O município de Vila de Rei quer aumentar para 44% os níveis de captura de biorresíduos já em 2023, contra os atuais 20%, numa estratégia hoje apresentada e que aposta num modelo de recolha por proximidade.
“A escolha pelo modelo de recolha por proximidade, com uma densa rede de pontos de deposição igual ao número de contentores de indiferenciados [480 unidades de 120 litros], permitirá uma elevada abrangência das famílias residentes e visitantes”, é referido no estudo hoje apresentado, que aponta para uma “efetiva captura de cerca de 44% dos biorresíduos logo em 2023, quantificando-se em 184 toneladas”.
Tendo em conta as especificidades do município de Vila de Rei, com baixa densidade populacional – cerca de 3.500 habitantes dispersos por uma área territorial de 191 km2 -, o melhor método para “evitar o envio para aterro” passa pela “recolha de proximidade no setor doméstico, com a colocação de contentores na via pública em igual número aos atuais”, modelo que vai servir todo o concelho a par com a recolha de indiferenciados.
Para o setor não doméstico, como restaurantes, cafés, cantinas ou instituições de solidariedade social, será privilegiada a “recolha porta a porta dedicada”, é indicado no Estudo Municipal para o Desenvolvimento de Sistemas de Recolha de Biorresíduos de Vila de Rei e que decorre da obrigatoriedade imposta pela União Europeia de, até dezembro de 2023, todos os Estados-membros assegurarem a separação e reciclagem na origem de biorresíduos.
No documento, elaborado pela empresa Ecochoice em articulação com o município e a sociedade civil, é referido que será necessário um investimento na ordem dos 230 mil euros, cerca de 66 euros por habitante, para implementar, já a partir de 2022, aquele método de recolha, aliado à compostagem doméstica e comunitária, num processo que vai “permitir aportar cerca de 50 toneladas de fertilizante para utilizar na floresta e na agricultura”, num concelho marcado pelos incêndios e erosão dos solos.
No trabalho é defendido que a meta de recolher, até 2027, “quase 70%” dos biorresíduos (resíduos de matéria orgânica, como alimentos, que podem ser decompostos por completo) é um “objetivo tão ambicioso quanto necessário à evolução para uma economia mais circular”.
A sensibilização é apontada como “uma peça importante da mudança necessária” nos hábitos de separação de lixo, pelo que o estudo prevê um investimento de 79 mil euros até 2030 em ações de sensibilização.
Em declarações à Lusa, o vice-presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, Paulo César, disse que o estudo permite “identificar as melhores soluções a implementar, com o intuito de assegurar que os biorresíduos são separados e reciclados na origem ou recolhidos seletivamente com a máxima eficiência”, salientando que a diluição de custos de investimento terá de ser visto numa ótica de médio e longo prazo.
“Não é um custo, é um investimento, e a recolha seletiva de biorresíduos e a sua valorização resultará em benefícios económicos globais evitando em paralelo os custos e impactos decorrentes da necessidade de eliminação deste tipo de resíduos”, afirmou Paulo César.
Esta estratégia de desenvolvimento, acrescentou, “vem consolidar, implementar e dar continuidade à implementação de vários projetos de incentivo à reciclagem e de redução de resíduos em aterro”.
“É a própria população que o exige, como demonstram os extraordinários níveis de reciclagem por habitante”, sublinhou o autarca, assegurando que o município quer “continuar a dar o exemplo, mas, sobretudo, a potenciar as melhores práticas e assegurar a melhor qualidade de vida a todos os vilaregenses” e a todos os visitantes.
A apresentação do modelo de recolha de biorresíduos (sobras de refeições, cascas de frutas e legumes, folhas e ervas do jardim) surge como “resposta à diretiva comunitária que estabelece a obrigatoriedade de os Estados-membros assegurarem, a partir de 01 de janeiro de 2024, que os biorresíduos são separados e reciclados na origem ou recolhidos seletivamente”, recordou.
