No âmbito da discussão do orçamento para 2022, quer em reunião de executivo quer na Assembleia Municipal, o presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira (PS), deu conta das reuniões com o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo sobre a falta de médicos no concelho. Segundo o autarca, o problema de fundo não é tanto de dinheiro, é que, simplesmente, não há médicos para as necessidades. Para agravar o panorama, três médicos vão reformar-se em breve no concelho de Torres Novas.
O tema foi mencionado a primeira vez na reunião de câmara de 17 de dezembro. Pedro Ferreira respondia a algumas das reflexões de Tiago Ferreira (PSD-CDS) no âmbito da discussão, comentando que a falta de médicos é “um dos maiores problemas que o Médio Tejo tem”. Dando conta de uma reunião recente com o ACES, explicou que é entendimento geral que o problema não é tanto uma questão financeira, é que “não há mesmo médicos”.
Em declarações ao mediotejo.net, o presidente salientou que a situação é “super preocupante”, uma vez que se vão reformar três médicos em Torres Novas nos próximos tempos. Posteriormente adiantou ao nosso jornal que o projeto EVA, a equipa médica e de enfermeiros financiada pelo município para fazer visitas a utentes com mais de 80 anos, entrou em funcionamento a 10 de novembro, prometendo para breve um ponto de situação sobre o projeto.
Na sessão de Assembleia Municipal de 29 de dezembro, quarta-feira, o tema foi retomado, em resposta às preocupações levantadas pelo presidente de Junta de Chancelaria, Alfredo Antunes. O autarca manifestou-se preocupado com a aposentação da médica local e a falta de respostas em termos de saúde primária, o que faz os fregueses terem que se dirigir ao Entroncamento, estando já a colocar pressão no serviço de saúde daquela cidade.
Pedro Ferreira tornou a abordar a questão nacional de falta de médicos de família e o “enorme” problema que enfrenta o Médio Tejo. “O último governo aumentou o número de vagas para os cursos de medicina”, constatou, mas “já devia ter sido há muitos anos”.
Mediante as reuniões que o presidente tem tido com o ACES, o autarca informou que existe neste momento um desfasamento geral entre os médicos que estão a entrar na reforma e o número de formados em medicina, que não consegue cobrir as necessidades.
“O ACES tem tentado gerir”, comentou, nomeadamente com as horas extra. O projeto EVA já visitou entretanto 180 pessoas com mais de 80 anos, procurando assim fazer um diagnóstico e acompanhamento dos utentes. “Não é uma substituição dos médicos de família”, frisou, mas o contributo do município para tentar melhorar a situação.
Pedro Ferreira adiantou ainda que a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo está a aguardar as eleições legislativas para pedir uma reunião de urgência com o futuro Ministério da Saúde.
