Isaias Newton (1838-1921) – The Castle of Almourol (1874; óleo s/tela; 635 x 985 mm) [PVV].

A paisagem que hoje descortinamos da ilha de Almourol, no concelho de Vila Nova da Barquinha, a paz da massa de água que ali o Tejo retém, a paisagem ripícola e arbórea do local, mormente a nascente – Praia do Ribatejo – onde coexistem uma pluralidade de fauna e flora, o olhar majestoso da lezíria com uma vista soberba sobre Tancos, o horizonte penumbrado ao longe do Castelo da Quinta da Cardiga, a altivez das muralhas da fortaleza brotando de entre colossais blocos graníticos, a ilha toda coberta de vegetação, o rio serpeando em sua volta, remete-nos para uma terceira dimensão e para um cenário de romantismo único em Portugal.

“Embora as imagens de edifícios portugueses publicadas nos periódicos nacionais não tivessem especial apetência para criar enquadramentos “pitorescos”, existiram modelos que efetivamente os recriaram e foram repetidos, nalgum casos inúmeras vezes, destacando-se as representações do palácio da Pena (aludindo às representações românticas alemãs pelo dramatismo imposto na implantação do conjunto edificado) e o castelo de Almourol (remetendo para as representações românticas inglesas, onde edifício e natureza conviviam harmoniosamente).” 1

Certo é Almourol, (re) construído por Gualdim Pais em 1171, pela harmonia do conjunto edificado e pela sua natureza envolvente foi pintado, desenhado, fotografado e narrado em muitos romances, contos e lendas.

Símbolo maior é a sua torre de menagem. Suprema, dominadora e afrontosa no meio da ilha. Este modelo de torre trazido pelos templários da Terra Santa bem como a sua balsa ou pendão que cintila no mastro mais alto desta evocam os seus grandiosos feitos. A cruz patesca acima da porta vivifica o símbolo adotado pelos templários e sela o acordo eterno entre a Ordem do Templo, depois de Cristo, e Almourol.

Nos seus adarves e passagens da ronda, em noites de luar, vislumbram-se as claras capas dos guerreiros templários que se mantêm em vigília eterna.

Por ali permanecem seres errantes com setas e bestas certeiras para o comum dos mortais.  As sombras estão em guarda imortal ao tesouro dos templários que se encontra enterrado nas entranhas da ilha. 

Salgueiros frondosos, urzes, choupos descarnados e piteiras retorcidas trajam de verde confundindo-se em noite de breu com guerreiros, seres errantes ou almas perdidas. 

Tudo isto, e muito mais, concorre para a grandeza temporal e intemporal deste lugar.

Fomos à procura de imagens românticas e antigas e vamos partilhá-las com os leitores.

Castelo de Almourol (A Ilustração, nr4, vol2, 1846, p. 61)
The Vale of Tancos in Portugal (1809), Robert Ker Porter. in Letters from Portugal and Spain written during the march of thr british troops under Sir John Moore (Londres, 1809) [ilustra a carta n. VI, remetida de Abrantes, a 7 Novembro 1808]
Coronel Andrew Leith (c. 1810), in A Narrative of the Peninsular War (Londres, 1839)
Castillo de Almorolo – Isidoro Salcedo y Echevarria (c. 1870)
Conde de Melo (1801-1865) – Ruinas do Castello d’Almorol, sobre o Tejo Litografia de Franco (Lisboa, c. 1830?) [BN: E 987 V]
M. José Júlio Guerra (1852)
Postal ilustrado, Madrid –  Castelo de Almourol (1883) E. Casanova
J. Pedroso (1823-1890) – Castelo de Almourol (desenho de I. Newton, a partir de foto de Carlos Relvas, in Ocidente, n. 722, 20, Jan. 1899, p. 12
Roque Gameiro – Castelo de Almourol (aguarela, in Chagas Franco e João Soares, Quadros da História de Portugal, Lisboa, 1917, p. 4
Lenda de Dom Ramiro – autor desconhecido
Sunny Portugal (inicio séc. XX) Roque Gameiro – Capa do primeiro Guia Oficial de Turismo publicado pela Repartição de Turismo do Ministério do Fomento
Fotografia de Henriques Nunes – 1868
“A narrative of the Peninsular War”. Sir Andrew Leith-Hay, London, 1839
Travels through Portugal and Spain, during the Peninsular War” de William Graham, Ed.  Bridge Street, Londres, 1820
Castelo de Almourol. 1862 – DGPC
Carlos Relvas – 1878-1880 – Espólio da Casa Estúdio
Carlos Relvas – 1878-1880 – Espólio da Casa Estúdio
Sargento-mor Eng. José Carvalho – Castelo de Almourol in Carta Geografica da Provincia da Estremadura (c. 1777-1780)
IBM – Album Pitoresco, ou  as Recordações das Minhas  Viagens (Lisboa, 1847)
Universo Illustrado (1877)
[PNA: Sala Saxe] Pintura inserida num medalhão da sanca, desta dependência que constituía a antecâmara dos aposentos privados (quarto de dormir) de D. Maria Pia
João Cristino da Silva (1829-1877) – [Castelo de Almourol] Óleo sobre tela (320 x 585 mm), assinado  Cristino [Banco de Portugal, Lisboa]
Aguarela – Roque Gameiro

BIBLIOGRAFIA:

1 SANTOS, Joaquim Manuel Rodrigues, Dissertação de Mestrado, “Este antigo castelo tinha recordações de glória – A imagem do castelo medieval na imprensa periódica ilustrada em Portugal no século XIX”. Faculdade de Ciências e Tecnologia Universidade de Coimbra, Vol. I.

GANDRA, Manuel J. Almourol na cultura popular e na literatura. Roteiro da exposição / 22.10.2021 – 2022

Fernando Freire, advogado de formação, é investigador da História Local e presidiu à Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha entre 2013 e 2025.

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