Gripe das aves restringe acesso ao parque ribeirinho de Vila Nova da Barquinha. Foto: DR

Um foco de infeção de gripe das aves detetado em Limeiras, em dezembro, e novos casos da doença confirmados esta semana na sede do concelho, levaram a autarquia de Vila Nova da Barquinha, em conjunto com a DGAV, a restringir o acesso ao parque ribeirinho, medida que se estenderá, previsivelmente, até ao início do mês de fevereiro.

“Em Vila Nova da Barquinha foi detetado o vírus da gripe aviária em patos selvagens, situação que vem reforçar que a doença existe em circulação nos animais selvagens e que é através destas que chega às espécies domésticas”, disse ao mediotejo.net Susana Pombo, da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).

A responsável apelou ao cumprimento das regras de biossegurança e de proteção às aves domésticas, tendo referido que a restrição de acesso da população ao parque ribeirinho enquadra-se numa medida de proteção da saúde pública a qual prevê possa decorrer até princípio de fevereiro. Susana Pombo fez notar, no entanto, que a situação tem de ser avaliada diariamente e que tudo depende do aparecimento de outros casos de positividade.

ÁUDIO | SUSANA POMBO, DGAV:

No dia 31 de dezembro tinha sido confirmado um foco numa exploração de perus, em Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, sendo que a confirmação esta semana da existência de novos casos de gripe aviária do subtipo H5N1 de alta patogenicidade em patos selvagens, encontrados mortos no parque ribeirinho, não configura um novo foco da doença estando, antes, ligados ao foco já existente.

“Em Vila Nova da Barquinha, os patos selvagens encontrados mortos não configuram um novo foco uma vez que já estão incluídos na zona de vigilância demarcada aquando do foco ali detetado” em dezembro, disse Susana Pombo.

No entanto, e por medida de precaução e de contenção da doença, o município de Vila Nova da Barquinha, em articulação com a DGAV, decidiu interditar o acesso ao parque ribeirinho.

“A autarquia interditou o parque ribeirinho ao público, solicitando aos munícipes que não alimentem os animais na zona do parque evitando assim a aproximação dos mesmos, que não circulem no perímetro sinalizado a fim de não ser um agente de propagação do vírus em capoeiras ou cativeiros onde coabitem espécies que sejam afetadas por esta gripe”, informou o município, em comunicado.

Em declarações aos jornalistas, o presidente da autarquia, Fernando Freire, fez na quarta-feira um ponto de situação da evolução do problema, tendo dado conta da recolha de oito patos encontrados mortos no parque, entre os dias 6 e 11 de janeiro, e que foram entregues para análise junto da DGAV.

ÁUDIO | FERNANDO FREIRE, PRESIDENTE CM VN BARQUINHA:

Portugal tem atualmente seis focos de infeção pela gripe das aves. Os dois primeiros focos foram detetados em 01 de dezembro, numa capoeira doméstica em Palmela, e em 23 de dezembro, numa exploração de perus em Óbidos, com cerca de 18 mil aves, existindo “uma ligação” entre essa exploração e o terceiro foco detetado em 30 de dezembro, e confirmado no dia seguinte, em Vila Nova da Barquinha, numa exploração com cerca de seis mil perus.

No dia 04 de janeiro foi detetado um quarto foco de gripe aviária numa exploração de galinhas e patos em Santiago do Cacém, distrito de Setúbal, e no dia seguinte foi confirmado um quinto foco em Alpiarça, num ganso selvagem, a que se junta esta semana um sexto foco, em Peniche, detetado numa gaivota.

A DGAV lembrou que “não existem evidências de que a gripe aviária seja transmitida para os humanos através do consumo de alimentos”, como carne de aves de capoeira ou ovos, salientando que “na origem da doença estará a regular migração de aves selvagens na Europa, provenientes da Ásia e do leste da Rússia, que têm permitido a circulação viral e a sua transmissão a longas distâncias”.

Face à “situação epidemiológica atual”, a DGAV defendeu ser importante “cumprir e reforçar” as regras de biossegurança, assim como as boas práticas de produção avícola, evitando contactos entre aves domésticas e selvagens.

“É ainda de extrema importância a notificação imediata de qualquer suspeita, de forma a permitir uma rápida e eficaz implementação das medidas de controlo da doença”, acrescentou.

A notificação de mortalidade de aves selvagens pode ser feita através da aplicação ANIMAS (http://animas.icnf.pt).

c/LUSA

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Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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