Jacinta Azevedo assinalou 100 anos no dia 4 de junho rodeada de carinho e calor humano no Centro Social Paroquial Nossa Senhora da Oliveira, em Tramagal. Foto: mediotejo.net

Jacinta Ferreira Azevedo nasceu no dia 4 de junho de 1918 e assinalou os 100 anos de vida no Centro Social Paroquial Nossa Senhora da Oliveira, em Tramagal, no dia 4 de junho, rodeada de amigos, familiares e utentes da instituição social, onde frequenta o Centro de Dia. O centenário foi motivo de festa e houve missa no Centro Social, tendo o Padre Adelino Cardoso destacado a necessidade premente de um Lar que acolha os idosos em Tramagal. “Dói ver esta pessoas irem para casa ao final do dia e ficarem sozinhas toda a noite, sem apoio ou companhia”, lamentou, apelando às instituições e a quem de direito que ajudem a resolver este problema social. Não é o caso da dona Jacinta, que tem a família que a acolhe quando cai a noite e fecha o Centro de Dia.

Jacinta Azevedo fez 100 anos e é utente do Centro de Dia de Tramagal. Foto: mediotejo.net

Foi sob o peso da sua vetusta idade que Jacinta Azevedo soprou a vela que assinalou os seus 100 anos de vida, rodeada de familiares, profissionais do Centro de Dia, utentes e dezenas de crianças do pré-escolar que fizeram questão de dar um sentido colorido e calor humano a tão respeitável momento. Jacinta Azevedo nasceu a 4 de junho de 1918 na Moita e está atualmente em casa de uma das filhas, residente em Tramagal.

“É com muito orgulho que vejo a minha mãe chegar aos 100 anos. É uma felicidade, apesar dos problemas que se manifestam com esta idade, ao nível físico e psicológico”, disse ao mediotejo.net Maria Alexandrina Venâncio, uma das filhas de Jacinta Azevedo e que a recebe em casa depois de fechar o Centro de Dia e também aos fins de semana. “É um bocadinho difícil lidar com a sua idade e as suas necessidades, mas estamos todos muito felizes pelos seus 100 anos. E a mãe dela chegou aos 99. As mulheres da nossa família são todas assim”, destacou, antes de ir dar mais uma prenda à sua mãe e ajudar a partir o bolo de aniversário.

Familiares, funcionários e utentes do Centro Social assinalaram os 100 anos de Jacinta Azevedo. Foto: mediotejo.net

Com as valências de Centro de Dia, Apoio Domiciliário, creche e pré-escolar, o Centro Social e Paroquial Nossa Senhora da Oliveira presta serviço a cerca de uma centena de utentes e tem hoje 26 funcionários. A grande lacuna detetada pelo presidente da direção da instituição, o padre Adelino Cardoso, é a oferta do serviço de Lar, um projeto que está já desenhado para 39 camas e um investimento na ordem dos 700 mil euros. O problema é que não há linhas de apoio para a construção de equipamentos de raiz, o que gera fortes motivos de preocupação ao pároco, que reclama por mais apoios por quem de direito para que se concretize de forma urgente esta resposta social.

“Muito trabalho tem sido feito em prol da comunidade porque sabemos que é uma instituição fundamental nesta comunidade mas também sabemos que  para os dias de hoje já não corresponde às necessidades de muita gente que precisava aqui de mais e esse mais é a valência Lar”, disse o padre Adelino ao mediotejo.net.

Crianças, utentes, familiares e direção do Centro Social proporcionaram uma festa bonita a Jacinta Azevedo pelos seus 100 anos de vida. Foto: mediotejo.net

“Já não é o Centro de Dia que dá respostas a estas situações, mas sim a vertente do Lar.  Há pouco tempo saiu na comunicação social que Portugal era dos países que mais maltratava os idosos. E eu que estou aqui como presidente desta instituição vejo isso: nós já não estamos a dar resposta que deveríamos. Quando nós vemos que pessoas que gostam muito desta  comunidade que é o Tramagal, e quando numa determinada situação já não  há resposta têm de sair desta terra. Algumas pessoas saem daqui a chorar, e são completamente desenraizadas…”.

Sobre o projeto e ambicionado Lar, Adelino Cardoso diz ter tudo a postos, assim haja apoios: “terreno temos, projeto temos, mas faltam-nos os apoios. Estas respostas não deveria ser o Centro Social a dá-las. Quem deveria dar respostas são as entidades oficiais. E às vezes parece que somos nós que temos aqui um capricho. Nós queremos apenas servir a população,  queremos que as pessoas se sintam bem na sua terra e neste caso  concreto é haver uma valência de Lar. Não somos nós que queremos porque queremos, mas porque é uma necessidade emergente”, reiterou.

Padre Adelino Cardoso, presidente da direçao do Centro Social Paroquial Nossa Senhora da Oliveira, reclama a urgência da construção de um Lar no Tramagal. Foto: mediotejo.net

“Serão 38 camas, mais logística, mobiliário… não é assim tão caro…. O que me revolta, por exemplo, é termos um Alentejo que está desertificado e há projetos para apoiar construções novas.  As estruturas que lá existem chegam. Nós aqui, com uma população tão envelhecida e muita população não há candidaturas para construir projetos novos e é isso que faz falta. Para remodelação existem candidaturas, mas para novas não há”, criticou, explicando os motivos concretos das suas preocupações sociais.

“Nós saímos daqui e verificamos que a pessoa fica sozinha durante a noite e quando chegamos de manhã a casa da pessoa ela está caída no chão. Ou seja, esta pessoa precisava estar em valência de Lar. E às vezes dói-me o coração quando estou aqui à saída e vejo as pessoas a  irem para as carrinhas já com dificuldade a nível de mobilidade. Estas pessoas precisavam era de estar sossegadas, não irem para as suas casas onde não têm apoio nenhum”, defendeu o responsável.

Jacinta Ferreira Azevedo e o bolo de aniversário do seu centenário. Foto: mediotejo.net

“Gostava que as entidades, quem de direito, estivessem mais envolvidas e dessem os apoios para fazerem e serem eles os promotores” da construção deste Lar de idosos, afirmou, manifestando a expectativa de que o processo não demore muito. Os idosos não podem esperar.

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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