O Aquapolis Sul, em Rossio ao Sul do Tejo, Abrantes, vai receber esta quinta-feira uma ação de limpeza com o envolvimento de voluntários, que irão juntar-se aos serviços municipais na remoção dos estragos provocados pelas recentes cheias no rio Tejo. A iniciativa, inicialmente prevista para dia 14, foi reagendada devido à subida do caudal registada no sábado, garantindo que o trabalho no terreno seja seguro e eficaz.
Os serviços da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal iniciaram já hoje os trabalhos de limpeza. A participação de voluntários pretende que o espaço recupere a sua dignidade o mais breve possível e possa continuar a ser utilizado para lazer, desporto e contacto com a natureza.
O organizador da ação, Miguel Costa, residente no Rossio ao Sul do Tejo, explicou que a devastação causada pelo Tejo motivou a mobilização da comunidade.
“Como todos nós vimos, o Tejo devastou o Aquapolis Sul todo e aquilo deixou-nos, como moradores, desiludidos e cabisbaixos. Em conversa com um amigo, achámos por bem mobilizar pessoas para, de forma sensibilizada, ajudar as entidades na limpeza. Sabemos que a Câmara e a Junta têm responsabilidades, mas sentimos que era importante envolver a comunidade”, declarou.


Miguel Costa acrescentou ainda que foi motivado a lançar o apelo nas redes sociais e “não estava à espera de tanta adesão” à ação de voluntariado.
“Esperamos que amanhã compareçam todos os que mostraram vontade de ajudar. A Associação Envolve disponibilizou um espaço para nos concentrarmos, inclusive para refeições, e o restaurante Bota Feijão apoiará com reforço alimentar ao meio-dia. Os escuteiros já mobilizaram equipas para a limpeza”, afirmou.




O presidente da Junta de Freguesia, Luís Valamatos, destacou o papel da sociedade civil nesta iniciativa e reforçou a coordenação com os serviços municipais.
“Vejo com grande satisfação a sociedade civil a movimentar-se. O Miguel Costa teve essa ideia e lançou o apelo no Facebook. Esta iniciativa era para ter acontecido no sábado passado, mas ainda não havia condições de segurança devido ao caudal elevado do Tejo”, explicou.
Valamatos explicou ainda o plano de ação, tendo sublinhado a importância do apoio voluntário.
“Hoje o município e a Junta avançaram com o início das limpezas na Avenida Marginal e em toda a zona do Aquapolis Sul. O Miguel voltou a lançar o desafio e esperamos que amanhã se juntem a nós, para tornar o trabalho mais célere. Toda a ajuda é bem-vinda, sobretudo a nível da limpeza, para que a marginal e a zona do Aquapolis fiquem, o mais breve possível, dentro da normalidade.”
O autarca acrescentou que a reposição das infraestruturas danificadas será, depois, responsabilidade do município. “As infraestruturas que estão estragadas serão avaliadas pelo município e repostas o mais rapidamente possível, porque é um espaço aprazível e temos que o devolver às pessoas.”
A ação terá início às 09h00 de amanhã e Miguel Costa deixou um apelo aos voluntários: “Pedi às pessoas para levarem luvas. Eu próprio estou de baixa médica e não posso fazer muito esforço, mas quem dá o que pode, já dizia o meu avô, a mais não é obrigado.”


O Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo foi desagravado de vermelho para amarelo na segunda-feira, mas mantém-se ativo, já que os caudais continuam acima do nível considerado normal.
Ao meio-dia desta quarta-feira, no ponto de medição em Almourol, o caudal era de 1.835 m³/s, acima da referência de 1.500 m³/s necessária para desativar o alerta amarelo, mas muito abaixo do pico de cheia – 9.057 m3/s – registado em 06 de fevereiro, já em alerta vermelho em que atingiu os 8.300 ma/s, naquela que é já considerada como a segunda maior cheia do século XXI.
Apesar de, no Médio Tejo, o rio já estar praticamente dentro do leito, na Lezíria “persistem múltiplas estradas submersas e cortadas”, avançou hoje a proteção civil. Por isso, o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo reiterou os apelos para que as populações tenham precaução a circular e procurem vias alternativas que já estejam desimpedidas.
