Questionado pelo mediotejo.net sobre as mais valias da localização de um aeroporto de uso civil e militar no seu território, o presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freire, disse que “uma infraestrutura com as características do aeródromo de Tancos não existe em mais nenhuma parte do país”.
Profundo conhecedor das instalações militares instaladas no seu concelho, Fernando Freire é um defensor acérrimo que o potencial da base aérea de Tancos (Vila Nova da Barquinha) poderá servir os interesses regionais e nacionais.

Numa altura em que discutem várias localizações para um novo aeroporto, perguntámos ao atual autarca e ex- militar da Força Aérea, quais as mais-valias que destaca para esta reivindicação.
Fernando Freire – Antes de responder façamos, neste tempo, uma singela abordagem ao discurso politico quer do Governo quer do Presidente da República. Sua Excelência o Presidente da República defendeu, recentemente, uma meta de cinco anos, até 2023, para resolver o problema das desigualdades entre litoral e o interior, sob pena de o país falhar como um todo. O Governo, por sua vez, no seu programa assumiu como objetivo prioritário a afirmação do interior, e das zonas de baixa densidade como um aspeto central do desenvolvimento económico e da coesão territorial, promovendo uma nova abordagem de aproveitamento e valorização dos recursos e das condições próprias do território enquanto fatores de desenvolvimento e competitividade.
Outrossim, o Programa Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030) prevê a requalificação e melhoria de eficiência e níveis de serviço na rede aeroportuária do país.
Feito este enquadramento político verificamos que não existe no país, repito, não existe no país, uma infraestrutura aeronáutica com as características de Tancos e onde “a bota bate com a perdigota” no discurso dos nossos órgãos de soberania!
Vejamos: Servidões aeronáuticas já constituídas (1ª Servidão com 3,26 Km2 e 2ª Servidão com 6, 18 km2); espaço aéreo livre; 2 pistas com 2440 e 1200m de comprimento, respetivamente; terrenos adjacentes desocupados para futura ampliação; excelentes níveis anuais de visibilidade; centralidade geográfica; zona de baixa densidade; unidades militares instaladas para situações de emergência e catástrofe; rede de autoestradas e itinerários principais ao seu lado, A13 e A23; linha confinante de caminho-de-ferro eletrificada (linha do norte e do leste), e onde os custos financeiros, como é público e notório, seriam desmesuradamente inferiores a qualquer outra solução.
Uma infraestrutura com as características referidas acima não existe em mais nenhuma parte do país.
A sua requalificação e a transformação em aeroporto regional permitiria dar resposta adequada ao turismo religioso com especial enfoque em Fátima, ao turismo cultural e de lazer e permitiria uma penetração no mercado internacional das nossas empresas regionais aqui presentes: indústria automóvel, curtumes; têxteis, exploração florestal, madeira, mobiliário, papel, reivindicação à muito sufragada pelos nossos empresários de toda a região do Médio Tejo e Lezíria do Tejo e serviria toda a região do Alto Alentejo e Beira Baixa.
Municípios do Médio Tejo defendem “mais valias únicas” de aeroporto regional em Tancos
Os 13 autarcas da região do Médio Tejo reiteraram na sexta-feira, dia 17 de janeiro, as “mais valias únicas” da criação de um aeroporto regional em Tancos (Vila Nova da Barquinha), tendo deliberado, por unanimidade, solicitar uma reunião urgente ao Ministro das Infraestruturas.
Em declarações à Lusa, o secretário-executivo da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), Miguel Pombeiro, disse que esta posição “pretende fazer vincar as mais valias únicas de uma estrutura aeronáutica que já existe, que tem condições únicas em termos estratégicos e geográficos e que está subaproveitada”.
O responsável apontou ainda para uma “relação custo-benefício, em termos de análise de eventual investimento, de retorno único e imbatível”.

Em comunicado, a CIMT dá conta que os autarcas da região “querem obter uma definição política clara e objetiva sobre o aeródromo de Tancos, uma infraestrutura aeronáutica essencial para a região do Médio Tejo e para o interior”, sobre a qual, “desde há largos anos, se tem vindo a equacionar a pertinência de aproveitamento, conjugando funções militares e civis, para criação de um aeroporto regional”.
A ex-Base Aérea n.º 3 da Força Aérea está dotada de duas pistas de 2.440 metros e 1.200 metros de comprimento, respetivamente.
“Ambas apresentam grande potencial, contudo, carecem de intervenções urgentes nas infraestruturas aeronáuticas adjacentes”, realça a mesma nota da CIMT, que defende que “uma intervenção, com a conservação ou criação de novas infraestruturas tendo em vista o desenvolvimento da região e da coesão nacional, contribuiria para atenuar assimetrias de desenvolvimento” em zonas de baixa densidade.
“Esta tomada de posição não é contra ninguém, antes visa chamar a atenção para uma infraestrutura existente e obter uma definição clara de quem de direito se vamos assistir à degradação deste potencial instalado ou se vamos valorizar a infraestrutura”, frisou Pombeiro.
No comunicado, os autarcas recordam que o atual Aeródromo Militar de Tancos é gerido pelo Exército Português e defendem que a criação de um aeroporto regional “permitiria dar resposta adequada a atividades empresariais, militares, de turismo cultural, de lazer e religiosas, que há muito se reclamam”.
Para os autarcas, um aeroporto regional “permitiria ainda uma penetração no mercado internacional das empresas da área da indústria automóvel (em Abrantes), curtumes (Alcanena), têxteis, exploração florestal, madeira, mobiliário (Sertã, Mação e Vila de Rei) e papel (em Constância e Torres Novas)”.
Fazendo notar a presença de infraestruturas ferroviárias em Almourol, Tancos e no Entroncamento (linha do Leste e do Norte), da plataforma logística na região (Riachos-Torres Novas-Entroncamento) e de duas estradas confinantes (A23 e a A13), os autarcas do Médio Tejo defendem que “a abertura de um aeroporto civil-militar em Tancos permitiria alavancar a dinâmica económica de toda região e o potencial turístico dos milhões de passageiros que se dirigem a Fátima”.

Com uma população na ordem dos 250 mil habitantes, a CIMT é composta pelos municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Sertã, Tomar, Torres Novas, Vila de Rei e Vila Nova da Barquinha.
