O Médio Tejo vai ter uma Unidade Local de Saúde (ULS) a partir de janeiro de 2024. A Unidade resultará da extinção do ACES e do CHMT, e deixar a cargo de uma única organização a gestão dos cuidados de saúde primários e os cuidados de saúde hospitalares na região, anunciou em abril a Direção Executiva do SNS.
Contudo, a unidade territorial deverá sofrer alguns ajustes, com a provável integração de Ourém na ULS de Leiria, e com os municípios de Golegã, Gavião, Ponte de Sor e Vila de Rei a integrarem a ULS Médio Tejo, a exemplo do que hoje sucede no CHMT. Para tal deve haver manifestação de tal interesse, por via de aprovação, por exemplo, em sede de Assembleia Municipal, o que já sucedeu em Vila de Rei.
“Já tivemos uma reunião com o Centro Hospitalar do Médio Tejo e tinham a moção aprovada na última Assembleia Municipal” onde consta” que todos os serviços de saúde deverão passar para o CHMT por isso a minha palavra também já está dada porque o Partido Social Democrata votou favoravelmente esse moção”, disse o presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, aos jornalistas, à margem da reunião de executivo camarário no dia 5 de maio.
Embora ainda não tenha reunido com o ministro da Saúde, como estava programado, Ricardo Aires esclarece que, até janeiro de 2024, Vila de Rei pertence à ULS de Castelo Branco. O autarca assegura, no entanto, ter “garantias” da administração do CHMT que “todos os utentes de Vila de Rei podem ir aos hospitais do Centro Hospitalar do Médio Tejo”.
Ricardo Aires voltou a referir que apesar do concelho integrar agora a Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa e pertencer ao distrito de Castelo Branco, Vila de Rei está a 90 km de Castelo Branco enquanto está a cerca de 25 km de Abrantes e a 34 km de Tomar.
Vila de Rei “quer ir com todos os serviços para o Centro Hospitalar do Médio Tejo, mesmo pertencendo à Beira Baixa que nos impuseram”, sublinhou Ricardo Aires, tendo feito notar que o Município quer também ter tal decisão “por escrito” até ao dia 1 de janeiro de 2024.
A administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) já confirmou a decisão da criação da ULS, tendo referido que, “nos próximos meses, perspetiva-se a realização prévia de um conjunto de trabalhos de preparação, entre o Centro Hospitalar juntamente com o Agrupamento de Centros de Saúde e as autarquias do Médio Tejo, com vista à elaboração de todos os normativos e estudos necessários para esta reforma organizacional”.
A criação da Unidade Local de Saúde do Médio Tejo vai obrigar à nomeação de um Conselho de Administração, com os atuais responsáveis do CHMT, Casimiro Ramos, e do ACES Médio Tejo, Diana Leiria, a cessarem funções por força da extinção daquele modelo organizacional, mas a poderem ser reconduzidos pela Direção Executivo do SNS para a ULS.
O atual Conselho de Administração do CHMT é composto por cinco elementos, passando a ULS a ser gerida por seis pessoas, sendo mais um indicado pela CIM Médio Tejo, passando a ULS a contar com dois diretores clínicos, um dos quais para os cuidados primários.
Quanto a médicos de família Vila de Rei, segundo o presidente da Câmara, tem neste momento “1.940 pessoas sem médico de família” estando “um médico no concelho a tempo inteiro, que está de baixa, e temos uma médica a fazer 8 horas por semana” em regime de prestação de serviços no centro de saúde de Vila de Rei, encontrando-se a Extensão de Saúde da Fundada encerrada.
O Município disponibiliza transportes gratuitos, à terça-feira e quinta-feira, para a deslocação de utentes até ao Centro de Saúde de Vila de Rei. E ainda diariamente disponibiliza os autocarros e carrinhas que fazem o transporte escolar, consoante a disponibilidade de lugares.
