João Morgado, no dia da sua tomada de posse como líder da JSD em Abrantes. Foto: Jéssica Filipe/mediotejo.net

A Juventude Social Democrata retomou o exercício de funções em Abrantes, após eleições que contaram apenas com uma lista a sufrágio, tendo João Morgado sido eleito presidente da estrutura política.

A cerimónia de tomada de posse decorreu na tarde de sábado, dia 11 de fevereiro, na Sala Polivalente da Biblioteca Municipal António Botto, em Abrantes. Foram vários os nomes ligados ao Partido Social Democrata e à comunidade abrantina que marcaram presença na sessão, nomeadamente Jorge Moreira da Silva, presidente honorário da JSD; João Moura, presidente da Comissão Política Distrital do PSD; Gonçalo Bento, presidente da Comissão Política Distrital da JSD; os vereadores da Câmara Municipal de Abrantes, Celeste Simão e Vasco Damas; Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação e Alexandra Simão, presidente da Juventude Socialista de Abrantes.

João Morgado, 22 anos, licenciado em Ciência Política, começou por lamentar que os os jovens abrantinos não contassem com a presença da JSD desde 2017. “É um facto ao qual não podemos fugir e do qual assumimos as responsabilidades e as respectivas consequências, da qual destacamos o unanimismo sobre todas as decisões da Autarquia que aos jovens dizem respeito.”

ÁUDIO | João Morgado, presidente da Juventude Social Democrata de Abrantes

Numa união pela política do concelho de Abrantes, os jovens lançaram “mãos à obra”, referiu. “Fizemos tudo aquilo que era preciso para trazer de volta a JSD a uma cidade tão grande como Abrantes”. Da JSD, disse, pode esperar-se uma “intervenção ativa consciente e pertinente que não criticará apenas por criticar, mas que oferecerá e fará tudo para a concretização das soluções que acredita serem mais corretas para os jovens deste município”, deu a saber João Morgado.

O principal objetivo passa por “devolver a esperança há muito tempo perdida num futuro mais próspero para Abrantes e preparar os jovens para os desafios que se aproximam”, afirmou o jovem. A reativação da estrutura política procura, assim, responder aos desafios de uma cidade que “está estagnada, não oferecendo soluções de longo prazo aos seus habitantes, apenas remendando os pequenos problemas quotidianos”, apontou o presidente.

A Comissão Política da JSD de Abrantes, que tomou posse no passado sábado, compromete-se diretamente com os jovens do seu concelho, “a escutá-los (…) aliando as suas ideias, irreverência e políticas ao que fomos capazes de escutar da população mais nova”, sublinhou João Morgado durante o discurso de tomada de posse.

A JSD já tem um percurso traçado, por onde passa a organização de uma conferência com o mote “Que futuro tem Abrantes?”, deu a saber o presidente. Da iniciativa resultará “um documento que orientará a definição política da JSD Abrantes”.

A JSD “quererá sempre ter um diálogo construtivo com quem detém o poder mas não se demitirá de apontar as falhas concretas da governação”, concluiu João Morgado.

João Morgado, presidente da Juventude Social Democrata de Abrantes. Foto: mediotejo.net

José Moreno Vaz, presidente da Comissão Política Concelhia do PSD de Abrantes, afirmou ser “com grande gosto” que vê ser instalada novamente a Juventude Social Democrata em Abrantes.

Dirigindo-se a João Morgado, parabenizou o jovem pela iniciativa e pelo trabalho desenvolvido na criação de uma equipa adequada para o desafio, num “momento que não é fácil juntar pessoas, não é fácil arranjar gente que participe nestas coisas, pessoas com vontade de trabalhar”, referiu.

