Seis meses após tempestade Kristin, falhas nas telecomunicações continuam a afetar Médio Tejo. Foto: DR

A Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Médio Tejo (CUSPMT) anunciou hoje uma mobilização popular pela reposição e melhoria das telecomunicações, seis meses após a tempestade Kristin ter deixado infraestruturas danificadas na região.

“Não é só por terem passado seis meses sobre a tempestade, é por verificarmos que muito está por fazer e o nosso receio que daqui por seis ou 12 meses ainda haja situações por resolver em termos de comunicações e outros serviços”, disse hoje o porta-voz da CUSPMT, Manuel Soares.

A estrutura de utentes, com sede em Torres Novas, anunciou a distribuição de um documento reivindicativo, através do qual pretende chamar a atenção para problemas que, segundo a comissão, persistem em diferentes pontos do Médio Tejo, quer ao nível dos serviços, quer das infraestruturas de telecomunicações.

“Há concelhos onde a situação é mais problemática”, afirmou Manuel Soares, apontando casos em que os serviços ainda não foram restabelecidos e outros em que as infraestruturas permanecem danificadas, afetando a qualidade dos serviços atualmente prestados.

A CUSPMT considera que a situação não se resume aos danos provocados pela tempestade, defendendo a necessidade de uma intervenção mais abrangente nas infraestruturas de telecomunicações de todo o Médio Tejo.

No abaixo-assinado, os promotores afirmam que continuam a existir habitações sem ou com acesso deficiente a telefone, televisão por cabo e internet, situação que afeta a comunicação, o acesso à informação, o trabalho, o ensino e outros serviços indispensáveis ao quotidiano.

A petição reivindica a “reposição ou melhoria urgente” dos serviços afetados, “informação clara e transparente” sobre os prazos de resolução, “investimento em infraestruturas mais modernas, resistentes e fiáveis”, e uma “melhoria efetiva da qualidade dos serviços” prestados aos consumidores.

Manuel Soares apontou Ourém, Tomar, Torres Novas, Abrantes e Mação como alguns dos concelhos onde são identificados problemas, sublinhando que a situação é visível para quem percorre as estradas da região.

“Há postes que estão em pé porque se apoiam nos fios, há fios pelo chão, há fios cortados”, descreveu, acrescentando que existem situações em que postes e cabos caídos condicionam o acesso a caminhos rurais e outras em que postes permanecem em risco de cair para faixas rodoviárias.

Nas zonas urbanas, a CUSPMT identifica ainda problemas relacionados com os bastidores das redes, incluindo portas abertas e equipamentos deslocados, além da acumulação de centenas de cabos, alguns dos quais, segundo o porta-voz, poderão não ser utilizados há décadas.

“Há todo um trabalho nas infraestruturas e na melhoria da qualidade dos serviços que é preciso ser feito”, defendeu.

A comissão alerta também para os riscos associados à proximidade entre infraestruturas de telecomunicações e de energia elétrica, considerando que a persistência das situações identificadas pode afetar a segurança e a continuidade de serviços essenciais.

“Se esta situação não for resolvida, podemos não ter energia elétrica, não ter telecomunicações, que fazem parte hoje do dia a dia das pessoas e são serviços públicos essenciais”, afirmou.

A CUSPMT disse ainda ter recolhido material fotográfico sobre situações identificadas, numa tentativa de pressionar para que sejam resolvidos e evitar que se mantenham ou voltem a ocorrer em futuras situações meteorológicas adversas.

O documento considera que a ocorrência da tempestade demonstrou a “fragilidade das infraestruturas” e que essa vulnerabilidade pode continuar a comprometer a fiabilidade das comunicações.

O abaixo-assinado estará disponível para consulta e assinatura em 300 locais dos 11 concelhos do Médio Tejo até ao final do mês, sendo posteriormente enviado ao Ministério das Infraestruturas, com conhecimento à Assembleia da República, às autarquias, à ANACOM e a outras entidades relacionadas com o setor.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply