Jorge Espadinha, presidente da direção da Sociedade União Crucifixense (SUC). Foto: mediotejo.net

A Sociedade União Crucifixense (SUC), em Crucifixo, Tramagal, assinalou 75 anos em atividade no dia 16 de julho, tendo sido lembrados antigos dirigentes e homenageados os associados com 25 e 50 anos de vínculo à instituição. Em tempos de pandemia e com as atividades canceladas, o presidente da direção, Jorge Espadinha, falou do futuro da SUC e da importância social, cultural e desportiva da coletividade na aldeia onde está inserida.

Depois de 10 anos como membro dos órgãos sociais da SUC, Jorge Espadinha, 47 anos, assumiu este ano a presidência da direção pela primeira vez, numa coletividade que é agora a sua segunda casa. “Tinha muitas expectativas e projetos para este primeiro de direção mas a pandemia mandou tudo abaixo”. Tudo, ou quase tudo abaixo, menos a equipa diretiva, que vai fazendo das tripas coração para manter a sua sede com o café aberto durante alguns dias da semana, de modo a assegurar a socialização e o convívio numa aldeia de gente bairrista. “Não está fácil, as atividades foram todas canceladas, e o Crucifixo hoje já só tem um café aberto [além do da SUC]. A coletividade vai contar connosco, é importante para esta comunidade e não a vamos deixar cair”, assegurou o dirigente, técnico de manutenção de profissão.

A população respondeu bem aos peditórios realizados no Crucifixo e na Terra Nova e as verbas angariadas permitiram ganhar um balão de oxigénio de modo a que o tesoureiro, David Fernandes, consiga pagar as despesas de manutenção e dê a luz verde para as portas continuarem abertas mais uns meses. O Conselho Fiscal, presidido por Abílio Menaia, confere uma certa experiência a um elenco diretivo composto por elementos de várias gerações.

A SUC assinalou 75 anos em Crucifixo e homenageou antigos sócios. Foto: mediotejo.net

“As festas de verão eram o nosso ganha pão para o resto do ano e este ano a covid estragou tudo”, que é como quem diz, os proveitos das tradicionais festas populares permitiam encarar as despesas regulares da coletividade e ainda efetuar alguns melhoramentos no espaço. A sede da SUC inclui um edifício no coração da aldeia, com salas para café, com televisão, jornais e jogos de bilhar, a par de salas de reuniões e um salão de baile. Pela cova funda, chega-se às cozinhas, que dão acesso, por sua vez ao ringue de futebol de salão que se transforma no verão num amplo espaço dedicado ao convívio, gastronomia, festas da aldeia e outros manifestações sociais e culturais. O futebol de salão, ali de grande tradição, já conheceu melhores tempos.

“Já tivemos aqui pesca, teatro, coros, aulas de música, grandes torneios de futebol de salão, ginástica, enfim, muita tradição e atividade que agora parou por força da pandemia”, notou Espadinha, tendo lembrado a importância dos sócios no percurso de 75 anos da SUC e referido que a sua paixão pela coletividade fez despertar o gosto pelo associativismo.

“O nosso sócio número 1 é o senhor Manuel Gomes, o Manuel ‘Pintalsilgo. Tem 97 anos e é o avô da minha mulher [Sónia Chaves], que também está na direção [secretária]. A sócia mais nova tem um ano e meio, é a Francisca, e é minha filha”, deu conta, com orgulho.

Para não deixar passar a data dos 75 anos da fundação da SUC em claro, a direção da coletividade decidiu homenagear os sócios mais antigos, numa cerimónia restrita por imperativos de segurança sanitária, mas que manteve a importância associada à data comemorativa.

Os sócios que foram homenageados este ano por completarem 25 e 50 anos de associado foram Luís Farinha, Luís Duarte, Silvestre Palácio, Vitor Neto, João Monteiro, Olívia Nunes, Dário Farinha, Ricardo Santo, e João Gertrudes.

A convite da direção, o Presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos e o Vereador da Cultura, Luís Correia Dias, estiveram presentes no 75º Aniversário da Sociedade União Crucifixense, assim como o Presidente da Junta de Freguesia do Tramagal, Vitor Hugo Cardoso.

O Presidente da Câmara felicitou esta coletividade e todos os que a têm dinamizado valorizando a atividade cultural e desportiva, contribuindo para a dinâmica associativa e para a oferta de atividades à população do Crucifixo.

Os mandatos dos órgãos sociais na SUC são válidos apenas por um ano, tendo Jorge Espadinha assegurado ao mediotejo.net que está pronto para continuar com a sua equipa a levar mais longe o nome da coletividade. Com ou sem pandemia.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply