Esta quinta-feira, dia 21 de abril, foi apresentado o Plano de Desenvolvimento Turístico do Concelho de Vila de Rei, uma estratégia desenhada para implementação de ações e iniciativas até 2030. O objetivo é consolidar a marca turística de Vila de Rei, desenvolvendo capacidades para um maior aproveitamento das potencialidades e mais-valias do território.
O documento que traça uma estratégia com o horizonte de 2030 para tornar o concelho um “destino de referência”, pretende “posicionar Vila de Rei como destino turístico singular e glocal, que permita experiências diferenciadoras durante todo o ano, alinhado com a natureza, com a cultura e com as pessoas, estimulando um turismo sustentável, acessível e inclusivo com recurso às tecnologias de informação e comunicação”.
Para tal, a estratégia passa por “organizar e melhorar a oferta turística, afirmando um turismo que reforce a qualidade dos produtos turísticos no município e desenvolva novos produtos de qualidade, combater o fenómeno da sazonalidade e fidelizar a procura, através da criação de um produto turístico integrado e melhorar a performance comunicacional do território baseada nos atributos qualificadores: sossego, bem-estar, acessibilidade, sustentabilidade”.
Para a autarquia este é um momento da maior importância, pois representa o primeiro passo num novo caminho de dinamização e promoção integrada do território vilarregense em termos turísticos, cujos resultados irão surgindo até 2030, por diversas fases consoante as linhas de intervenção pensadas.

Durante a sessão de abertura o vice-presidente da autarquia, Paulo César Luís, sublinhou o risco de incêndios florestais e o histórico dos últimos anos como uma das fragilidades do território, fatores que assombram a dinamização turística.
“É extremamente difícil vender um território quando ele está queimado. Mas nunca desistimos, e julgámos que estava na hora de darmos um salto em frente”, disse, acrescentando que esse salto representa “a necessidade obrigatória de todos os agentes turísticos se unirem, todos os agentes turísticos darem as mãos, e não continuarmos a trabalhar como até aqui, que é cada um por si”, notou.
O autarca destacou o trabalho da equipa coordenada pela docente Paula Reis, do Instituto Politécnico de Castelo Branco, juntamente com outros especialistas da Universidade de Évora, referindo que este procederam a “análise crítica sobre as potencialidades, os pontos fortes, as ameaças que se apresentam à nossa estratégia e ao nosso concelho”, sendo que o trabalho realizado pretende dar indicadores sobre “como trabalhar e que caminho seguir” no futuro.
Paulo César Luís destacou que o Município de Vila de Rei “tem um conjunto de iniciativas preparadas para a área turística, é esse o caminho que queremos seguir mas queremos que seja consubstanciado com um plano integrado e com a ajuda de todas as entidades”.
Na ocasião reforçou a importância dos operadores turísticos terem participado, referindo serem “os elementos principais nesta estratégia”.
“Espero sinceramente que este seja o primeiro passo para, definitivamente, todos nós percebermos que só conseguimos caminhar mais longe e com maior rapidez se trabalharmos juntos. É esse o objetivo desta apresentação, é esse o grande desafio que foi colocado a todos nós. Espero que estejamos todos à altura desse desafio”, sublinhou.
Em representação da Turismo do Centro, Suzel Santos frisou a importância de existir “uma linha orientadora para conduzir a estratégia” do concelho.

“Sem dúvida que Vila de Rei ocupa um espaço especial, porque está no centro do centro de Portugal”, disse, notando que o presidente da Turismo do Centro, Pedro Machado, referencia sempre esta condição.
Entre os eixos e princípios defendidos pelo estudo e documento estratégico apresentados, Suzel Santos destacou alguns dos que estão alinhados com os do Turismo de Portugal e da Turismo do Centro, caso da “sustentabilidade, a coesão territorial, as parcerias públicas e privadas, a parte do planeamento e da concretização efetiva das ações a que se propõem fazer, sempre na procura de um turismo melhor e mais sustentável”.
Deu indicação do lançamento do Observatório do Turismo Sustentável, “um instrumento à disposição dos empresários e dos municípios para recolher contributos e dar elementos sobre as novas tendências, as novas procuras, e ao fim ao cabo o que são os elementos cruciais no momento que se vive atualmente em Portugal”.
Falando das caraterísticas de Vila de Rei enquanto destino turístico, mencionou tratar-se de “um destino de natureza de uma bela ímpar, com água, com percursos pedestres, com cultura, com gastronomia, tem um elemento diferenciador que é o wakeboard, que é algo que poderá abrir portas para além de Portugal”.
Falou também na “tendência de movimento e procura do turismo interno devido à pandemia”, mas que se pretende voltar à normalidade, com números idênticos aos que já se verificaram na Páscoa em termos de movimentos turísticos.
A mesma responsável sublinhou ser importante manter aquilo que são os produtos locais, a identidade cultural e o que é endógeno, mas que é também necessário “reinventar para alcançar o público”, tendo demonstrado disponibilidade da Turismo do Centro para colaborar na implementação de sucesso deste plano estratégico.

Entre as demais entidades e instituições representadas, também a Direção-Geral do Território marcou presença, destacando o trabalho que tem sido feito na manutenção e promoção do Museu de Geodesia e do Centro Geodésico/Picoto da Melriça, tendo ficado sublinhada a necessidade de fazer evoluir aquele museu com duas décadas de existência, apetrechando-o com conteúdos, materiais e equipamentos que possam acompanhar a evolução dos tempos e torná-lo mais apelativo e moderno. Uma situação que poderá ocorrer a longo prazo consoante a disponibilidade de recursos humanos da DGT, conforme indicou a responsável presente na iniciativa.
Durante a apresentação, Paula Reis, coordenadora do Plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico para o concelho de Vila de Rei – 2030, justificou que o mesmo nasceu do reconhecimento por parte da autarquia da “ausência de um instrumento de planeamento na área do turismo para enfrentar os desafios que se colocam ao setor a nível nacional, regional e local”.
“Não queríamos um plano para ficar na gaveta, queríamos um plano para pôr em prática”, sublinhou.
A investigadora deu conta do trabalho desenvolvido no terreno durante a pandemia, tendo sido dividido por fases distintas, entre as quais foi feito um diagnóstico estratégico e uma auscultação e prospeção junto dos atores do sistema turístico vilarregense. Entra-se agora na terceira fase, com a entrada em marcha do Plano Estratégico, que culminará em 2030 com a consolidação da marca Vila de Rei enquanto destino turístico.

Esta marca relevará os pontos fortes, entre os quais se enumeram “vários cursos de água e um plano de água relevante (Albufeira de Castelo do Bode); diversidade vegetal e animal; EN 2; vasta arquitetura vernacular; existência de uma cozinha local rica; aproveitamento dos produtos agrícolas; diversidade e desconcentração de eventos; integração de redes de oferta turística”.
Mas aqui surgem também as fragilidades detetadas e onde se pretende atuar cirurgicamente, destacando-se como pontos débeis “a extensa área de eucalipto e pinheiro (que ameaça a qualidade paisagística e a biodiversidade) e aumento do risco de incêndio; desaproveitamento do património e manifestações/eventos culturais; reduzido número de bens patrimoniais classificados; falta de valorização da gastronomia e dos produtos locais; ausência de alojamento, em quantidade e qualidade; reduzido tempo de permanência dos hóspedes (2 noites); forte sazonalidade do turismo (julho-setembro)”.
Surgem também desafios, onde se destacam “debilidades na oferta hoteleira e a ainda reduzida diversidade das iniciativas empresariais mais deslocadas para jusante na cadeia de valor do setor; fraco aproveitamento dos agentes privados para a utilização dos fundos públicos no domínio do turismo; significativa concorrência de destinos turísticos próximos e de características semelhantes”.
Ainda assim, refere o plano estratégico, que existem oportunidades a aproveitar, caso da “aposta no turismo interno como fator de competitividade; proximidade com o mercado espanhol; condições favoráveis para a promoção e desenvolvimento de um envelhecimento ativo e saudável na região; aumento do interesse pelo turismo de natureza; aposta no turismo, na saúde e bem-estar, floresta e agricultura; valorização dos ativos e recursos diferenciadores da região”.

Em termos práticos, defende-se a implementação de um plano de ação com diversas iniciativas e programas, que passam pela qualificação territorial, proteção e aproveitamento dos recursos, promoção e comunicação do destino e monitorização e avaliação.
Quanto à coordenação do plano e gestão do mesmo, passa pela Câmara Municipal de Vila de Rei e equipa de acompanhamento da academia do IPCB e Universidade de Évora, sendo que o modelo de governança estabelece ou reforça parcerias com entidades externas ou supramunicipais para a prossecução dos objetivos e ações previstas para dinamização.
A ideia é fazer crescer ainda mais e consolidar os mercados-alvo de Vila de Rei e região Centro, onde se inclui não só o turista nacional, como Espanha, França, Reino Unido e Alemanha, mas também diversificar com especial enfoque nos mercados em crescimento e com potencial alcance para as atividades de natureza, náuticas e culturais cujas caraterísticas económicas são relevantes, caso do Brasil, Estados Unidos, Itália, países nórdicos como Noruega, Dinamarca e Suécia, e Países Baixos.

A aposta continua a centrar-se nos produtos turísticos de excelência que o território de Vila de Rei tem para oferecer, nomeadamente no segmento de Turismo de Natureza e turismo ativo, bem como turismo náutico, aos quais se junta o turismo cultural como produto complementar.
Daqui surgem produtos turísticos emergentes, onde se pretende aproveitar oportunidades de crescimento e evolução de acordo com as tendências, ajustadas a turismo de eventos, autocaravanismo, novas tendências de estilos de vida saudáveis e turismo de bem-estar e também turismo rural.
A apresentação do Plano Estratégico 2030 culminou com uma “ação de charme” no Centro Geodésico, promovida por uma visita técnica, onde se propiciaram as interações e divulgação de empresas do setor do turismo que operam em Vila de Rei e que se pretende que, de agora em diante, ajam de forma integrada e concertada em prol de um objetivo comum, o desenvolvimento turístico e o crescimento do concelho como um todo.







