ULS Médio Tejo capacita cuidadores em Abrantes para cuidar dos outros sem esquecer a própria saúde. Foto: ULS

A Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo desenvolveu sessões de capacitação para cuidadores em Abrantes, Bemposta e Pego, procurando fornecer ferramentas para responder às exigências físicas e emocionais de quem cuida diariamente de pessoas dependentes, sem descurar a própria saúde e bem-estar.

A iniciativa foi desenvolvida através da Unidade de Cuidados na Comunidade de Abrantes (UCC Abrantes), em parceria com o Contrato Local de Desenvolvimento Social – 5.ª Geração (CLDS 5G), e incidiu sobre três áreas consideradas essenciais no quotidiano dos cuidadores: gestão do stress e prevenção da sobrecarga, alimentação saudável e ergonomia na prestação de cuidados.

Com uma componente prática, as sessões procuraram ajudar os participantes a reconhecer situações de maior vulnerabilidade e sinais de sobrecarga, adotar hábitos mais saudáveis e aprender técnicas de mobilização e transferência de pessoas dependentes.

O objetivo passa também por reduzir o risco de lesões associado ao esforço físico exigido por algumas tarefas e aumentar a segurança e o conforto, quer de quem presta os cuidados, quer da pessoa que deles depende.

A ULS Médio Tejo chama particularmente a atenção para uma realidade cada vez mais presente nas famílias: pessoas de idade avançada que assumem, elas próprias, os cuidados de familiares igualmente idosos e dependentes.

“Temos cada vez mais situações em que são pessoas idosas a cuidar de outras pessoas idosas, por vezes durante longos períodos e com uma enorme exigência física e emocional”, alerta Piedade Pinto, enfermeira diretora da ULS Médio Tejo.

A responsável destaca, neste contexto, o papel dos Cuidados de Saúde Primários, considerando que a proximidade das equipas às pessoas e às famílias permite identificar quem assume o papel de cuidador e reconhecer precocemente situações de cansaço, sobrecarga ou maior vulnerabilidade.

“Queremos estar próximos de quem cuida e proporcionar um acompanhamento personalizado. Apoiar o cuidador é também uma forma de cuidar da pessoa dependente e de criar condições para que possa permanecer, sempre que possível, no seu ambiente familiar, com maior segurança e qualidade de vida”, afirma.

ULS Médio Tejo capacita cuidadores em Abrantes para cuidar dos outros sem esquecer a própria saúde. Foto: ULS

Cuidar de quem cuida

A intervenção procura, assim, contrariar uma realidade frequente: a saúde e o bem-estar do cuidador acabarem relegados para segundo plano perante as necessidades da pessoa dependente.

A ULS Médio Tejo tem vindo a abordar esta problemática também através de ações de informação e sensibilização. Em agosto, o podcast Haja Saúde dedicou um episódio aos cuidados domiciliários, com a participação do enfermeiro especialista em reabilitação Juliano Santos Branco, da UCC Abrantes, abordando temas como preparação da habitação, gestão segura da medicação, alimentação, prevenção de quedas e úlceras de pressão e reconhecimento dos limites de quem cuida.

Na capacitação agora realizada em Abrantes, Bemposta e Pego, a parceria entre a UCC Abrantes e o CLDS 5G procura igualmente aproximar as estruturas de saúde e da comunidade, mobilizando os recursos existentes localmente e procurando respostas ajustadas às necessidades das famílias.

“Uma parte muito significativa dos cuidados à pessoa dependente acontece dentro de casa e é assegurada pela família. Por isso, dar a quem cuida conhecimentos, ferramentas e apoio significa proteger também a sua saúde e criar melhores condições para a permanência da pessoa dependente no seu contexto familiar e social”, sustenta Piedade Pinto.

Para a enfermeira diretora da ULS Médio Tejo, a ideia resume-se num princípio: “Cuidar de quem cuida é também cuidar de quem depende dele”.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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