O Quartel – Galeria Municipal de Arte de Abrantes inaugura no sábado, dia 18 de julho, às 18h00, a exposição “A linha do tempo: 30 anos do Atelier do Massimo”, uma mostra coletiva que assinala três décadas de atividade do espaço de desenho e pintura criado pelo artista plástico Massimo Esposito, por onde passaram mais de 600 alunos desde 1996.
Patente até 30 de janeiro de 2027, a exposição reúne mais de 120 trabalhos realizados por antigos e atuais alunos do atelier, refletindo a evolução artística de várias gerações que encontraram naquele espaço um lugar de aprendizagem, experimentação e convívio.
Nascido em Ferrara, Itália, Massimo Esposito vive em Portugal desde 1986 e fixou-se em Abrantes dez anos depois, onde abriu o atelier que viria a tornar-se uma referência na formação artística informal da região.
Ao longo de três décadas ensinou centenas de alunos de diferentes idades e profissões, oriundos sobretudo do concelho de Abrantes, mas também de vários pontos do Médio Tejo, tendo contribuído para o surgimento de diversos artistas plásticos.
Em paralelo com o ensino, o atelier dinamizou mais de quatro dezenas de exposições coletivas e inúmeras mostras individuais, sessões de pintura ao ar livre, concursos e projetos culturais desenvolvidos em parceria com municípios, associações e instituições.
Para Massimo Esposito, o percurso construído ao longo destes 30 anos ultrapassou largamente as expectativas iniciais.
“Nunca pensei sequer chegar à idade que tenho hoje. As coisas foram acontecendo naturalmente. Hoje olho para trás e vejo que passaram por aqui mais de 600 alunos só em Abrantes. Muitos continuam ligados à pintura. Outros seguiram caminhos completamente diferentes. Mas todos deixaram qualquer coisa neste espaço. E isso é talvez a maior recompensa”, afirmou, em entrevista ao mediotejo.net.

O artista considera que ensinar acabou por ser uma das maiores aprendizagens da sua própria vida.
“Ensinar obrigou-me, antes de mais, a aprender. Aprendi a ter paciência, empatia e a olhar para cada pessoa de forma diferente. Muitos chegaram aqui sem nunca terem pegado num lápis. Outros atravessavam momentos difíceis. A maior satisfação é perceber que conseguiram ultrapassar aquilo que julgavam ser os seus limites.”
Mais do que uma escola de desenho e pintura, Massimo define o atelier como um espaço de convivência e crescimento pessoal, inspirado na promessa que fez quando ainda era estudante em Itália, depois de ter conhecido um professor que, recorda, desmotivava os alunos.
“Prometi a mim próprio que, se um dia ensinasse, faria precisamente o contrário. Aqui tento perceber cada pessoa. Se alguém não compreende uma técnica, cabe-me a mim encontrar a forma de a ajudar.”
Essa dimensão humana continua a marcar a relação com muitos antigos alunos.
“Continuo a receber mensagens de pessoas que passaram por aqui há 30 anos. Alguns têm hoje mais de 90 anos. Outros vivem na Noruega, em Lisboa ou noutros países. Isso diz-me que o mais importante não foi apenas a pintura.”
O artista acredita que o ambiente criado no atelier explica parte dessa ligação.
“Hoje vivemos num tempo em que tudo gera discussão. Aqui não se fala de política nem de futebol. Vimos para desenhar, conversar, ouvir música e criar um ambiente tranquilo. A maioria das pessoas entra preocupada ou cansada e sai daqui a sorrir. Isso vale muito mais do que qualquer quadro.”

A exposição “A linha do tempo: 30 anos do Atelier do Massimo” inaugura no sábado, às 18h00, e poderá ser visitada no Quartel – Galeria Municipal de Arte, em Abrantes, de terça-feira a sábado, entre as 14h00 e as 17h30, até 30 de janeiro de 2027.

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