Hidrobiólogo defende renegociação com Espanha em vez de novas barragens. Foto: DR

O Movimento pelo Tejo – proTEJO manifestou-se esta semana contra o projecto conhecido por “Alqueva do Ribatejo”, que terá sido  apresentado ao Presidente da República na quarta-feira. Em comunicado, o proTEJO lamenta que Marcelo Rebelo de Sousa “esteja de portas abertas para um projecto que surge de forma tão pouco transparente, aceitando receber numa reunião o anúncio de um conjunto de infra-estruturas com impactes ecológicos negativos para o rio Tejo”.

Em comunicado, o proTEJO refere que tem vindo a acompanhar as notícias que surgiram desde fevereiro sobre um novo conjunto de projetos destinados à bacia do Tejo e apelidados de “Alqueva do Tejo”, os quais, segundo divulgado, terão sido apresentados esta quarta-feira ao Presidente da República.

De acordo com essas mesmas notícias o “Projeto Tejo –
Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Tejo e Oeste”, prevê “(…)  um investimento de €4,5 mil milhões para a criação de um empreendimento de regadio a 30 anos e que tornará o Tejo navegável entre Lisboa e Abrantes.”

Com este projeto, cuja “racionalidade económica é desconhecida, os problemas estruturais do Tejo avolumar-se-ão num momento em que a sua resolução deveria ser a prioridade”, defende  movimento ambientalista.

“A construção de barreiras, como açudes e barragens, promove a
alteração da dinâmica sedimentar – as areias não recarregam a
nossa linha de costa; agrava problemas de poluição da água; e ainda dificulta a migração de peixes”, observa, tendo feito notar que “todos estes problemas existem atualmente e têm sido noticiados, mas serão agravados com a construção dos 7 novos açudes de Vila Franca de Xira até Abrantes, formando 7 novos charcos de água que representarão um rio Tejo morto que deixou de ser um rio livre e com dinâmica fluvial”.

Segundo o movimento cívico, com sede me Vila nova da Barqunha, este novo projeto “parece não seguir os passos expectáveis, a informação sobre as suas características não está disponível ao público, e nem existe um processo de avaliação de impactes ambientais junto da Agência Portuguesa do Ambiente”, tendo referido ainda não estar anunciado qualquer procedimento de discussão pública, nem justificadas – qualitativa e quantitativamente – as razões que justificam esta obra.

“Também não existe justificação para as populações do Tejo continuarem a ser ignoradas, sem acesso à informação e estarem no cerne de decisões políticas que se pautam pela falta de
transparência”, escrevem ainda os dirigentes do proTEJO, tendo afirmado “lamentar que o Senhor Presidente da República esteja de portas abertas para um projeto que surge de forma tão pouco transparente, aceitando receber numa reunião o anúncio de um conjunto de infraestruturas com impactes ecológicos negativos para o rio Tejo”.

“Lamentamos igualmente que não tenha tido a mesma disponibilidade para se deslocar em apoio da defesa do Tejo quando dos episódios de poluição extrema que se verificaram no mês de janeiro deste ano causado pela indústria das celuloses”, concluem.

Jornalista profissional há mais de 30 anos, passou por vários jornais diários nacionais, nomeadamente pelo 'Diário de Lisboa', 'Diário de Notícias' e 'A Capital'. Apaixonada pela profissão desde a adolescência, abraçou o jornalismo nas suas diversas áreas, desde o Desporto às Artes e Espetáculos, passando pela Política e pelos temas Internacionais. O jornalismo de proximidade surge agora no seu percurso.

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