pessoas nem a esta aldeia”.

Com o evento de março concluído, as atenções viram-se agora para o 37.º aniversário do Rancho de Alviobeira, que ocupará todos os fins de semana de abril.

O Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira celebra o seu 38.º Aniversário com um programa dedicado ao tema “Caminhos da Migração e Emigração”. Durante todo o mês de abril, estará patente a exposição “Memórias da Emigração”.

As atividades pontuais arrancam no dia 12 de abril com o evento gastronómico “Abril Sopas Mil”. Segue-se, a 18 de abril, o Festival de Folclore e as celebrações culminam a 24 de abril com a Gala de Aniversário, subordinada ao título “Travessias”.

A programação de abril incluirá ainda a exposição “Caminhos da Saudade”, que aprofunda a temática das migrações, reforçando o compromisso do grupo na recolha e preservação da identidade etnográfica da região.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Natural e residente na freguesia de Sabacheira, Tomar, militar na reforma, amante da arte da fotografia, gosta de retratar atividades culturais e desportivas para fazer a sua divulgação, colaborando com vários meios na imprensa local. É um amante inveterado dos animais, da natureza, do silêncio e da leitura.

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