ÁUDIO | Intervenção de João Moreno Vaz, presidente da Comissão Política Concelhia do PSD de Abrantes

O atual membro da Assembleia Municipal de Abrantes disse ainda estar “satisfeito por ver a qualidade dos jovens que o João escolheu para o acompanhar. Fiquei impressionado com a sua postura, com a sua forma de estar e da sua disponibilidade para participarem, sendo todos eles estudantes de sucesso. Portanto, temos aqui pessoas de muita qualidade”, acrescentou José Moreno Vaz.

José Moreno Vaz, presidente da Comissão Política Concelhia do PSD de Abrantes. Foto: mediotejo.net

O deputado à Assembleia da República pelo Distrito de Santarém, João Moura, marcou presença na cerimónia e, usando da palavra, confessor ser “com muito agrado que estou aqui hoje (…). Estou com muita satisfação, principalmente porque quem me conhece, sabe que grande parte do meu percurso político foi feito na JSD e muito me orgulho de ter estado nesta extraordinária estrutura de política, que faz política, que é a Juventude Social Democrata”, começou por referir.

“A JSD de Abrantes já foi, há muitos anos, uma estrutura com dimensão, peso político e com expressão. Infelizmente, atendendo às circunstâncias e à vida, ela foi definhando e foi tendo menos importância. Ela praticamente deixou de existir”, apontou o presidente da Comissão Política Distrital do PSD.

Para João Moura trata-se de “um dia muito simbólico” para a vida política da JSD, mas também para o PSD de Abrantes. “E eu diria mais: de grande esperança para o concelho de Abrantes. O PSD faz muito falta à vida cívica da sociedade portuguesa.”

ÁUDIO | Intervenção de João Moura, presidente da Comissão Política Distrital do PSD

“Nós estamos na política porque gostamos (…), temos este bichinho que nos move de fazer alguma coisa em prol da sociedade onde estamos inseridos. E, portanto, é uma data muito assinalável aquela que hoje estamos aqui a passar”, disse.

Dirigindo-se aos jovens, João Moura afirmou que “algo mudou muito na política nos últimos anos”. No passado, “a política dividia-se entre os que estão mais esquerda, os mais ao centro e mais à direita. Hoje, principalmente para vocês mais jovens, isso pouco interessa. Pouco importa se é da esquerda ou da direita.(…) Aquilo que lhes interessa são as causas e as coisas que são defendidas por cada um dos partidos políticos”, sublinhou.

João Moura, presidente da Comissão Política Distrital do PSD. Foto: mediotejo.net

João Moura referiu ainda que o grupo de jovens que retomou a JSD “representa aquilo que é o futuro e a ambição do concelho de Abrantes”, um concelho que “em termos de dimensão, é o terceiro em termos de população. (…) Tem uma escala significativa e que infelizmente tem tido (…) uma expressão muito forte do Partido Socialista”, notou.

“O Partido Socialista tem uma hegemonia quase global no distrito de Santarém”, afirmou o deputado, apontando como uma das suas “fortes batalhas” a de “contrariar esta hegemonia das políticas socialistas que estão implantadas no distrito de Santarém”.

João Mira, vice-presidente da JSD de Abrantes. Foto: mediotejo.net

O vice-presidente da JSD de Abrantes, João Mira, afirmou acreditar “muito nela [na JSD], pois conheço as capacidades de cada um dos seus elementos e tudo aquilo que nós podemos fazer juntos”, começou por referir.

Apesar da inexperiência na política, o jovem falou de um percurso já traçado e com objetivos a cumprir. “Muitos dirão que somos apenas um grupo de jovens irreverentes e que não tem experiência nenhuma na política. Isso é verdade, não temos experiência. Também podem dizer que não sabemos onde é que nos estamos a meter, mas nós sabemos bem aquilo a que vimos. Vimos defender o direito ao futuro dos jovens de Abrantes, vimos defender uma visão reformista para o concelho e para o distrito e vimos defender também políticas que puxem pela cidade e que visem o progresso”, referiu João Mira.

