BE diz que "maioria absoluta do PS" não salvaguarda caminho iniciado em 2015. Foto: mediotejo.net

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda defendeu hoje em Martinchel, Abrantes, que o “aprofundamento do caminho” iniciado em 2015 para “mais direitos e investimento público” só será possível se o PS não tiver uma “maioria absoluta” nas legislativas.

“A escolha que se coloca agora é se queremos aprofundar o caminho iniciado [em 2015], com mais salvaguarda de direitos, mais investimentos nos serviços públicos e com a garantia que isso vai resultar em melhor economia”, defendeu Pedro Filipe Soares.

“Isso pode ser feito de vária formas”, disse, considerando que “a única forma que não salvaguarda isso é uma maioria absoluta do Partido Socialista porque (…) maiorias absolutas não são sinónimo de progresso”.

Falando no “16º Liberdade”, acampamento organizado pela Coordenadora Nacional de Jovens do BE, onde participou num debate com o mote “BE: De onde vimos, para onde vamos”, Pedro Filipe Soares considerou que o termo `geringonça´ “está datado” e é hoje carregado pelo BE “com orgulho” e “já não com preconceito”, depois de ter usado da palavra perante algumas dezenas de jovens do BE na qualidade de orador.

“A gerigonça é um termo datado. Foi cunhado como insulto, acabou por ser acarinhado pelo país, o que mostra bem o sentimento que houve da melhoria das políticas que nós conseguimos com a solução governativa que foi alcançada em 2015 e, por isso, acaba por ser algo que agora carregamos com orgulho e não com preconceito”, afirmou, em declarações à Lusa.

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda defendeu hoje que o “aprofundamento do caminho” iniciado em 2015 para “mais direitos e investimento público” só será possível se o PS não tiver uma “maioria absoluta” nas legislativas. Foto: mediotejo.net

No entanto, reiterou, geringonça “é um termo datado, é um termo de 2015, que resulta de uma relação de forças que colocava a escolha entre a manutenção da direita no poder ou o PS enquanto governo minoritário com algum tipo de apoio parlamentar à esquerda, e nós construímos essa solução com base em acordos”.

Segundo o dirigente bloquista, tal “foi possível porque, por um lado, o PS estava obrigado a isso para chegar ao governo, por outro lado a marca da direita era imensa na vida das pessoas e toda a gente queria virar essa página”, tendo feito notar que “2019 apresenta-se num outro paradigma”.

“A escolha agora não é entre a austeridade ou não austeridade, ou manter a direita no poder ou não, (Pedro Filipe Soares abre um parênteses para afirmar que a direita “está refém da sua própria ausência de um programa mobilizador para o país, um problema que têm de enfrentar mais do que questões pessoais”), a escolha que se coloca agora é se queremos aprofundar o caminho iniciado com a salvaguarda dos direitos, com mais investimento nos serviços públicos, e com a garantia que isso vai resultar em melhor economia”.

Para o dirigente partidário, a entrada de “mais dinheiro nos bolsos das pessoas só foi possível por medidas que o PS não tinha no seu programa eleitoral em 2015”, tendo insistido que, “em 2019, a escolha é essa: se queremos aprofundar isso, e isso pode ser aprofundado de diversas formas, a única que não salvaguarda isso é uma maioria absoluta do PS, porque já sabemos que maiorias absolutas não são sinónimo de progresso mas mais sinónimo de retrocesso”, concluiu.

O racismo, as alterações climáticas ou a pobreza no século XXI são alguns dos principais temas em debate no 16.º Liberdade, que decorre desde quarta-feira e até domingo em Martinchel (Abrantes) e que será encerrado pela coordenadora do BE, Catarina Martins.

C/LUSA

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