Manifestação contra a poluição do rio Almonda a 16 de setembro de 2016. Foto: mediotejo.net

Algumas centenas de pessoas concentraram-se na tarde de sexta-feira, 16 de setembro, em Nicho de Riachos, Torres Novas, numa manifestação contra a poluição da Ribeira da Boa Água e do Rio Almonda. Mau cheiro, estradas enlameadas que provocam acidentes, despejos de detritos para a ribeira foram algumas das queixas proferidas pela população. “Queremos respirar!”, gritava uma moradora ao microfone, sobre o aplauso de todos os presentes.

Fabrióleo e Componatura foram as empresas visadas pelos cartazes. FOTO: mediotejo.net
Fabrióleo e Componatura foram as empresas visadas pelos cartazes. Foto: mediotejo.net
Com um cheiro fétido no ar, centenas de pessoas reuniram-se em Nicho de Riachos gritando palavras de ordem. “Basta” e “Não à poluição” foram as mais ouvidas na manifestação, que decorreu de um movimento espontâneo da população e à qual diversas associações e partidos políticos aderiram.
Presente no local, o presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, teceu duras críticas à tutela, referindo que, mais que papéis, “é preciso é atuação”. “Nunca me ouviram enunciar nomes de empresas”, salientou, referindo que a investigação dos poluidores compete às devidas entidades. Terminaria assim o seu discurso referindo que são necessárias empresas no concelho, mas que “se tiver algum negócio que mudar de sítio que mude, mas não se prejudiquem as populações”.
Organizadores da manifestação vão enviar carta a todas as entidades, apelando por soluções. Foto: mediotejo.net
Organizadores da manifestação vão enviar carta a todas as entidades, apelando por soluções. Foto: mediotejo.net
Para um dos organizadores da manifestação, um morador chamado Luís Santos, o momento ficou marcado por ser uma iniciativa do “povo”, que já está “farto” da poluição. Numa carta já redigida e aprovada, após leitura em voz alta, pela população presente, o porta-voz apelou às autoridades nacionais que “desenvolvam todas as iniciativas ao seu alcance, para que terminem os atentados ao ambiente e à qualidade de vida das pessoas”. A missiva será enviada a todos os órgãos de soberania do país.
"Basta", "Estão a matar-nos", "Não à poluição" figuravam em alguns cartazes. FOTO: mediotejo.net
“Basta”, “Estão a matar-nos”, “Não à poluição” figuravam em alguns cartazes. FOTO: mediotejo.net
Durante a manifestação falaram ainda os presidentes da junta de Riachos e Meia Via, os mais afetados pelo mau cheiro e poluição, além de representantes da Quercus, ProTejo e Comissão de Utentes de Saúde do Médio Tejo (CUSMT). Este último salientou os problemas pulmonares e cancerígenos de que sofrem as pessoas vítimas de poluição, anunciando medidas para combater este flagelo.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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