Em Tomar, a par dos trabalhos de desobstrução de vias, limpeza e reparação de telhados, a principal preocupação mantém-se ao nível do restabelecimento da energia elétrica e, por consequência, do abastecimento de água, afirmou o presidente da Câmara, Tiago Carrão.
“Essa tem sido a principal preocupação, sobretudo a reposição da energia elétrica, porque a falta de água resulta da ausência de eletricidade nas estações elevatórias. Até ontem tínhamos freguesias completamente às escuras, mas entretanto o fornecimento começou a ser restabelecido”, afirmou.
O autarca adiantou que ainda existem “muitas pessoas, ruas, até na própria cidade” sem eletricidade, sublinhando que “já é quase uma semana sem energia elétrica”, o que levanta várias dificuldades às populações e empresas.
“Esta noite registou-se um progresso significativo, o que nos deixa confiantes de que nos próximos dias a situação esteja totalmente normalizada”, disse.
Carrão apontou uma segunda preocupação imediata: os próximos dias de chuva e vento, numa altura em que existem “centenas de telhados danificados por todo o concelho”, património afetado e árvores fragilizadas.

A situação do rio Nabão está igualmente sob vigilância. “Temos estado a acompanhar de perto o nível de água no Agroal, que é a nossa referência. Até agora tem sido gerível, mas os solos estão saturados e a água começa a encaminhar-se para as estradas e para o rio”, alertou, referindo a colocação preventiva de sacos de areia e a aquisição de eletrobombas.
O autarca destacou ainda a “generosidade incrível” da população e de voluntários de vários pontos do país, que têm ajudado na limpeza, desobstrução de vias e apoio às famílias.
“Neste momento, ao nível de bens alimentares já não é prioritário, mas materiais de construção civil são muito necessários, porque temos muito telhado para reparar”, apelou, indicando o estaleiro municipal na FAE como ponto de entrega.
ÁUDIO | TIAGO CARRÃO, PRESIDENTE CM TOMAR:
Questionado sobre prejuízos, Tiago Carrão admitiu que ainda é impossível quantificar os danos totais, devido a zonas sem comunicações, mas apontou desde já “quase um milhão de euros” em danos no Complexo Monumental do Convento de Cristo, além de prejuízos no complexo desportivo municipal, onde parte da cobertura das piscinas foi arrancada, e no estádio municipal, com a queda de uma torre de iluminação.
O presidente da Câmara revelou ainda que, em articulação com a entidade promotora, o Carnaval em Tomar será adiado, por considerar não ser adequado realizar festejos enquanto há pessoas em dificuldades.

Carrão mostrou-se também preocupado com várias freguesias rurais do norte do concelho, como Sabacheira, Olalhas, Além da Ribeira e Pedreira ou Casais e Alviobeira, onde persistem falhas de eletricidade e comunicações.
O autarca defendeu que o Estado terá de intervir no apoio às autarquias, famílias e empresas, considerando que o orçamento municipal não será suficiente para fazer face aos prejuízos, tendo destacado ainda a presença de membros do Governo no concelho, nomeadamente do ministro das Infraestruturas e, hoje, da ministra da Cultura, com enfoque no património.
“Falta agora que os apoios anunciados se concretizem, quer junto das autarquias, quer junto das famílias e organizações”, notou.
Tiago Carrão está no primeiro mandato como presidente da Câmara de Tomar, está há três meses no cargo, tendo tomado posse no dia 3 de dezembro, e enfrenta uma prova de fogo e um momento de catástrofe.
“Sim, este é o arranque de mandato que ninguém queria, nós temos tido motivo de preocupação, a última semana foi completamente absorvida por esta catástrofe, temos estado no terreno constantemente a acompanhar as pessoas, as juntas de freguesia, as entidades, nesta tentativa de recuperar, reparar, e tem sido realmente um trabalho enorme, mas que, felizmente, com as várias entidades, com as juntas de freguesia, com a população também, que tem sido incrivelmente generosa, seja no voluntariado, seja no donativo de bens, tem sido possível ir aos poucos e poucos, passo a passo, recuperando Tomar”, declarou.
Energia começa a ser reposta em Tomar através de geradores
A Câmara Municipal de Tomar informou ainda esta terça-feira que a reposição de energia elétrica nas zonas mais afetadas está a ser assegurada temporariamente com recurso a geradores.
Enquanto a situação não estiver totalmente estabilizada, a autarquia apela à população para que utilize apenas equipamentos essenciais, como frigoríficos e arcas, iluminação básica e equipamentos médicos ou de apoio a dependentes, de forma a evitar a sobrecarga da rede.
O carregamento de viaturas elétricas deve ser feito preferencialmente na cidade.

Segundo o município, a utilização excessiva de aparelhos pode provocar falhas no fornecimento, avarias nos geradores, danos em equipamentos elétricos e riscos para a segurança.
Devem, por isso, ser evitados equipamentos de elevado consumo, como máquinas de lavar roupa e loiça, aquecedores, termoacumuladores e aparelhos semelhantes.
A autarquia agradece a compreensão da população, sublinhando que o cumprimento destas indicações é fundamental para garantir a continuidade do fornecimento e a segurança de todos.
