Alerta máximo para cheias no Tejo com militares e botes pré-posicionados no Médio Tejo. Foto: Exército

No âmbito dos alertas para possíveis inundações, o Exército Português tem estado a realizar ações de reconhecimento no rio Tejo e no Zêzere, nos concelhos de Constância e Vila Nova da Barquinha, para identificar pontos seguros de entrada e saída de embarcações, numa operação destinada a reforçar a capacidade de resposta em cenário de cheias.

A iniciativa decorre no âmbito do apoio às autoridades civis e surge num contexto em que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) colocou todo o país em estado de prontidão especial nível 4, o mais elevado, devido à previsão de chuva persistente, vento forte e solos já saturados após a depressão Kristin.

As Forças Armadas têm 30 botes e respetivas equipas pré-posicionados em zonas de risco severo nos rios Douro, Mondego, Tejo e Vouga, preparados para operações de busca, salvamento e evacuação de populações em áreas ribeirinhas.

No distrito de Santarém, o dispositivo militar está distribuído por seis municípios: Tomar, Ferreira do Zêzere, Ourém, Constância, Vila Nova da Barquinha e Abrantes, com equipas de engenharia, limpeza e desobstrução, módulos de energia e iluminação, patrulhas de vigilância e meios anfíbios em prontidão, no apoio aos efeitos da passagem da tempestade Kristin e, agora, da depressão Joseph.

Segundo dados divulgados pelo Estado-Maior-General das Forças Armadas, desde quarta-feira foram empenhados 1.975 militares, apoiados por 356 viaturas, 32 máquinas de engenharia, 13 geradores e equipamentos de comunicações de emergência, estando ainda disponíveis helicópteros, uma aeronave C-130, camas e capacidade alimentar para apoio às populações.

Entre as bacias hidrográficas que mais preocupam está a do Tejo, onde estão a ser pré-posicionados meios de socorro, incluindo embarcações e equipamentos de bombagem de alta capacidade, face ao risco de cheias rápidas e inundações urbanas. Às 18:00, os caudais registados eram de 985 m³/s em Castelo de Bode, 222 m³/s em Pracana e 1.810 m³/s em Fratel (total de 3.017 m³/s), enquanto em Almourol o caudal atingia os 3.450 m³/s.

Alerta máximo para cheias no Tejo com militares e botes pré-posicionados no Médio Tejo. Foto: Exército

De acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), para esta terça-feira existe potencial de inundações fluviais em vários municípios ribeirinhos do distrito de Santarém na bacia do Tejo: Abrantes, Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Constância, Coruche, Entroncamento, Gavião, Golegã, Mação, Salvaterra de Magos, Santarém e Vila Nova da Barquinha, estendendo-se ainda o alerta a Vila Franca de Xira.

No rio Sorraia, Coruche e Benavente surgem igualmente identificados com risco de inundações.

A APA indica ainda que o risco se mantém elevado para quarta e quinta-feira, voltando a abranger os mesmos municípios, numa altura em que a capacidade de absorção dos solos está já muito reduzida.

O comandante nacional de emergência e proteção civil, Mário Silvestre, alertou que, com os solos encharcados, qualquer saída do rio do leito normal pode originar escoamentos rápidos e perigosos, sobretudo em zonas ribeirinhas historicamente vulneráveis.

Também o presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém, Manuel Jorge Valamatos, classificou a situação no Médio Tejo como “uma simbiose perfeita de calamidade”, conjugando os efeitos da tempestade anterior com a nova previsão de pluviosidade intensa e subida dos caudais.

A Proteção Civil apelou às populações para evitarem a circulação junto às margens do Tejo e outras linhas de água, não atravessarem zonas inundadas e garantirem a desobstrução dos sistemas de escoamento pluvial, além de cuidados redobrados junto de árvores e estruturas fragilizadas pelo temporal recente.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *