Professor Manuel Gonçalves, uma vida dedicada ao desporto e ao atletismo. Foto: mediotejo.net

A paixão pelo desporto, que surgiu logo em tenra idade, deu origem a uma incursão pela carreira docente, tendo começado a lecionar a disciplina de Educação Física na Escola Comercial de Luanda. É em Angola que viria a conhecer a sua futura esposa e após contraído o matrimónio mudam-se para a cidade de Abrantes, a terra natal da mulher.

Foi professor do ensino secundário na Escola Dr. Manuel Fernandes, tendo-se reformado após 38 anos de serviço, mas o desporto não deixou de fazer parte da sua vida.

Durante a sua extensa carreira enquanto atleta da modalidade de atletismo passou por diversos clubes como o Sport Lisboa e Benfica e o Sporting Clube de Portugal e manteve-se sempre ligado a vários clubes da região, tendo sido um dos fundadores da Associação de Atletismo de Santarém, no ano de 1977.

Despediu-se das pistas aos 42 anos mas não abandonou os estádios por completo. Atualmente continua a auxiliar na formação de jovens atletas, mantendo-se ligado à Casa do Benfica de Abrantes. O mediotejo.net foi assistir a um dos treinos do clube, onde esteve à conversa com o professor abrantino sobre o seu passado enquanto atleta e um futuro que passa pela formação dos jovens, atividade a que se tem dedicado ao longo das últimas décadas.

Professor Manuel Gonçalves junto dos atletas da Casa do Benfica de Abrantes. Foto: mediotejo.net

Como é que recorda a sua infância?
Foi uma infância um bocado problemática. Aos 18 anos ingressei no Corpo de Fuzileiros da Marinha, para que a vida fosse um bocadinho diferente. Vou dizer uma coisa que não tenho dito a muita gente, mas de que me orgulho muito. Aos 18 anos tinha a quarta classe, quando saí dos Fuzileiros, ao fim de seis anos, já estava na universidade. Trabalhei, trabalhei, dia e de noite, para conseguir alcançar os objetivos que desejava e que foi a minha vida, a educação física. Além de estar a fazer aquilo que gostava, ainda me pagavam.

Como é que foi o ingresso na carreira de docente?
Comecei na Escola Comercial de Luanda, depois vim para a Escola Dr. Manuel Fernandes e mais tarde estive quatro anos no antigo liceu de Abrantes como orientador de estágio. Depois voltei para a minha escola e continuei até ter 38 anos de serviço, que foi quando me reformei. Como tinha o tempo como militar e esses seis anos foram contados a dobrar, reformei-me bastante novo. Continuei com a atividade que sempre tive desde os 20 anos e foi quando fiz a primeira formação como técnico. No entanto, fiz também competição até aos 42 anos.

Recorda-se do primeiro contacto que teve com a formação de jovens atletas?

Lembro-me… foi engraçado. Eu comecei na Escola Secundária Dr. Solano de Abreu e quase todos os dias me aparecia um ou outro miúdo que queria treinar. Eu perguntava porque é que desejavam treinar atletismo e eles respondiam-me que treinavam com o Carlos Costa, que para mim é um exemplo na formação dos mais jovens e que este os encaminhava até mim.

Foto: Manuel Gonçalves

Quando é que surge a oportunidade de ser um dos fundadores da Associação de Atletismo de Santarém?

Havia muitos miúdos com grandes capacidades e não havia Associação de Atletismo em Santarém. Eu e mais um grupo de “carolas” formámos a primeira associação em 1977 e começou com o Sporting Clube de Abrantes (SCA), depois estivemos no Tramagal Sport União (TSU), mais tarde no Clube Estrela Verde e ainda no Grupo Desportivo e Recreativo “Os Lagartos”, no Sardoal. Quando acabou completamente, fizemos pelo liceu de Abrantes que era já escola secundária, mas foi pelo liceu que tinha estatutos. Aí tivemos um senhor que nos ajudava de vez em quando, que é o senhor Burguete. A fábrica onde ele trabalhava, de vez em quando, arranjava-nos um cheque de cinco contos para conseguirmos levar metade da equipa a Coimbra, por exemplo, depois outra metade ia ao Porto, porque não havia dinheiro para mais.

Considera ter havido algum período “áureo” para a modalidade em Abrantes?

Foi quando apareceu a “época das vacas gordas”, com o Sporting Clube de Abrantes, que conseguiu fazer muito dinheiro no bingo. Houve outro senhor que nos ajudou muito, o Armando Farinha, que nos ajudou através da Lusofarma com dinheiro para deslocações, para estágio, para competição, e foram os anos de ouro. Depois acabou tudo. Fizemos coisas maravilhosas e, posso dizer aqui que, desde 1977, quando se fundou a Associação de Santarém, e até 1994, com as equipas de Abrantes e arredores, fomos consecutivamente campeões de Santarém por equipas e em 1992 fomos campeões nacionais da terceira divisão. O Sporting de Abrantes foi a primeira equipa de Santarém a ser campeã, no ano seguinte fomos campeões nacionais femininos. Isso são coisas que não se esquecem.

Quais são as principais diferenças que encontra atualmente no atletismo, tendo em mente a época em que era atleta? As condições evoluíram significativamente?

Eu nunca corri em tartan em Portugal, corri em tartan na África do Sul. Este aparece em Portugal em 1970 no Estádio Nacional. Só havia uma pista, a do Estádio Nacional e mais nada. Depois é que começaram a aparecer… Hoje há muitas pistas, mas infelizmente não existem atletas. O desporto português está de rastos a nível da formação, tirando o andebol e o futebol, o resto está de rastos. E não se compreende como é que há pistas no nosso país que estão fechadas, como no caso de Óbidos e das Caldas da Rainha. Ambas as cidades têm pistas e estão as duas fechadas. Instalações temos, não temos é atletas.

“Hoje há muitas pistas, mas infelizmente não existem atletas. O desporto português está de rastos a nível da formação (…). Instalações temos, não temos é atletas.”

Manuel Gonçalves
Foto: Manuel Gonçalves

Como é que foi o seu percurso enquanto atleta da modalidade?

Aos 16 anos fui para o Sporting de Lisboa, no ano seguinte passei para o Benfica e mais tarde fui para África, onde estive nas equipas de Bissau. Depois tive um contacto do Sporting de Luanda e fui para Luanda, onde estive 4 anos sempre como atleta. Foi aí realmente o meu bom momento a nível de atleta.

Depois vim para Abrantes e também fiz atletismo, só que cheguei aqui e viam-me andar a correr e diziam “olha aí vai um maluquinho”. Eu, que era um corredor de 800 metros, aqui tive de me dedicar às provas grandes. Mais tarde começou a aparecer o atletismo através do Sporting Clube de Abrantes, fortemente impulsionado por uma família abrantina, a família Marques. Entretanto aparecerem três pessoas que eu não posso esquecer e que fizeram coisas maravilhosas pelo SCA, nomeadamente o senhor António da Académica, o senhor José Moço e o senhor Silvério. Foram pessoas que fizeram coisas maravilhosas, que nos acompanharam, apoiaram e que permitiram que nós tivéssemos alguns dos melhores atletas portugueses. Aqui, esta pista, fez o único atleta no mundo que foi recordista do seu país desde os Benjamins, Infantis, Iniciados, Juvenis, Júniores, Sub-23 e Séniores. Era sempre campeão de dois escalões seguidos, do mais novo e do outro a seguir, o Tiago Aperta.

Há algum marco na sua carreira enquanto atleta que o tenha impactado particularmente?

