O vereador da oposição colocou especial ênfase na Avenida Andrade Corvo, onde deu nota do abate de 70 árvores feito pelo município de Torres Novas. Foto arquivo: DR

Na última reunião da Câmara Municipal de Torres Novas, o vereador António Rodrigues (Movimento P’la Nossa Terra) criticou a falta de manutenção das ruas e espaços públicos da cidade recorrendo a imagens através de um power point, apontando a ervas que crescem nos passeios de várias artérias , abate de 70 árvores na Avenida Andrade Corvo e a passagem de camiões, bem como as pernoitas que estes fazem na cidade. O presidente da Câmara respondeu e disse gostar das provocações mas de “provocações sérias” e que não as considera sérias “sem terem a parte positiva também”.

“Não levem a mal, não fiquem zangados por estes alertas, mas por muito bons que sejamos há sempre coisas que estão por fazer, e é um alerta que vos faço para a falta de manutenção na cidade”, disse António Rodrigues no início da sua intervenção antes do período da ordem do dia na reunião de executivo de 19 de abril. Apresentando a sua opinião com uma apresentação em PowerPoint, o vereador da oposição disse que “esta não é de facto a imagem que nós queremos para a nossa cidade”.

Mostrando imagens de locais como o Bairro de S. Domingos, a zona do Hospital, o Bairro da Silvã ou a Avenida Andrade Corvo, António Rodrigues chamou a atenção para as ervas que estão a crescer e a estragar passeios e calçadas, colocando especial ênfase na Avenida Andrade Corvo, onde deu nota do abate de 70 árvores feito pelo município.

“Estão a fazer uma coisa que para mim é uma espécie de provocação, é qualquer coisa que não tem explicação. Tapam as caldeiras das árvores, em vez de colocarem árvores, põem calçada, ou seja, qualquer dia não há uma única árvore na Avenida Andrade Corvo, então sim aquilo vai ser transformado numa autêntica mini autoestrada dentro da cidade”.

António Rodrigues deixou ainda críticas relativamente às passagens e dormidas de camiões na cidade, e em especial naquela via: “os senhores estão a permitir que uma zona urbana da cidade se transforme numa autêntica autoestrada. Passam diariamente centenas de camiões pela Andrade Corvo”, atirou, acrescentando que fazem “aquilo que é óbvio: danificam a estrada, reduzem o tempo que ela podia ter útil de utilização”, abordando ainda as dezenas de camiões estacionados em Torres Novas, que param na cidade torrejana para dormir.

“É isto que os senhores querem para a cidade?”, indagou. 

Terminada a intervenção de António Rodrigues, o líder da autarquia Pedro Ferreira começou por responder que “obviamente” teria de haver uma reação pelo menos da sua parte. Agradecendo os reparos que “a qualquer altura são sempre bem vindos para tentarmos corrigir”, Pedro Ferreira disse depois que “também não ficava mal ao senhor vereador também apresentar tantas coisas boas que a Câmara tem feito e dar os parabéns por isso”.

Relativamente à questão da manutenção, o autarca afirmou que “era bom que o nosso vereador se tivesse lembrado” de como estavam locais como Largo Humberto Delgado, o Almonda Parque, o prédio Alvarenga, ou o Centro Histórico da cidade, e como estão agora, bem como o Centro Escolar de Santa Maria “que esteve anos a fio à espera de melhores instalações para as crianças poderem ter as suas aulas” e o Pavilhão de Riachos, “uma velha promessa que nunca veio a acontecer senão agora”. 

Já sobre a questão dos camiões, Pedro Ferreira disse que tudo indica que vai haver uma iniciativa privada para criar um parque de camiões em que estes possam ficar estacionados e onde os motoristas possam descansar e tomar as suas refeições, dizendo que é um projeto em curso. Quanto à inviabilização destes transportes na avenida Andrade Corvo, Pedro Ferreira diz que este é um assunto que “já foi abordado várias vezes mas Roma e Pavia não se fizeram num dia, e obviamente que a Câmara nunca parou nem irá parar”.

O vereador detentor do pelouro do ambiente, João Trindade (PS), fez também uso da palavra, começando por dizer que “como é óbvio nunca tudo está feito e temos sempre que ir melhorando”, explicando depois que a tapagem das caldeiras é algo que está e vai continuar a ser feito, naquele que é um esforço relativamente à questão das acessibilidades: “a lei das acessibilidades exige que haja um metro e meio livre, e isso não existe na Avenida Andrade Corvo e quando há situações de árvores que por motivo fitossanitário não podem estar, são removidas e é necessário garantir neste sítio, porque não estava correto de acordo com a lei”.

“Arrisco-me a dizer que nunca a cidade teve um trabalho tão grande das ervas (…) como é óbvio haverá situações e é normal que hajam neste momento, mas não acredito que tenha havido outro período em que haja tanta gente e o trabalho tenha sido tão bem feito como até agora”, disse ainda João Trindade, sobre a falta de limpeza de ervas nos passeios e calçadas.

António Rodrigues respondeu depois dizendo que a questão de um metro e meio para as acessibilidades é para futuras intervenções e que “ninguém manda deitar árvores abaixo” ou desfazer aquilo que está feito, acrescentando ainda que há grades que podem ser colocadas nas caldeiras de forma a não ser necessário o abate de árvores.

“A cidade não está tão limpa como isso, os senhores contentam-se com muito pouco. Eu tenho pena”, disse ainda o vereador da oposição.

Por esta altura Pedro Ferreira interrompeu, dizendo que o período antes da ordem do dia já ia adiantado, acrescentando que gosta das provocações mas que gosta de “provocações sérias” e que não as considera sérias “sem terem a parte positiva também”.

Licenciado em Ciências da Comunicação e mestre em Jornalismo. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo.

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