“Não façam com que Abrantes deixe de ser apelativa e dinâmica que é o que tem acontecido nos últimos anos”, sublinhou o vice-presidente. “Nós temos de ser mais do que oposição, temos de ser a alternativa de esperança que Abrantes necessita há diversos anos”, afirmando que “um jovem não se pode sentir diminuído nem inferiorizado pela cidade onde mora”.

“Bem sei que ainda nada fizemos pois este é o dia zero, é o ponto de partida deste grande projeto que ambicionámos para Abrantes. Se procurássemos dias fáceis e sem nenhum trabalho, ficaríamos em casa como muitos fazem, mas estamos aqui hoje”, disse João Mira.

ÁUDIO | João Mira, vice-presidente da JSD de Abrantes

Gonçalo Bento, presidente da Distrital da JSD, usou da palavra e referiu ser com “grande orgulho” que se deslocou a Abrantes para marcar presença “nesta reativação concelhia, em que as reativações são o principal mote de ação da minha Comissão Política distrital que irá terminar funções”, informou os presentes.

Dentro de um ano, o jovem estará de saída da JSD, afirmando que “o maior legado que podemos deixar é um distrito com atividade política, em que os jovens saiam novamente para a rua com vontade de fazer política”.

Gonçalo Bento, presidente da Distrital da JSD. Foto: mediotejo.net

“É preciso olhar para os jovens, não nos descartarem, porque nós somos o futuro do país”, disse Gonçalo Bento. “Por muito que custe aos menos jovens hoje, que também já foram jovens no passado, mas muitos deles se esquecem e acham que nós somos muito novos e que ainda não sabemos o que dizemos, é verdade ainda temos muito a aprender, mas devemos ser ouvidos e devem dar o valor que merecemos”. Acrescentou ainda que se trata de “uma geração muito bem informada, muito bem formada e que temos muito a acrescentar ao nosso país”, concluiu o presidente da Distrital.

ÁUDIO | Intervenção de Gonçalo Bento, presidente da Distrital da JSD

Jorge Moreira da Silva, ex-líder da Juventude Social-Democrata (entre 1995 e 1998), chegou no final da sessão, mas não deixou passar a oportunidade de se dirigir aos presentes, referindo ter marcado presença para “agradecer como militante honorário da JSD”.

“Sempre que temos a oportunidade de olhar para o futuro, não ficamos em casa. Eu queria vir aqui agradecer ao João e aos novos órgãos eleitos da JSD de Abrantes, o facto de terem dado um passo em frente e terem abraçado esta causa. Nós precisamos da vossa participação”.

Jorge Moreira da Silva. Foto: mediotejo.net

“Costuma-se dizer que cada geração tem a sua causa e o seu desafio a enfrentar (…). A vossa geração está metida numa alhada maior, porque já não tem uma causa apenas para endereçar e abraçar”, apontou Moreira da Silva.

“Estão metidos numa coisa que se pode chamar uma poli-crise. Não é uma crise, não são várias crises, são crises que se alimentam umas outras às outras, que se sobrepõem (…). Isto obriga a um olhar que reabilite o direito ao futuro”, afirmou.

ÁUDIO | Jorge Moreira da Silva

Dirigindo-se aos jovens, Jorge Moreira da Silva disse que estes têm “uma grande mochila às costas”, uma mochila de “dívida que foi pendurada” por outros. “Não é uma dívida financeira, mas uma dívida em relação ao planeta e uma dívida em relação às próximas gerações. Nós estamos a viver a crédito do planeta e a crédito da vossa geração”, exemplificou o presidente honorário.

Comissão Política

Presidente: João Morgado

Vice-presidente: João Mira

Secretário: Luís Lopes

Vogais: Bárbara Damásio, Francisco Prates, Mariana Lobo e João Tavares

Suplente: Manuel Borges

Mesa do Plenário:

Presidente: Pedro Coelho

Vice-presidente: André Dias

Secretário: Diogo Caleiro

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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