Sim, foi quando eu fiz a minha melhor marca de sempre, o que eu não esperava. Foi na África do Sul, na cidade do Cabo, onde fiz 1m50s aos 800 metros. Mas os grandes momentos, muitas vezes, não são aqueles que deixam grandes marcas, os melhores momentos são aqueles que ficam para a vida. Por exemplo, ainda há dias fui homenageado com o prémio Carreira pela Associação de Atletismo de Santarém. É a sétima ou oitava vez que sou homenageado, mas as homenagens para mim são efémeras. O que me interessa é o que estamos a ver aqui neste momento… este campeão pequenino que veio aqui e me veio dar um abraço. São estas homenagens aqui e pela rua… dizerem-me “oh Gonçalves estás bom?” ou ter sido meu aluno e hoje já ser pai ou avô, ou como no caso destas crianças que estão hoje aqui comigo. Essas são as verdadeiras homenagens, o resto é tudo momentâneo.

“Os grandes momentos, muitas vezes, não são aqueles que deixam grandes marcas, os melhores momentos são aqueles que ficam para a vida”.

Manuel Gonçalves
Manuel Gonçalves foi distinguido com o Prémio Carreira em 2022, pela Associação de Atletismo de Santarém. Foto: AAS

Quando é que decide abandonar as pistas e pôr um ponto final à sua carreira enquanto atleta?

Abandonei aos 42 anos e até foi com uma história engraçada. Era a meia-maratona da Nazaré e houve um miúdo que entrou lá clandestinamente, porque ainda não tinha idade, mas acompanhou-me toda a prova. Se havia uma coisa que eu tinha era terminar muito rápido… ia para abrir para a meta mas disse “não, este miúdo fez a prova toda comigo, deixo-o entrar primeiro”. E depois perguntei-lhe uma coisa “olha lá, tu podias ter feito uma prova melhor, porque é que foste ao pé de mim?”. E ele respondeu-me: “porque o meu pai disse-me para ir com aquele gajo velho que ele deve saber conduzir a prova”. E nesse dia disse que era a altura de dar lugar aos outros.

Um atleta deixa de ser atleta ou as sapatilhas voltam sempre a ser calçadas?
Não, eu continuo a treinar todos os dias, só que já não corro. Todos os dias faço pelo menos uma hora a andar. Vou ao ginásio, mas continuo a fazer e acho que todas as pessoas deviam continuar.

Além de apoiar na formação de atletas, de que outras formas gosta de ocupar os seus tempos livres?

Além de todos os dias fazer a minha volta, em casa vejo filmes. Gosto muito de ver o canal Hollywood que são filmes do passado, aqueles que me dizem mais.

De que forma continua a manter-se ligado ao atletismo e à formação das camadas mais jovens?

Houve alguém que publicou que eu sou treinador da Casa do Benfica de Abrantes, mas não é verdade. Eu ajudo a CBA, como neste momento também ajudo atletas de Tomar, do COA… Cheguei a treinar 80 atletas, do Minho até ao Algarve, da Madeira até à Suíça. Mas hoje não, hoje estou com estes e peço a todos que venham para treinar. Nós temos 180 atletas federados na Casa do Benfica, mas uma parte deles tem toda mais de 40 anos. Os miúdos são estes que estão aqui, que são o futuro.

Qual é o sentimento ao saber que já ajudou a formar diferentes gerações de atletas?

Eu reformei-me muito novo, como disse anteriormente, por causa da vida militar, do tempo a dobrar. Quando me perguntavam “Oh Gonçalves, reformaste-te já porquê?”, eu dizia: antes que apareça um miúdo que me diga ‘olhe o meu avô foi seu aluno’. Esses são os meus grandes amigos. Eu passo na rua e dizem “estás bom Gonçalves?” e a minha mulher pergunta “quem é?”, respondo que não sei, mas se me cumprimentam é porque me conhecem e são meus amigos. É um sentimento bom, de amizade.

