O Município de Abrantes apresenta um resultado líquido negativo de -648.509,25€ em 2022, situação que o presidente de Câmara justifica com a inflação e o aumento de preços de energia, combustíveis, matérias-primas, alimentos e bens e serviços. Para este resultado também terá contribuído o exercício dos Serviços Municipalizados (SMA), que apresentam um resultado líquido negativo de -767.524,34 €.
“O Município encerrou o ano com saldo de 145.000€, o que não foi suficiente para incorporação de resultados negativos de entidades participadas”, no caso, os SMA e o TAGUSVALLEY, segundo informação e apresentação projetada apresentada pelo presidente de Câmara, e que também já o havia sido em sede de executivo camarário – na ocasião as contas da Câmara Municipal foram aprovadas com votos favoráveis do PS e do vereador do PSD, Vítor Moura, e abstenção do vereador Vasco Damas (ALTERNATIVAcom); já as do SMA contaram com voto contra do vereador do movimento ALTERNATIVAcom tendo sido aprovadas pelo PS e pelo vereador do PSD.
Foram igualmente aprovados os documentos de prestação de contas do exercício do ano 2022 dos SMA – Serviços Municipalizados de Abrantes, apresentando um resultado líquido negativo de -767.524,34€. Em 2021 o resultado líquido foi positivo em 5533 €.
Em votação separada, as contas referentes ao exercício de 2022 da Câmara Municipal de Abrantes foram aprovadas por maioria com oito abstenções do ALTERNATIVAcom (2), PSD (4), CDU (1), Presidente de Junta de Aldeia do Mato e Souto (PSD).
Já os documentos referentes aos Serviços Municipalizados de Abrantes (SMA) foram aprovados por maioria, com dois votos contra do ALTERNATIVAcom.
Durante a sessão, o presidente de Câmara voltou a ler uma mensagem introdutória justificativa sobre o exercício da autarquia e dos Serviços Municipalizados, destacando a pressão da inflação causada pela invasão da Rússia à Ucrânia e o rebentar da guerra, que levaram a aumentos nos preços da energia, do gás e outros combustíveis, matérias primas, produtos alimentares e outros bens e serviços.
“A subida acentuada do preço dos fatores energéticos contagiou toda a economia e esteve na base do aumento de preços ao nível do consumo e da produção com graves consequências para as famílias, empresas e também com um impacto muito significativo na gestão municipal. Com efeito, estes aumentos generalizados foram decisivos para que o resultado líquido deste exercício seja negativo em cerca de 650 mil euros”, referiu Manuel Jorge Valamatos.
Durante a Assembleia Municipal de Abrantes foi apresentada declaração de voto da bancada do PS, pela voz do presidente da UF Abrantes e Alferrarede, Bruno Tomás, que relevou a postura de “contas certas” que foi sendo mantida ao longo dos anos na autarquia.
“Se há Assembleia e votação que o PS se orgulha em aprovar as contas aqui apresentadas com valor negativo é esta. Porque o chavão das contas certas tem uma linha que tem de estar muito bem definida e mais uma vez tem que acompanhar aquilo que se diz e as atitudes que se tem”, começou por afirmar.
“A CMA dá resultados positivos e quem dá resultado negativo do ‘grupo Câmara’ é os SMA”, disse, frisando que se optou por não subir a fatura da água apesar da recomendação da ERSAR nesse sentido, uma vez que já se afigurava o cenário de resultados negativos.

Apesar das “contas negativas”, Bruno Tomás (PS) deixou elogio e incentivo ao executivo municipal liderado por Manuel Jorge Valamatos. “A si, à sua equipa, aos SMA quando esta tal linha for pisada ou ultrapassada façam o mesmo, porque quando se tem contas certas, elas têm que se utilizar para casos destes e casos extremos”, afirmou.
O presidente de junta notou ainda que a bancada do PS não tem qualquer problema em discutir a fatura da água, “com propostas, sem demagogias e ‘falsas promessas’”, lançando o repto à oposição, e referindo que “é factual”.
“Alguém duvida que algum presidente de CM ou algum administrador dos Serviços Municipalizados quer subir a fatura da água? Ninguém o quer, independentemente de quem seja eleito”, prosseguiu.
“Há muitos anos que voto nesta casa, mas hoje tenho especial orgulho em votar favoravelmente, porque não sou demagógico, não sou populista e percebo perfeitamente porque é que no que concerne aos SMA este resultado negativo lá aparece”, frisou.
Bruno Tomás argumentou e relevou que “a Câmara Municipal de Abrantes assumiu apoiar as famílias, as pessoas, os abrantinos, num momento difícil, independentemente de saber o que lhe iria acontecer quando apresentasse contas daqui a um par de meses, na altura da decisão, e muita gente já se ter esquecido”.
Por seu turno, o presidente de Câmara de Abrantes disse que “as contas estão todas certas e que Abrantes tomou uma decisão política de proteger as pessoas (…) apresentamos resultados negativos com a consciência que tomámos a melhor decisão política para proteger as nossas pessoas”.
Do grupo municipal do PSD, o deputado José Moreno justificou a posição do partido em relação ao ponto em deliberação, referindo que iria optar pela abstenção.

“Em Abrantes, ao fim dos consecutivos mandatos socialistas, está longe de se tornar um concelho cada vez mais atrativo para viver. Não retemos e muito menos captamos população, exportamos trabalhadores e suas famílias para outras regiões que apresentam mais alternativas, combinado com jovens estudantes que não regressam após a conclusão da sua formação”, começou por dizer.
“Enquanto não captarmos investimento novo e relevante, não conseguiremos contrariar esta tendência que cada vez mais nos deve preocupar. Esta tem sido, de resto, a posição reiterada e assumida pelo PSD que se traduz numa posição coerente, pelo ato político que encerra, e não tanto como já dissemos pelo mais ou menos corrente tramitação processual das contas do município, já que neste domínio o processo não suscita qualquer dúvida. Por estas razões e porque em consciência o projeto em que sempre nos revimos e nos continuaremos a rever é o que apresentámos aos eleitores num ato de pleno significado político, a bancada do PSD optará pela abstenção”, terminou o social democrata.
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