Paulo Constantino é fundador e porta-voz do Movimento proTEJO. Foto: GEOTA

O movimento proTEJO elegeu este sábado os órgãos sociais para o biénio 2022/2024, tendo dado conta que centrará a sua atuação este ano 2022 na “mobilização na Caravana pela Justiça Climática” e na luta por “um Tejo livre de açudes e barragens”.

O Movimento pelo Tejo, com sede em Vila Nova da Barquinha, elegeu, por unanimidade, Paulo Constantino e Ana Maria Silva como porta-vozes, António Costa Falua para presidente do Conselho Consultivo, e José Manuel Lousa para presidente da Mesa do Conselho Deliberativo, contando como vice-presidente com Pedro Triguinho e como secretário Arlindo Consolado Marques, conhecido como o guardião do Tejo.

Em nota de imprensa, o Movimento pelo Tejo apresentou as suas linhas de ação para o novo mandato, que agora inicia, centrando as suas ações no ano em curso:

a)     a mobilização dos cidadãos da bacia do Tejo para a Caravana pela Justiça Climática apelando à mitigação das alterações climáticas que estão na origem da seca, nomeadamente, pela criação de corredores ecológicos de floresta autóctone, vegetação ripícola e biodiversidade ao longo dos rios e ribeiros;

b)     a defesa um rio Tejo livres de barragens e açudes, com dinâmica fluvial adequada à preservação dos fluxos migratórios das espécies piscícolas e ao usufruto das populações ribeirinhas.

c)     a participação na consulta pública do projeto de plano de gestão da região hidrográfica do Tejo – 2022/2027, que está a decorrer de 24 de janeiro a 24 de julho de 2022, defendendo a definição de caudais ecológicos à entrada do rio Tejo em Portugal na barragem de Cedilho e na Ponte de Muge, atuais pontos de controlo dos caudais mínimos da Convenção de Albufeira;

d)     a realização de ações pela despoluição dos afluentes do rio Tejo, nomeadamente, o rio Alviela;

e)     a celebração do Dia Mundial da Migração dos Peixes, em Vila Nova da Barquinha, no dia 21 de maio de 2022, “Por Um Tejo Livre – Educação Ambiental sobre Peixes de Água Doce” sobre as espécies piscícolas nativas, ameaçadas e invasoras com o envolvimento dos jovens da comunidade escolar para a sensibilização sobre a importância dos rios livres para a conservação das espécies piscícolas migratórias, com o apoio do Município de Vila Nova da Barquinha e da comunidade escolar.

A atividade integrará a apresentação dos projetos “Peixes Nativos de Água Doce”, “Livro Vermelho dos Peixes” e “Espécies Exóticas Invasoras Aquáticas de Sistemas de Água Doce e Estuarino – INVASAQUA” complementada com uma demonstração fluvial de classificação de espécies piscícolas nas margens do rio Tejo para promover o conhecimento e contato dos jovens as espécies piscícolas nativas, ameaçadas e invasoras.

Além dos projetos referenciados, o proTEJO pretende divulgar projetos de Educação Ambiental sobre “Água e Rios, bem como a efetivação de ações de Restauração Fluvial e de Educação Ambiental junto da comunidade escolar e em cooperação com os municípios que através do conhecimento da ecologia sensibilizem para a conservação da biodiversidade e do rio Tejo e seus afluentes.

Até final de fevereiro, o movimento afirma que apresentará uma “Queixa à Comissão Europeia por Incumprimento da Diretiva Quadro da Água” pela permissão de inadequada gestão da água às concessionárias hidroelétricas por parte dos governos de Portugal e Espanha.

O proTEJO, na mesma nota informativa, diz que conta finalizar, no próximo mês de março, a iniciativa legislativa de cidadãos para a proteção dos cidadãos / ativistas ambientais para subscrição no sítio do Parlamento como proposta de alteração da lei de proteção dos denunciantes que não contemplou ativistas ambientais de que é exemplo o chamado Guardião do Tejo, Arlindo Marques, que esteve a braços com um processo de difamação por ter denunciado infrações ambientais, mas que ficou fora do âmbito da proteção agora aprovada pelo Parlamento.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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