O que é que é preciso para se ser um bom atleta?
Eu vou-lhe responder de uma forma em que quase ninguém acredita. Vontade, vontade, trabalho, trabalho… todas as pessoas têm as suas capacidades mais ou menos desenvolvidas, dentro das qualidades condicionais. Força, velocidade, resistência e as coordenativas, todas elas são trabalháveis, só que há alguns que nós detetamos logo à partida que são bons para isto ou para aquilo. Outros só com o tempo é que vão lá. Por isso, tem de se trabalhar para fazer qualquer coisa e ser, acima de tudo, um indivíduo que não tenha medo de perder, que saiba competir e que saiba respeitar os seus colegas. Olhe, por exemplo, esta menina que está aqui, fez agora 12 anos, é tricampeã da Europa e vice-campeã do mundo de Laser-run, no entanto, continua humilde como no primeiro dia em que aqui apareceu. Estas pequenas que estão aqui à frente, continuam a brincar e a rir, são as minhas “netas”.

Há algo que gostasse de ter feito e que não tivesse conseguido concretizar?

Nunca conseguimos atingir todos os objetivos. Há uns anos eu estava a dar uma ação de formação no Edifício Pirâmide, em que foram convidados o Tiago Aperta e o João Pereira, um atleta que tinha ficado muito bem classificado no triatlo e ele disse: “para mim foi chegar ao pico do Evereste”, ao que eu respondi: “João, estás enganado. Porque quando tu chegares ao cimo do Evereste só tens um caminho, que é descer. Portanto, diz que chegaste a um dos picos do Evereste, que o outro falta chegar lá acima”.

Qual o mindset que procura transmitir aos seus atletas durante o processo de formação?

Portanto, os atletas têm de ver sempre que com trabalho tudo é possível e todos estes são campeões, campeões deles próprios. Podem ficar em último, mas se baterem o seu record por um centímetro ou por um milímetro, já são campeão sobre eles próprios. Deixemo-nos dessas tretas de que só os campeões é que interessam. Todos são campeões e isso é uma das coisas que eu incuto nos meus atletas. Aqui há uns anos tive um atleta que, na altura, era o melhor atleta português nas provas combinadas e do salto em altura, que era o Guilherme Pires, um atleta fabuloso. Fomos fazer o Olímpico Jovem, em Albufeira, e nessa prova ele era o favorito nas barreiras, mas toca na segunda barreira e fica em segundo. A primeira coisa que ele fez foi virar-se e ir abraçar o que ganhou. Isto para mim é fair play, é desporto, e é assim que ele deve ser encarado. E o atleta que comigo não encare as coisas desta maneira, as coisas complicam-se.

“Os atletas têm de ver sempre que com trabalho tudo é possível e todos estes são campeões, campeões deles próprios”.

Manuel Gonçalves

Quais os planos para o futuro? Procura continuar ligado à modalidade?

Neste momento existem alguns problemas, não a nível dos atletas e eu vou fazer uma de duas coisas. Ou vou abandonar completamente ou vou fazer aquilo que fiz em 2000, quando o professor Nelson Carvalho me pediu para que eu e o colega Nuno Mil-Homens fizéssemos o projeto de desenvolvimento desportivo municipal. De seguida ele pediu-me também para fazer uma “Abrantes Athletics”, onde formámos atletas de topo, em que a seleção de Santarém, dos mais jovens, era toda nossa. Ou abandono completamente por coisas que se têm estado a passar ou vou fazer escola novamente e ligar-me a um clube cá da terra. Mais ainda, vou fazer o que fiz na altura, ir às escolas convidar os miúdos para virem para cá. Agora temos poucos, mas na altura chegámos a ter 100 atletas aqui a treinarem. Aí é que é a massificação, sejam altos, baixos, gordos ou magros, todos têm lugar, não fazem mais fazem menos, mas fazem.

Foto: CMA

Se pudesse descrever o atletismo na sua vida em poucas palavras, o que é que representa?

