Esta época do ano é pautada por histórias e estórias que cada um recorda da sua infância. Com o passar dos anos olhamos para trás e recordamos o sabor dos fritos de natal, a ansiedade pela meia-noite para abrir os presentes, as doze badaladas do fim de ano e o “bater das panelas” para dar as boas vindas ao novo ano.
É momento de falar com quem nos “esquecemos” durante o ano e de fazer ações de solidariedade. Estamos mais predispostos (as) para isso.
Para mim esta altura do ano é difícil, por questões pessoais que nos marcam para a vida. Por esse motivo, tento que este meu sentimento não influencie a vivência do momento dos que me rodeiam. Esta época é especial.
Na minha atividade profissional é portanto difícil gerir os sentimentos pessoais, os sentimentos dos que nos rodeiam, o que a sociedade “exige” e aquilo que é certo para as crianças. Nesta altura do ano, os tribunais e Comissões de Proteção de Crianças e Jovens têm de decidir se crianças que estão em instituição devem ou não vir a casa das famílias.
Os benefícios e malefícios desses contactos. Os pais separados disputam ao segundo o tempo que poderão estar ou não com os seus filhos e as crianças assistem a tudo isto como se da sua vida não se tratasse. É difícil para todos (as) tomar uma posição sobre isso. No entanto, cabe aos adultos ponderar as melhores decisões. Escolher a opção que vai ao encontro daquilo que fará as crianças felizes, não só neste dia, mas no futuro. Qual a mais-valia de uma criança que está acolhida numa instituição vir passar o natal com os pais que não a visitaram o ano todo? Ou que as visitas foram tão “pobres”, que quase seria preferível que não tivessem ocorrido.
Por outro lado o convívio com os irmãos pode ser positivo, principalmente se o projeto de vida ainda não estiver definido. E que beneficio trará para a relação entre os pais (separados) e destes com a criança, um conflito sobre os cinco minutos de atraso?
Uma coisa é certa. Todas as crianças esperam pelo milagre do natal. Aquele milagre que fará com que tudo seja perfeito. Que o mundo ganhe cor e que a magia aconteça. Afinal, é Natal!
Espero que 2016 venha repleto de boas energias e que os adultos guardem um pouquinho do seu tempo para refletir sobre o que será melhor para as suas crianças.
