A arquiteta Laura Cebrián, membro do Colégio Oficial de Arquitetos de Madrid, venceu o concurso internacional de ideias para o castelo de Abrantes tendo apresentado o melhor projeto para a requalificação e valorização daquela fortaleza. A cerimónia de entrega de prémios e apresentação da proposta vencedora decorreu na segunda-feira, na igreja de Santa Maria do Castelo. Na oportunidade abriu ao público a exposição que mostra à população e a todos os interessados os 12 trabalhos concorrentes.
Inspirando-se na vida cultural de Abrantes, e entre 12 projetos a concurso, o júri destacou a proposta coordenada pela arquiteta espanhola tendo valorizado “os cenários de reativação do Castelo de Abrantes, “definindo uma estratégia de intervenção, à imagem de um masterplan, que aborda os objetivos do programa criando condições para um potencial desenvolvimento de novas valências” naquele equipamento, e no âmbito da requalificação e valorização da secular fortaleza através da criação de programas para fins lúdicos, culturais e turísticos.

Questionada sobre as expectativas que a intervenção está a gerar na comunidade abrantina, naquele que é considerado o ex-libris de Abrantes, a presidente da autarquia, Maria do Céu Albuquerque disse que “não é nenhuma revolução”, o que aí vem.
“São pequenas intervenções que queremos que sejam exequíveis e que se atirem para montantes que as tornem realizáveis, e que, do ponto de vista da manutenção, também posteriormente tenham as mesmas características, mas que permitam isto que acabei de mencionar que é uma melhor fruição, melhor apropriação do espaço público, e depois a valorização cultural e turística deste imóvel”, afirmou a autarca.
Algumas das melhores sugestões e ideias apresentadas a concurso podem ser agora aproveitadas pela autarquia para a intervenção a desenvolver naquela fortaleza, tendo Maria do Céu Albuquerque adiantado que o concerto do dia da cidade, este ano 2017, decorrerá no castelo, a exemplo do que sucedeu em 2016.
“Está em expectativa estratégica”, o plano de intervenções a efetuar, “uma expressão militar que confere identidade ao espaço”, disse ainda a autarca.

O Concurso Internacional de Ideias foi lançado pela Câmara Municipal de Abrantes, em parceria com a Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitetos (OASRS), entidades que anunciaram os resultados do concurso e que realçaram ainda que o projeto vencedor “apresenta também uma investigação sobre a vida cultural da cidade que fundamenta as opções programáticas tomadas”, numa “lógica de complementaridade, com todas as intervenções que estão previstas fazer no centro histórico, no âmbito da regeneração urbana”.
O painel de jurados foi composto pelo arquiteto italiano Walter Angonese, indicado por aquela entidade, Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, e o arquiteto João Carlos dos Santos, subdirector-geral da DGPC, indicado pela autarquia.
No âmbito do concurso, os arquitetos e arquitetos paisagistas foram convidados a “interpretarem o centro histórico enquanto unidade dinâmica e articulada com a envolvente, que estabelece relações de reciprocidade de forma a garantir fluxos humanos significativos. Estes fluxos devem ser encarados como rótula de articulação entre as diversas partes da cidade, criando um único sistema urbano, vital para cidades de média dimensão”, referiu a OASRS.
Em reunião de executivo, a presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque (PS) havia afirmado que o projeto vencedor “é assumido como masterplan”, ou seja, “não prevê intervenção propriamente, mas prevê um conjunto de valências a introduzir nesses espaços, que depois dão aos arquitetos, aos paisagistas, a oportunidade de poderem vir a trabalhar ‘per si’ cada uma das componentes sobre um ‘chapéu’ comum que é este masterplan”.
Promovido pela autarquia em ano de centenário, o objetivo do concurso é requalificar a envolvente de um monumento considerado por Céu Albuquerque como “o postal de Abrantes e o ex-libris da cidade: o Castelo, as suas muralhas e a sua envolvente”.
De acordo com a arquiteta, citada em nota de imprensa, a proposta persegue três objetivos: “relançar o conjunto arquitetónico, melhorar a relação entre o Castelo e a cidade, e melhorar as conexões internas entre as diferentes partes do conjunto histórico”.
O 2.º prémio foi obtido pelos KWY Arquitectura com a colaboração de Baldios Arquitetos Paisagistas com uma proposta que, segundo o júri, “conceptualmente muito interessante, valorizando a realidade topográfica do espaço natural em volta das muralhas do castelo criando percursos e vistas que se encontram atualmente inutilizados”.
No entanto, e de acordo com a mesma nota, “uma questão menos positiva prende-se com o impacto do novo passadiço e da torre implantada junto à porta da traição que introduzem uma certa quantidade de construção e edificação de alguma forma desnecessária face às necessidades do programa”.
O trabalho coordenado por Girão Lima Arquitectos + Arq. Miguel Cruz de Carvalho obteve o 3.º prémio. Segundo o júri, a proposta tem uma “abordagem arquitetónica e espacial de grande qualidade” mas “apresenta dois temas desfavoráveis, nomeadamente, a introdução de um elevador e túneis e a solução de reformulação do parque radical.”
A iniciativa contou com a atribuição de três prémios: o vencedor recebeu 5.000 euros, o segundo premiado 1.500 euros e o terceiro classificado 1.000 euros.