Foi aquilo que lhe disse anteriormente. Fui para educação física porque gostava e ainda me pagavam para o fazer. O atletismo só me pagaram no Benfica em Lisboa e aqui, quando estive ligado à Câmara e ao Sporting de Abrantes. Houve um protocolo entre a CMA, o Sporting Clube de Abrantes e eu, em que aí recebi dinheiro, mas que se calhar não dava para a gasolina. O resto, foi sempre feito altruisticamente, porque não é só com o atletismo que eu vivo todos os dias. Há uns anos atrás, em 72 polícias que haviam em Abrantes, 52 tinham passado pelas minhas mãos para entrar na Escola de Polícias, a GNR a mesma coisa, as academias também… eu estou disponível para todos, para ajudar. A minha vida é esta, sou altruísta por natureza.

“Eu estou disponível para todos, para ajudar. A minha vida é esta, sou altruísta por natureza”.

Manuel Gonçalves

Qual é o seu lema de vida?

Aos 75 anos, ¾ de século, o lema de vida é só um e peço para que todas as pessoas com a minha idade vejam o mundo como ele deve ser visto, amparar as minhas filhas e os meus netos e aqueles que vêm aqui ter comigo, é esse o meu lema.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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6 Comments

  1. Um abraço do tamanho do Mundo para esse grande homem que conheci no Atletismo. Esta entrevista é uma lição. Li-a com alguma emoção e saudade dos tempos em que convivemos. A fundação da Associação de Santarém, que o Professor aqui recorda, foi um marco importante para o atletismo distrital e nacional. Partilho do mesmo orgulho por também ter sido um dos fundadores. Pouco fiz porque pouco sabia, mas tive a sorte haver o Prof. Gonçalves e os seus ensinamentos. (Jaime Cunha)

  2. Uma vida exemplar de dedicação ao desporto/atletismo de que Abrantes tem vindo a usufruir.
    Que pode Abrantes fazer para que novos “Professores Gonçalves” possam preservar e dar continuidade à Obra deste Senhor que Abrantes tem o privilégio de poder ter no seu seio ?

  3. O Gonçalves sempre foi um grande treinador e incentivador do atleta e do atletismo. Tive o prazer de oacompanhar em muitos desses clubespor onde passou, e o prazer de fazer parte dessa equipa campeã nacional no estádio da Maia. É das pessoas que mais admiro, a sua dedicação é difícil ter comparação. Muitos atletas e muitos clubes lhe devem grande parte da sua história. Só posso dizer sempre e sempre Obrigado

  4. O que dizer do Professor
    Agradecer sempre, eu serei eternamente grata porque aos 45 anos o professor fez-me ver que tudo é possível no desporto e na vida.
    Agradecer o apoio incondicional porque basta um olhar e ele sabe se estou bem ou menos bem
    Agradecer por ele ver o lado Humano
    Agradecer pela a ajuda aos jovens e menos jovens tanto nos treinos como na vida
    Um Ser Humano simplesmente Exemplar
    Agradecer por ele me ter dito vai tirar o curso de treinadora que eu estou cá, e já falta tão pouco
    Agradecer pelos ensinamentos, pelos conselhos pela apredizagem
    Obrigado por ser como é Professor

  5. Tive o grato prazer de ter feito parte da secção de Atletismo do Sporting de Abrantes, com este Sr.grande abraço, mais adjectivos, ele não precisa a sua obra e dedicação ao atletismo falam por ele.

  6. Grande amigo e companheiro, MANUEL GONÇALVES. Sempre fiel a ti mesmo.
    Ainda há dias recordamos, aquela famosa Estafeta, em Luanda, quando representávamos, o Sporting Local. Gomes, Capindiça, Salsinha ou Botelho e tu no final a colocares a cereja, no topo do bolo… Espero ver-te no Nacional de Juniores. Um Abraço

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