Utentes levam protesto contra unidade de biometano às ruas do Entroncamento. Foto: DR

As Comissões de Utentes dos Serviços Públicos do Médio Tejo promovem esta sexta-feira uma arruada no Entroncamento contra a localização de uma unidade de biometano em Árgea, Torres Novas, prometendo manter a contestação enquanto aguardam uma decisão sobre o projeto.

“Sabíamos que ia ser duro e longo. O que dizemos é que não podemos desistir nem baixar a guarda”, disse o porta-voz das comissões de utentes, Manuel Soares, a poucas horas da iniciativa.

No Entroncamento, a arruada decorrerá entre as 18:00 e as 19:30, com partida e chegada ao Largo da Câmara Municipal, procurando levar a contestação às zonas onde, naquele horário, se concentra população que sai do trabalho e frequenta o comércio.

“O que vamos fazer amanhã tem a ver com passear e manifestar publicamente as nossas razões junto de um vasto conjunto de população que trabalha e habita no concelho do Entroncamento”, afirmou Manuel Soares.

A iniciativa dá continuidade às ações realizadas nos últimos meses contra a localização proposta para a unidade, incluindo reuniões, vigílias, contactos com entidades e um abaixo-assinado com mais de 6.000 assinaturas.

Manuel Soares reiterou que as comissões não contestam a produção de biometano, mas defendem que unidades desta dimensão não sejam instaladas junto a zonas habitacionais.

O projeto da Gasdaterra – Sociedade de Reconversão de Resíduos Agrícolas em Energia prevê uma unidade na União das Freguesias de Olaia e Paço, concelho de Torres Novas, destinada a produzir biometano através da digestão anaeróbia de resíduos orgânicos, com capacidade para tratar cerca de 100 mil toneladas por ano.

Os opositores têm apontado preocupações relacionadas com a proximidade às habitações, circulação de veículos pesados, consumo de água, odores, qualidade do ar e possíveis impactos nas linhas de água e na qualidade de vida das populações.

Segundo Manuel Soares, a unidade poderá receber diariamente cerca de 300 toneladas de resíduos, implicando, de acordo com as estimativas dos contestatários, a circulação de dezenas de camiões.

“Para resolver problemas não venham criar outros problemas”, afirmou, defendendo que este tipo de infraestrutura deve ficar afastado dos aglomerados populacionais.

Utentes levam protesto contra unidade de biometano às ruas do Entroncamento. Foto: DR

A consulta pública promovida pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) decorreu entre 13 de maio e 03 de julho e já dispõe de relatório de participação pública, estando o procedimento ambiental ainda sem decisão final publicada.

Manuel Soares disse que as comissões vivem agora “uma fase de expectativa pela decisão das entidades competentes”, mas querem continuar a marcar publicamente posição para que a oposição ao projeto permaneça presente no processo.

O dirigente referiu ainda contactos com autarcas e forças políticas da região e afirmou que todas as autarquias do Médio Tejo foram convidadas para a arruada, estando prevista a possibilidade de intervenções públicas no final da iniciativa.

A contestação já levou órgãos autárquicos de Torres Novas e Entroncamento a aprovarem posições contra a localização da unidade, tendo a Assembleia Municipal do Entroncamento pedido uma Declaração de Impacte Ambiental desfavorável.

As comissões promovem ainda, no dia 25, em Torres Novas, um debate sobre problemas ambientais do concelho, incluindo o projeto de biometano, com Manuel Soares a defender a criação de uma plataforma ambiental de trabalho regular.

c/Lusa

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