Cardeal António Marto agradeceu colaboração e carinho recebidos nos 16 anos à frente de Leiria-Fátima. Foto: DR

O cardeal António Marto evocou hoje o “grito lancinante” de que o Papa Francisco “se faz eco”, referindo “a noite da guerra que caiu sobre a humanidade”, lembrando, em particular, o conflito na Ucrânia.

Para o bispo emérito de Leiria-Fátima, a situação na Ucrânia traz o “risco de se tornar ‘uma guerra fria’ alargada que pode sufocar a vida de gerações e povos inteiros”.

“Não só de quem hoje habita a nossa terra, mas de quem virá depois de nós. Uma guerra louca, cruel, desumana, sacrílega em que são arrasadas cidades, são mortos milhares de inocentes e milhões de refugiados são obrigados a abandonar a sua terra, a sua casa, os seus bens”, afirmou António Marto, na homilia da missa da 89.ª peregrinação da diocese de Leiria-Fátima ao Santuário da Cova da Iria.

Perante milhares de fiéis, o cardeal Marto recorreu às palavras do Papa Francisco na oração da consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria, realizada no dia 25 de março: “Perdemos a humanidade, malbaratamos a paz. Tornamo-nos capazes de toda a violência e destruição. (…) Por isso acolhe, ó Mãe, esta nossa súplica: liberta-nos da guerra, protege o mundo da ameaça nuclear. Rainha da paz, alcança a paz para o mundo”.

O bispo emérito de Leiria-Fátima recordou ainda a mensagem deixada em Fátima em 1917, “uma mensagem impressionante de advertência, para que a humanidade e a Igreja tomassem consciência da dimensão infernal da loucura do mal e do pecado na história e do seu poder devastador, aniquilador, que atingiu formas e proporções inéditas, inauditas e inimagináveis em duas grandes guerras mundiais. Uma mensagem para urgir a conversão, a mudança do coração humano e do rumo da humanidade”.

A homilia foi, ainda, aproveitada para, a partir do evangelho do dia, que narra a passagem da mulher adúltera, falar da misericórdia de Deus.

A Igreja “não está no mundo para condenar, mas para permitir o encontro com aquele amor entranhado que é a misericórdia de Deus”, disse António Marto, recorrendo a palavras do Papa Francisco.

“Se as pessoas se sentem condenadas à partida, nós não estamos a transmitir a mensagem evangélica. A misericórdia abre o nosso coração às necessidades e à miséria dos outros, aos problemas escondidos, ocultos, à pobreza material e a todo o sofrimento: de uma criança que sofre, de uma família em dificuldade, de um sem abrigo, de um jovem que não encontra sentido para a vida, de um idoso na solidão, esquecido e sem reconhecimento, de um refugiado sem apoio solidário”, afirmou.

Segundo António Marto, “quando a comunidade cristã acolhe as pessoas com delicadeza, as escuta com atenção, as ama como são, quando cura, reconcilia, anima e encoraja a viver a vida boa do evangelho, torna-se no que ela tem de mais luminoso: uma comunhão de amor, de compaixão, de consolação e perdão”.

António Marto presidiu à peregrinação de hoje face à impossibilidade de o bispo titular da diocese, José Ornelas, estar presente, devido a estar infetado com covid-19, em Roma, onde se deslocou para um encontro com o Papa.

Bispo de Leiria-Fátima confirma “vontade” do Papa de estar no Santuário em 2023

O bispo de Leiria-Fátima, José Ornelas, revelou hoje que o Papa Francisco lhe transmitiu a vontade de visitar o Santuário de Fátima no próximo ano, no âmbito da sua deslocação a Portugal para encerrar a Jornada Mundial da Juventude.
 
Em 2023, Francisco vai também visitar o Santuário de Fátima, no concelho de Ourém, durante as Jornadas Mundiais da Juventude. Foto: DR
 
Em mensagem enviada aos participantes na 89.ª Peregrinação Diocese de Leiria-Fátima ao Santuário, José Ornelas, que se encontra infetado com covid-19 em Roma, onde se deslocou para um encontro com o Papa, escreveu que Francisco “reconfirmou a sua vontade de vir a Fátima, no âmbito dessa manifestação de fé e testemunho dos jovens cristãos de todo o mundo [Jornada Mundial da Juventude]”.
 
“Respondendo ao seu apelo, queremos ser uma Diocese aberta e acolhedora desses jovens que peregrinarão até Fátima no âmbito do encontro mundial em Lisboa”, acrescentou José Ornelas na sua mensagem lida aos peregrinos presentes no santuário.
 
Por se encontrar infetado com covi-19, o bispo ficou impedido de estar na peregrinação diocesana, que seria a primeira enquanto bispo de Leiria-Fátima, cujas cerimónias estão a ser presididas pelo cardeal António Marto, bispo emérito da diocese.
 
José Ornelas está à frente da diocese de Leiria-Fátima desde 13 de março, tendo substituído no cargo António Marto que, à beira de atingir os 75 anos, pediu a resignação ao Papa.
 
Antes de Leiria-Fátima, José Ornelas, que é o atual presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, foi bispo de Setúbal.

Agência de Notícias de Portugal

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