Um grupo largo de sócios e apoiantes do Atlético Clube Alcanenense dirigiu-se na segunda-feira, 16 de julho, à reunião camarária de Alcanena para manifestar a sua vontade de que a equipa júnior inicie os seus treinos no Estádio Municipal esta terça-feira, 17 de julho, contrariando assim a ordem de encerramento do relvado e balneários – com o objetivo de se procederem a obras de requalificação – da Câmara Municipal. Segundo os presentes, o relvado está em condições e não há qualquer plano objetivo de obras a breve prazo por parte do município, pelo que nada indica que sejam concretizadas esta época. Os ânimos exaltaram-se, com acusações de ambas as partes, terminando com o grupo a abandonar a sessão garantindo que há treino esta terça-feira, pelas 19h30. Pelo meio não faltariam comentários de que toda a situação se deve a uma birra pessoal da presidente da Câmara, Fernanda Asseiceira.
É um braço de ferro que granjeia argumentos de ambas as partes. Facto: o Estádio Municipal Joaquim Maria Baptista, estrutura com perto de meio século, encontra-se fortemente degradado (desde os balneários, bancadas, vedação, passando pelas condições do próprio relvado) e a precisar urgentemente de obras de requalificação. Os trabalhos são exigidos há muito, tendo o atual executivo socialista prometido realizar obras, não obstante Fernanda Asseiceira também tenha apontado a utilização abusiva que o estádio ttem sofrido.
Acresce porém que a estrutura foi construída com base na ajuda do Atlético Alcanenense, que contribuiu com dinheiro e nas negociações, tendo-se tornado, em consequência, o utilizador prioritário e privilegiado do equipamento. A memória da luta empreendida nos anos 60 não morreu, sendo muitos dos que estiveram envolvidos nesse esforço de afirmação, numa época em que o clube atingia bons resultados, os que mais têm contestado a decisão, dita “unilateral”, de encerrar completamente o campo para obras.

Em reunião camarária de 19 de março o executivo camarário aprovou por maioria (os dois vereadores dos Cidadãos por Alcanena votaram, respetivamente, contra e com abstenção) encerrar o Estádio Municipal depois do fim da época para que se procedessem às prometidas obras de requalificação. O Atlético Alcanenense não gostou de não se ter discutido o tema com o clube antes de tomada a decisão final, decidindo em assembleia-geral propor que a obra de requalificação fosse faseada, apoiando-se a equipa em contentores instalados para substituir os balneários.
Na mesma assembleia foi criada uma Comissão para mediar as negociações com o município, a qual tem como porta-voz Herculano Gonçalves. O responsável foi o primeiro a intervir na reunião de câmara desta segunda-feira, constatando que, não obstante o encerramento do Estádio, as obras não começaram, não se prevê que comecem em breve e o relvado está em condições de receber treinos. Referiria assim que a equipa júnior vai iniciar os seus treinos no campo.
As observações foram partilhadas pelo presidente do Atlético Alcanenense, José Torcato, e vários sócios presentes, inclusive o que detém o número 1, Joaquim Ramalho. Manifestou-se o desejo pelas obras de requalificação, mas também a vontade de permanecer num espaço que há muito lhes é caro, apontando-se a má vontade do município em todo o processo. Observou-se ainda que embora o Estádio esteja em princípio encerrado, as portas continuam abertas, com outras atividades a decorrer.
A ausência de Fernanda Asseiceira da sessão foi objeto de reparo pelos presentes. Em seu lugar, a vice-presidente Maria João Gomez e o vereador Hugo Santarém (PS) frisaram a necessidade urgente de obras, as notificações da própria Federação Portuguesa de Futebol de que o relvado não reúne condições, frisando-se que se está a pensar sobretudo na segurança. Enquanto o Estádio estiver encerrado, o Atlético Alcanenense pode utilizar o espaço da Escola de Futebol do Concelho de Alcanena (EFCA), em Bugalhos.
As várias justificações do executivo socialista porém não agradaram, com alguns sócios a abandonarem logo a sessão. No calor da discussão não faltaram referências ao papel de Fernanda Asseiceira no caso, especulando-se que se trata de uma birra pessoal da presidente com o clube. “Não há aqui personalização nenhuma”, defenderia Hugo Santarém, “há um estádio que precisa de obras”. Mas para José Torcato, presidente do clube, “quem lidera não quer fazer parte da solução”.
O debate ocupou a maior parte da reunião, com manifesta frustração e cansaço expressada por ambas as partes na discussão, esgrimindo-se argumentos sem se chegar a consenso. Após sair da reunião, Herculano Gonçalves garantiu ao mediotejo.net que os júniores vão treinar no Estádio Municipal esta terça-feira, pelas 19h30, à revelia da decisão municipal.
“Estamos perante um executivo que não toma decisões”, comentou, não se manifestando surpreendido com o resultado da reunião. “Há aqui uma manifesta má vontade por parte da Câmara para com esta coletividade”.
O mediotejo.net pediu ainda uma declaração ao vereador do desporto, Hugo Santarém, sobre o sucedido na reunião, mas o autarca preferiu não fazer mais comentários sobre o caso. Afirmou porém que o encerramento do Estádio se mantém, estando apenas disponível a utilização da pista de atletismo.
