O salão da Tuna Tramagalense, em Tramagal, acolheu no sábado um colóquio sobre novos modelos de gestão de paisagem florestal, uma iniciativa da Montis, associação para a conservação da natureza e que tem como objetivo criar valor com a biodiversidade.
Henrique Pereira dos Santos, presidente da Montis, falou ao mediotejo.net sobre o objetivo central da Associação que privilegia a conservação da natureza e a valorização da biodiversidade enquanto instrumento de gestão que permita ordenar o território e a floresta, e as formas de valorizar a gestão da paisagem. Também António Louro, engenheiro florestal e vice-presidente da Câmara de Mação, marcou presença na sessão e falou ao mediotejo.net sobre a conservação da floresta e os desafios do presente e do futuro para os territórios de baixa densidade populacional.

Com a iniciativa, que contou com a presença de cerca de cinco dezenas de pessoas, o objetivo era refletir sobre “uma outra gestão da paisagem em que o centro não sejam as fileiras clássicas da produção de madeira ou cortiça (sobro, pinheiro e eucalipto), nem mesmo as atividades alternativas que mais usam estas áreas, como a pastorícia.
O colóquio, que decorreu durante toda a manhã, visou “discutir o contributo de outras coisas para a gestão destas áreas”, como a talhadia de folhosas, a resinagem, os frutos, os cogumelos, as colmeias e a biodiversidade, sabendo que nenhuma destas coisas é uma bala de prata que possa resolver os problemas da falta de competitividade e falta de gestão, mas cada uma delas pode ajudar a trazer gestão para onde faz falta”.

À tarde, os participantes deslocaram-se à propriedade de Salvadorinho, junto a São Miguel de Rio Torto, para “discutir o que faz sentido fazer e como”, para a hipótese da Montis vir a gerir esta propriedade com cerca de 100 hectares.
Com sede em Vouzela, a Montis é uma associação para a conservação da natureza que tem como objetivo criar valor com a biodiversidade, através de uma gestão sustentável do património natural, entidade que tem um “acordo de princípio” com a Altri Florestal para transferir a gestão de um terreno com cerca de 100 hectares no concelho de Abrantes para a Montis.
“Nada está garantido, falta ainda começarmos a discutir o acordo de gestão concreto, mas existe um acordo de princípio”, ressalvou o presidente da Associação, tendo feito notar, no entanto, que o acordo, “a concretizar-se, será um grande passo” para a Montis.
“Assumir a gestão de quase mais cem hectares, ao pé de Abrantes, bastante longe do que é o atual centro de atividade da Montis, levanta problemas de gestão apreciáveis, mas responde também à vontade que sempre tivemos de alargar a nossa área de atuação”, concluiu.
