A paisagem que hoje descortinamos da ilha de Almourol, no concelho de Vila Nova da Barquinha, a paz da massa de água que ali o Tejo retém, a paisagem ripícola e arbórea do local, mormente a nascente – Praia do Ribatejo – onde coexistem uma pluralidade de fauna e flora, o olhar majestoso da lezíria com uma vista soberba sobre Tancos, o horizonte penumbrado ao longe do Castelo da Quinta da Cardiga, a altivez das muralhas da fortaleza brotando de entre colossais blocos graníticos, a ilha toda coberta de vegetação, o rio serpeando em sua volta, remete-nos para uma terceira dimensão e para um cenário de romantismo único em Portugal.
“Embora as imagens de edifícios portugueses publicadas nos periódicos nacionais não tivessem especial apetência para criar enquadramentos “pitorescos”, existiram modelos que efetivamente os recriaram e foram repetidos, nalgum casos inúmeras vezes, destacando-se as representações do palácio da Pena (aludindo às representações românticas alemãs pelo dramatismo imposto na implantação do conjunto edificado) e o castelo de Almourol (remetendo para as representações românticas inglesas, onde edifício e natureza conviviam harmoniosamente).” 1
Certo é Almourol, (re) construído por Gualdim Pais em 1171, pela harmonia do conjunto edificado e pela sua natureza envolvente foi pintado, desenhado, fotografado e narrado em muitos romances, contos e lendas.
Símbolo maior é a sua torre de menagem. Suprema, dominadora e afrontosa no meio da ilha. Este modelo de torre trazido pelos templários da Terra Santa bem como a sua balsa ou pendão que cintila no mastro mais alto desta evocam os seus grandiosos feitos. A cruz patesca acima da porta vivifica o símbolo adotado pelos templários e sela o acordo eterno entre a Ordem do Templo, depois de Cristo, e Almourol.
Nos seus adarves e passagens da ronda, em noites de luar, vislumbram-se as claras capas dos guerreiros templários que se mantêm em vigília eterna.
Por ali permanecem seres errantes com setas e bestas certeiras para o comum dos mortais. As sombras estão em guarda imortal ao tesouro dos templários que se encontra enterrado nas entranhas da ilha.
Salgueiros frondosos, urzes, choupos descarnados e piteiras retorcidas trajam de verde confundindo-se em noite de breu com guerreiros, seres errantes ou almas perdidas.
Tudo isto, e muito mais, concorre para a grandeza temporal e intemporal deste lugar.
Fomos à procura de imagens românticas e antigas e vamos partilhá-las com os leitores.























BIBLIOGRAFIA:
1 SANTOS, Joaquim Manuel Rodrigues, Dissertação de Mestrado, “Este antigo castelo tinha recordações de glória – A imagem do castelo medieval na imprensa periódica ilustrada em Portugal no século XIX”. Faculdade de Ciências e Tecnologia Universidade de Coimbra, Vol. I.
GANDRA, Manuel J. Almourol na cultura popular e na literatura. Roteiro da exposição / 22.10.2021 – 2022

Bela compilação! ou coleção!!