Seminário Ouro Líquido debate o futuro do olival tradicional. Foto: DR

O Lagar de Vila de Rei, situado na Zona industrial do Souto, fechou a campanha de 2021 com resultados muito positivos, tendo sido atingido o número máximo de utilizadores do concelho. A autarquia mostra-se agradada com o facto, uma vez que se trata de uma “aposta ganha” com a estratégia a dar frutos localmente, objetivo que norteou a criação do lagar desde 2014. Ricardo Aires, presidente da Câmara vilarregense, nota que estes são bons indicadores, uma vez que a comunidade opta por cuidar dos seus terrenos, colher a azeitona e transformá-la com a produção de azeite, estando por isso a trabalhar num gesto de silvicultura preventiva do território, defendendo-o do risco de incêndios florestais que assolam, ano após ano, o concelho.

Na campanha de 2021, segundo o relatório de atividade, registou-se a maior adesão da comunidade local ao lagar para transformar azeitona, situação que deixa “muito satisfeito” o autarca Ricardo Aires, pois aquele equipamento está a cumprir com o seu primeiro propósito: servir a população de Vila de Rei e da área envolvente.

ÁUDIO | Ricardo Aires, presidente da CM Vila de Rei

Ricardo Aires crê que estes dados estão a indicar que, no futuro, o lagar possa ter de evoluir, acompanhando a procura, uma vez que aumenta a adesão dos produtores porque também aumenta a extensão de olival no concelho.

Lagar e destilaria municipal, na Zona industrial do Souto, em Vila de Rei. Foto: CMVR

Esta situação deve-se também ao regulamento municipal de estímulos ao investimento na secção de apoio à plantação de árvores, onde o Município comparticipa conforme critérios de elegibilidade, a plantação de espécies autóctones e resilientes, caso da oliveira galega e do medronheiro, e excluindo plantação de eucaliptos.

Por outro lado, recordou o edil, o município tem ainda a dinamização da marca de azeite municipal, “Produto d’el Rey”, que conta com certificação ‘Azeite da Beira Baixa DOP’, cujo excedente é comprado aos produtores locais através de parcerias particulares, usando apenas azeite produzido e selecionado no Lagar Municipal. Este azeite está disponível a nível local, em restaurantes, supermercados e museus/lojas de produtos endógenos, sendo um produto gourmet pelas suas características e qualidades.

Marca municipal de azeite, promovida pelo Município de Vila de Rei. Foto: CMVR

Segundo a autarquia, no sétimo ano de laboração do lagar, a campanha de 2021 “ficou marcada pelo maior número de sempre a nível de produtores do concelho de Vila de Rei a utilizarem os serviços do Lagar, representando 61,7% da azeitona recebida”.

Verifica-se assim “um aumento exponencial de produtores vilarregenses em relação aos últimos anos, demonstrando a aposta ganha com a criação do lagar e o consequente incentivo para que a população local possa tirar o máximo proveito dos seus terrenos agrícolas, tendo as condições perfeitas para a transformação da azeitona em azeite”, pode ler-se em informação da autarquia.

Na última campanha o lagar trabalhou ao longo de 62 dias, “tendo registado a entrada de 1.209.023 quilos de azeitona, que deram origem a 174.328 litros de azeite e a uma taxa de fundição média de 14,42%”, valores que apenas são superados pelos de 2017, sendo por isso os segundos melhores resultados desde a abertura do lagar em 2015.

Em relação à campanha de 2020, verifica-se um aumento significativo, pois deram entrada  410.740 quilos de azeitona e foram produzidos 48.932 litros de azeite com uma taxa de fundição de 11,91%.

Este foi um ano com muita azeitona, aumentando a produção de azeite. Créditos: Unsplash

Em termos contabilísticos, a campanha do Lagar de Vila de Rei registou neste ano, perante a campanha de 2021, “uma receita de 82.636,37€ (referente ao serviço de moagem) e uma despesa corrente de 56.952,77€ (despesas com pessoal, energia, telecomunicações, alarme e videovigilância, materiais diversos, entre outros), resultando num resultado positivo de 27.573,73€”.

A larga maioria dos utilizadores é proveniente do concelho de Vila de Rei (61,7%), mas também constam dos utilizadores do lagar vários produtores de Proença-a-Nova, Sertã, Sardoal, Abrantes, Mação, Ferreira do Zêzere, Oleiros, Vila Velha de Ródão, Castelo Branco, Entroncamento, Setúbal, Ponte de Sor, Portalegre, Crato e Vila Viçosa.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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