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Foi perante mais de uma cinquentena de pessoas, entre familiares, amigos e ex-companheiros de vida autárquica, que Joaquim Pereira Henriques foi homenageado pelos seus 100 anos de longevidade. O centenário daquele que foi o primeiro presidente de Câmara eleito após o 25 de abril foi assinalado com a sessão “Vamos para Servir”, na qual foi também apresentado o prémio municipal para fazer perdurar o nome do ex-autarca na história do concelho.

Depois de uma primeira intervenção por parte de Tereza Sampainho (Cidadãos por Alcanena), presidente da Assembleia Municipal, a cerimónia, que decorreu no salão nobre da Câmara Municipal na quarta-feira, dia 16 de março, contou com as palavras de Jorge Henriques e Francisco Henriques, filho e neto do homenageado, que falaram sobre aspetos mais humanos de Joaquim Henriques.

Francisco Henriques, agradecendo a todos aqueles que participaram na homenagem ao seu pai, pediu ainda que a homenagem fosse mais extensiva, e o acompanhassem num agradecimento a todos aqueles que, em 1976, numa “democracia incipiente, ousaram avançar para uma experiência nova e democrática neste país”, e que lançaram e construíram as bases do poder local e das 308 autarquias portuguesas.

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Após Moisés Morgado, que serviu como presidente da Junta de Freguesia de Minde e como vereador da Câmara Municipal de Alcanena, relembrar a altura conturbada pós-25 de abril em que serviu a par de Joaquim Henriques, foi Rui Anastácio (Cidadãos por Alcanena), atual presidente da autarquia, quem tomou a palavra.

Começando por afirmar que, embora a opinião pública que se tem enraizado, a maioria dos autarcas do país são “gente muito séria, muito honesta e muito empenhada nas suas funções” e muitas vezes “pouco respeitada nas suas funções”, considerando Rui Anastácio que é dever de todos “respeitar estes cargos, para que os melhores não sejam afastados nem se sintam mal nestes ambientes. E é de pessoas e exemplos, como o de Joaquim Pereira Henriques, que nós precisamos, porque eles podem e devem orientar-nos no futuro”.

“Honrar os nossos antepassados” deve ser uma grande preocupação na atualidade, conforme disse o atual presidente da Câmara, que afirmou que essa preocupação vai ser procurada por este executivo através da revitalização de alguns espaços municipais, como a praça Marechal Carmona, referindo ainda que um conjunto de imóveis na zona entre a igreja e a rodoviária vão ser requalificados.

Atual presidente da Câmara, Rui Anastácio, e Joaquim Henriques, primeiro presidente eleito após o 25 de abril. Foto: mediotejo.net

Tanto Rui Anastácio como Tereza Sampainho colocaram como desafio a revitalização do jornal alcanenense “O Alviela”, um “desafio que temos todos entre mãos”, disse o presidente da Câmara Municipal.

Já a vereadora Marlene Carvalho (Cidadãos por Alcanena), foi a responsável pela apresentação do Prémio Joaquim Pereira Henriques. Conforme explicou a edil, o prémio trata-se de uma distinção que pretende galardoar trabalhos de investigação ou dissertações académicas inéditas sobre um tema de relevância no âmbito da história do concelho de Alcanena e do poder local, despertando e valorizando desta forma o interesse pela história e vida do concelho de Alcanena. 

“Muito nos apraz poder prolongar no tempo e na história do concelho o seu exemplo de serviço e missão cívica através de um prémio vocacionado para o aprofundamento da reflexão do estudo e da investigação sobre a autarquia, e sobretudo que o seu exemplo possa contagiar aqueles que serão o futuro do nosso território”, disse a vereadora detentora do pelouro da educação e cultura.

Foram várias as pessoas que marcaram presença na sessão de homenagem. Foto: mediotejo.net

Os vencedores deste prémio agora criado receberão um valor pecuniário a atribuir pelo município, bem como a atribuição de um troféu e a publicação da obra. 

Joaquim Henriques falou depois largamente – mas de forma sucinta, onde pudessem caber 100 anos de história – sobre a sua vida e o seu percurso, desde os seus primeiros anos de vida e as dificuldades que atravessou, até aos anos que dedicou à vida autárquica. 

“Dez por cento da minha vida está dentro desta casa, dentro destes gabinetes e destes corredores, procurando servir da melhor maneira o povo do nosso concelho”, disse o ex-autarca.

A sessão contou depois com um bolo de aniversário, cujas velas foram sopradas por Joaquim Henriques, pela 100ª vez na sua vida.

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Quando questionado, o primeiro presidente eleito democraticamente em Alcanena disse considerar que o concelho “tem estado em retroatividade em relação ao que já foi”, mas que isso é mal geral no país.

Joaquim Pereira Henriques foi presidente da Câmara de Alcanena em dois mandatos, 1976-1980 e 1983-1986, tendo também exercido um mandato como vereador, representando o Partido Socialista.

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Rafael Ascensão

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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4 Comentários

  1. O Jornal “ALVIELA” é propriedade da Fábrica da Igreja de Alcanena pelo que não deve ser aproveitado pelos políticos para propaganda política o que seria de mau gosto ou para arranjar emprego para alguns.

  2. Então, assim, em estado comatoso, se não em paragem cardíaca irreversível, é que o jornal está bem…?

  3. O Jornal é da Igreja não de políticos com interesses em arranjar empregos e sem bases religiosas como bem sabes.

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