Vilela Brazão, cumpriu durante as últimas duas décadas uma jura de oferecer os seus serviços de pediatra às crianças da sua terra como às da sua falecida esposa, professora tramagalense. Foto: mediotejo.net

O médico João Vilela Brazão despede-se este sábado, dia 24 de março, da sua atividade de Médico Pediatra, exercida durante mais de 20 anos na qualidade de voluntário na Associação Humanitária de Dadores de Sangue do Tramagal (AHDSFT).

“É com pesar que ponho fim a uma colaboração que durou mais de vinte anos, mas fica a satisfação e a honra de poder ter contribuído para o bom estado de saúde infantil, juvenil e da adolescência de parte dos jovens da Região. Aos seus pais, deixo o meu profundo agradecimento pela confiança em mim depositada”, escreveu o médico, residente em Lisboa e com profundas ligações ao Tramagal, devido ao seu casamento com uma professora local, e onde mantém habitação.

 

“Bem hajam e até sempre”, despediu-se o médico, natural de Benavila, Avis, sendo que este sábado dará as suas últimas consultas e será alvo de uma singela homenagem, às 11:00, por parte da direção da AHDSFT.

Nos últimos 20 anos, Vilela Brazão assistiu centenas de crianças sem lhes cobrar um tostão. Foto: mediotejo.net

Aos 80 anos, João Joaquim Vilela Brazão, sportinguista confesso e filho único de um marceneiro, cumpriu durante as últimas duas décadas uma jura de oferecer os seus serviços de pediatra tanto às crianças da sua terra como às da sua falecida esposa, professora tramagalense.

Em Lisboa, cada um dos pais destas crianças pagaria umas dezenas largas de euros para uma consulta sua. Em Tramagal, custa-lhes só 25 euros, verba que reverte direitinha para os cofres da AHDSFT.

O médico João Vilela Brazão exerceu durante mais de 20 anos na qualidade de voluntário na Associação Humanitária de Dadores de Sangue do Tramagal (AHDSFT). Foto: mediotejo.net

Com uma visão muito humanista e pouco mercantilista da Medicina, João Vilela Brazão defende que as pessoas têm o direito a viver com saúde, oferecendo os seus préstimos às crianças que afirma “adorar” e que hoje, mais do que pacientes, são seus pequenos amigos e confessores.

Este sábado despede-se com o seu “Bem-hajam e até sempre”. E com a promessa de continuar a receber os seus amigos em casa. “Estarei sempre de porta aberta”, promete.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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