A Câmara de Vila de Rei quer a atribuição do estatuto de “Conjunto de Interesse Nacional ou Público” às conheiras existentes no concelho, tendo formalizado um protocolo com o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) para suporte técnico especializado.
O protocolo de cooperação assinado no final de junho com o IPT “pretende criar condições para inserir as conheiras” – minas de exploração de ouro a céu aberto – “num Plano Especial de Ordenamento do Território com vista à classificação de Conjunto de Interesse Nacional ou Público”.
As conheiras são “visíveis nas margens da ribeira do Codes e do rio Zêzere, constituindo amontoados de enormes conhos” (seixos) resultantes da exploração do ouro por aluvião, presumivelmente na época romana e anteriores, tendo Vila de Rei um conjunto mínimo de 52 conheiras identificadas no seu território.
ÁUDIO: RICARDO AIRES, PRESIDENTE CM VILA DE REI:
Segundo o protocolo assinado, o IPT vai agora “preparar um relatório detalhado das atividades já desenvolvidas a nível do levantamento arqueológico, ambiental e geológico das conheiras” de Vila de Rei, para que a autarquia possa “elaborar um dossier de candidatura à sua classificação como ‘Conjunto de Interesse Nacional ou Público’ junto da Direção Regional da Cultura do Centro.
O protocolo prevê ainda um quadro de cooperação institucional entre as duas entidades, como a possibilidade do IPT ministrar ciclos de estudos e ações de formação no concelho de Vila de Rei, divulgação da oferta de formação de Técnicos Superiores Profissionais (de Licenciatura e Mestrado) junto da comunidade escolar ou a cedência mútua de espaços para a realização de atividades de ensino e formação a desenvolver em Vila de Rei ou nas instalações do IPT, em Tomar e Abrantes, no distrito de Santarém.
Numa segunda fase, a autarquia pretende construir um Centro de Interpretação, que promova o estudo mais aprofundado das cerca de 52 conheiras atualmente identificadas e que possibilite a valorização e promoção turística.

“A introdução das conheiras num Plano Especial de Ordenamento do Território é um passo essencial para que consigamos garantir a devida preservação e conservação destas realidades arqueológicas”, afirmou o presidente da Câmara de Vila de Rei, Ricardo Aires, para quem que o IPT “será um aliado importantíssimo neste processo, através das suas valências técnicas e científicas nas áreas da arqueologia, conservação e gestão do território”.

O presidente do Politécnico de Tomar, por sua vez, disse que a assinatura deste protocolo “representa mais um passo importante para a concretização da missão do IPT de desenvolvimento do território em articulação com as diversas autarquias”, tendo João Coroado acrescentado que a classificação das conheiras de Vila de Rei como ‘Conjunto de Interesse Nacional ou Público’ “representa uma mais-valia quer para o município, quer para o IPT quer para a própria Região”.
Os vestígios da exploração de ouro em Vila de Rei ocupam toda a zona centro e sul do concelho, e ocupam uma área de cerca de metade de um total de 194 quilómetros quadrados que constituem aquele município do distrito de Castelo Branco.
C/LUSA
